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24.10.17

{Resenha} Escuridão total sem estrelas


Título Original: Full Dark, No Stars.
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Na ausência da luz, o mundo assume formas sombrias, distorcidas, tenebrosas. Em Escuridão total sem estrelas os crimes parecem inevitáveis; as punições, insuportáveis; as cumplicidades, misteriosas.
Em 1922, o agricultor Wilfred e o filho, Hank, precisam decidir do que é mais fácil abrir mão: das terras da família ou da esposa e mãe. No conto Gigante do volante, após ser estuprada por um estranho e deixada à beira da morte, Tess, uma autora de livros de mistério, elabora uma vingança que vai deixá-la cara a cara com um lado desconhecido de si mesma. Já em Extensão justa, Dave Streeter tem um câncer terminal e faz um pacto com um estranho vendedor. Mas será que para salvar a própria vida vale a pena destruir a de outra pessoa? E, em Um bom casamento, uma caixa na garagem pode dizer mais a Darcy Anderson sobre seu marido do que os vinte anos que eles passaram juntos.
Os personagens dos quatro contos de Stephen King passam por momentos de escuridão total, quando não existe nada — bom senso, piedade, justiça ou estrelas — para guiá-los. Suas histórias representam o modo como lidamos com o mundo e como o mundo lida conosco. São narrativas fortes e, cada uma a seu modo, profundamente chocantes. 

Em uma edição linda, toda negra com tons de negro, não pude resistir essa obra do Stepehn King, mesmo sendo um livro de contos (que eu não costumo ler muito). Fui atraída assim que a vi. Sou fã de Stephen King desde a minha adolescência, quando eu e minha mãe fazíamos competição para ver quem lia o livro da vez mais rápido. Herdei dela a paixão pelo terror de qualidade produzido pelo grande mestre!

No entanto, admito que desde a adolescência, depois de ler uma grande parte do acervo do autor, eu parei. Porque esse cara sabe como mexer com o psicológico da gente, sem precisar apelar muitas vezes para o sobrenatural ou para o gore. Ele fala suavemente de coisas que poderiam acontecer a qualquer pessoa... Como diz a sinopse: “histórias que representam o modo como lidamos com o mundo e como o mundo lida conosco.”

Vou falar um pouco de cada conto, tá?

1922 é o primeiro conto e também o maior deles. Daria um livro à parte, com certeza. Arlette e Wilfred são casados há bastante tempo. Amavam-se, com certeza. Cuidavam de sua fazenda de milho, seu filho Hank sempre prestativo e bom aluno na escola... Só que o mundo estava avançando e Arlette queria crescer com ele. Viu a oportunidade de vender suas terras de herença, que não eram cultivadas pelo marido e o filho, e quis vender para se mudarem para a cidade, onde ela realizaria seu sonho de ter uma loja. Mas Wilfred não desejava isso. Ele queria manter-se na fazenda de seu pai, viver como sempre viveu e toma uma medida drástica, envolvendo nela seu filho. Conhecendo o mestre do suspense, já dá para imaginarem qual foi a decisão que ele tomou, não é?
“A raiva nos olhos dele era daquele tipo nua e crua que só os adolescentes são capazes de sentir.”
Hank tinha 14 anos e estava apaixonado pela filha do próspero fazendeiro vizinho. Uma moça doce que os ajudou muito em momentos de necessidade. Porém, um incidente acontece e os jovens precisam se separar e a loucura tem início. 

A vida dos dois homens mudam por completo, e para a pior. A culpa toma diversas formas para nos mostrar as consequências de nossos atos; corrói a veia e a sanidade pouco a pouco, até que se duvide da realidade. 

Gigante do Volante é o segundo conto e nos apresenta a Tess, uma escritora de histórias de detetives velhinhas que fizeram um considerável sucesso para ela se manter confortável apenas com seus livros e palestras. Aparentemente nunca se casou, sua única preocupação é seu gato, o qual está em seus pensamentos o tempo todo. E Tom. 

É controladora e planeja sempre todos os detalhes de uma viagem, quase obsessivamente, de modo que tudo possa sair perfeito. É restritiva quanto a seus trabalhos, pois não quer se afastar demais de sua cidade. Parece ter vivido uma vida segura e sem muitas aventuras, então uma decisão mal tomada a fez conhecer o Gigante do Volante.

Sua vida poderia ter continuado a mesma depois de tê-lo encontrado, não poderia? Poderia tê-lo colocado na cadeia... Mas uma nova Tess nasce depois do fatídico encontro, uma que conversa com seu gato e com Tom, seguindo – ou não – seus conselhos. A mulher que surge surpreende a ela mesma; embora minuciosa, ainda tem um quê de impulsiva. Ela busca sua vingança e nada... Nada irá pará-la.


Extensão Justa foi um dos contos que menos achei chocante, embora mostre a alma humana em sua essência. Pelo menos a essência que eu acredito. Dave Streeter está doente, muito doente. Encontra em seu caminho uma pessoa curiosa, que lhe propõe uma extensão... A curiosidade e a brincadeira tomam conta de seu ato e ele aceita, duvidando de que aquilo pode realmente acontecer. 

Mas tudo tem um preço... Será que você faria o mesmo, aceitaria, mesmo de brincadeira, o preço imposto por aumentar a sua vida um pouco mais, sabendo que amanhã você pode nunca mais acordar? É interessante observar a frieza do personagem diante de tudo, a brincadeira séria, os sorrisos e felicidades. Vemos em Dave o verdadeiro caráter humano.

Um Bom Casamento nos aponta como de fato desconhecemos as pessoas ao nosso redor, por mais que tenhamos passado grande parte das nossas vidas ao lado delas. Darcy é casada e feliz com seu marido, foram realmente felizes, ela poderia lhe dizer. Tem muita afinidade um com o outro, compartilham hobbies. 

Todos menos um.

A descoberta a fez rever todos os anos em que moraram juntos, pesquisando e enlouquecendo. O medo a faz tomar decisões não muito inteligentes, mas ela sabe o que precisa fazer... Sabe que seu mundo não pode continuar assim e, por mais que doa, ela precisa fazer alguma coisa. 

É muito interessante analisar os personagens desses contos. Não queremos nos identificar com eles, pois sabemos que muito do que fazem não é bom... Mas o que faríamos se um dia, estivéssemos na mesma posição que eles? Se, um dia, o momento em que estamos for tão negro, que não conseguiremos ver nada, só aquela pequena luz... Só aquela pequena ideia? Seria tão errado? O que você faria, em ocasiões assim?

A Netflix lançou em seu acervo a adaptação para as telinhas de 1922, que parece estar incrível! Confira o trailer abaixo:


Assim que assistí-lo, venho comentar aqui com vocês!

~ Livro recebido em parceria com a Editora Suma ~

2 comentários:

  1. king é um mestre da escrita, mas realmente eu e ele não combinamos, ele me dá pesadelos kkkk
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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