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20.10.17

{Resenha} Belinda



Autora: Maria Edgeworth
Editora: Pedrazul
Sinopse: Mrs. Stanhope fez de tudo até conseguir que a dama mais elegante e influente de Londres, a notória Lady Delacour, convidasse sua última sobrinha solteira para passar uma temporada com ela. A esperança da tia era que Belinda conseguisse, como as suas demais primas, um marido bom e rico. Entretanto, Belinda foi jogada num tumulto social, e acabou se envolvendo nos conflitos familiares da aristocrática família Delacour. Enquanto a belíssima Lady Delacour tenta chamar a atenção de Mr. Clarence Hervey e outros cavalheiros para si com coquetismo, vivendo uma agitada vida social como se o mundo fosse acabar amanhã, ela enfurece Lorde Delacour, causando uma tragédia. Na verdade, a dama esconde um grande segredo que é descoberto por Belinda. Em meio à agitação da sociedade londrina, o coração da jovem Belinda é tocado por Mr. Hervey - mas ele está comprometido com outra moça. Resta a Belinda se casar com Mr. Vincent, o protegido da sóbria e racional família Percival.

"Belinda" é a história envolvente de uma mulher jovem e forte, que luta para manter sua integridade mesmo estando sob a tutela de um mau exemplo experiente na forma de uma dama admirada e elegante.
“Belinda era bela, graciosa, cheia de vida e altamente prendada; sua tia se esforçara para ensiná-la que o principal de uma jovem é agradar na sociedade, que todos seus encantos e talentos deveriam invariavelmente subordinados ao único grande objetivo de estabelecer-se no mundo:
‘Para tal, mãos, lábios e olhos foram postos em treinamento,
E cada feição ensinada tinha seu papel.”
Belinda é o primeiro romance de Maria Edgeworth que li. Sei que ela foi muito famosa em sua época, a ponto de ter seus livros mencionados em obras de Jane Austen (minha autora de inglês clássico favorita). O livro foi escrito em 1801, há mais de 200 anos atrás e carrega todos os conceitos de seu século, bem como preconceitos... O que o fez ser um pouco difícil de ler. Belinda é uma protagonista forte... Mas as outras personagens que a cercam, não. Irei explicar, calma, calma!

Não sabemos a origem da protagonista, quem são seus pais ou onde ela nasceu. Sabemos que ela, junto com outras meninas (sendo que algumas delas são suas irmãs) foram criadas pela Mrs Stanhope, uma senhora caçadora de bons partidos para as meninas que coloca sob sua asa, criadora de comportamentos e situações para capturar corações de homens desavisados. Tal reputação é negativa, a ponto de todas as meninas que ela apresentou à sociedade terem má fama, apesar de terem casado muito bem, com homens com algumas dezenas ou centenas de libras por ano. O que, para a época, é muito desejável... Embora, depois de casadas, as jovens fiquem mal faladas nos círculos da sociedade.

Belinda é a última das jovens que precisa dos conselhos e indicações de casamento de Mrs. Stanhope, cuja idade já não lhe permite acompanhar a moça nos encontros sociais. Então ela opta por encaminhá-la para umas das ladys mais influentes no momento: Lady Delacour. 
“Quando menos se espera, uma moça dessas vai se encontrar com trinta e cinco ou trinta e seis anos, sendo um fardo para sua família, desprovida de meios de se tornar independente (pois as jovens de quem falo nunca pensam sequer em ‘aprender’ a jogar suas cartas), indesejadas pela sociedade, porém obrigadas a permanecer com seus conhecidos, que desejam vê-la no céu, pois ela é inapta a retribuir às civilidades com o retorno esperado por não ter um lar, quero dizer, não ter uma renda, uma casa, etc., mas é perfeita para receber companhia de uma certa classe.”
O casamento é a única saída para as mulheres da época. Não há trabalho para as mulheres da alta sociedade, então elas precisam casar-se com homens que possam sustenta-las. Lady Delacour é casada e muito ativa na sociedade, embora não encontre felicidade na “vida doméstica”, então sua vida são os círculos sociais, as extravagâncias e as festas. Idas ao teatro, jantares... Ela precisa ser admirada por todos os jovens e invejada por todas as mulheres, apenas isso a faz feliz. E a atenção que mais lhe agrada é do jovem Clarence Harvey. E nossa querida Belinda vê-se atraída por ele, mas sua modéstia e humildade a impedem de expressar tal atração. E a falta de incentivo por parte dela também impedem o jovem de se aproximar romanticamente de nossa protagonista... Também o fato dela ser uma das pupilas de Mrs. Stanhope.

Belinda é muito comedida, age sempre pela razão. Enquanto sua nova guardiã, Lady Delacour, é impulsiva e age conforme seus desejos, sem querer saber das consequências. E a racionalidade de sua amiga lhe incomoda a ponto de Delacour sempre lhe provocar para ver até onde a calma da jovem vai... E sempre é surpreendida. Belinda é firme em suas convicções a ponto de todos ao seu redor admirarem-na, embora admirem sua protetora mais. 

Vamos falar um pouco de Clarence Harvey.

Ele é um babaca.

Pronto, vamos continuar. Huahuhuha

Brincadeira. Ele no começo é um personagem bem escroto... Tem amigos mais escrotos ainda. Não sei como as mulheres se apaixonavam naquela época, talvez é por isso que foram criados os casamentos por conveniência, por alianças... Porque os pais deviam perceber o quão tapados eram seus filhos e sabiam que, se não comprassem uma noiva, nenhuma mulher iria deseja-los. É claro que Harvey faz o estilo bonitão... No passar dos capítulos, ele vai melhorando, vemos o quão inteligente ele pode ser. Mas conforme vamos descobrindo mais sobre ele... Bem, eu cheguei a conclusão de que ele é alguém que eu não iria desejar para meu círculo de amigos.

Conhecemos também Mr. Vincent. Ele sim seria um bom partido, depois de resolvidas algumas questões. Ele e Belinda tiveram uma boa conversa, uma boa química. É um jovem filho de mercadores jamaicanos, bem exótico para a época... Também seria um bom par para nossa protagonista.

A história toda gira ao redor de Lady Delacour e suas (des)aventuras. Belinda torna-se sua fiel amiga, tentando mostrar e provar a ela as delícias da vida doméstica, algo que a Lady até o momento achara enfadonho e infeliz. Sua antagonista em comportamento é a doce Lady Anne Percival, uma criatura feliz e cuidadora, extremamente terna e incapaz de ferir alguém.

A estória, como eu disse, carrega todos os preconceitos existentes no início de 1800, embora Belinda tenha alguns pontos firmes e fortes. As mulheres que fazem o que querem são mal vistas, os homens acham que as mulheres precisam lhes servir... Eles podem beber e achar que as mulheres devem agir de tal modo para serem desejáveis... E que tudo que elas desejam é casar-se. É a realidade da época, mas me incomodou bastante.

A escrita da autora é agradável, os personagens são muito bem construídos. Nos apegamos a alguns, desgostamos de outros. Todos possuem suas funções. Os diálogos são inteligentes e sagazes, o que torna bem divertido escolher um personagem favorito – ou descobri-lo. 

A diagramação é bem agradável, cada capítulo possuí um título associado ao que irá acontecer nele. Há ilustrações em alguns locais do livro, retratando as situações em que os personagens estão. Também percebi alguns errinhos de português, mas nada que atrapalhe a leitura.

É uma história boa de se seguir, embora eu acredite que o ritmo seja ligeiramente devagar por culpa da própria estória. Eu gostei bastante, foi meu primeiro livro também da Pedrazul Editora e a qualidade é muito boa!

1 comentários:

  1. um enredo bem intrigante, ainda não conhecia a proposta
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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