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7.12.17

{Resenha} Aimó: Uma viagem pelo mundo dos Orixás



Título: Aimó: uma viagem pelo mundo dos Orixás
Autor: Reginaldo Prandi
Editora: Seguinte
Sinopse: Imagine se encontrar, de uma hora para a outra, em um mundo totalmente desconhecido onde você não conhece ninguém e ninguém demonstra saber quem você é. É o que acontece com uma menina nascida na África e levada para o Brasil para ser escrava, e que de repente acorda em um lugar estranho, habitado pelos deuses orixás e pelos espíritos dos mortos que aguardam o momento de seu renascimento. Ela não sabe mais o próprio nome nem lembra de sua família - está sozinha e não tem a quem pedir socorro. Por isso, aliás, ganha o nome Aimó, "a menina que ninguém sabe quem é". Tudo o que ela quer é retornar ao seu mundo de origem, mas para tornar isso possível, Aimó vai partir em uma longa jornada através dos tempos mitológicos, guiada por Exu e Ifá, e vai acompanhar de perto muitas aventuras vividas pelos orixás. Só assim poderá reunir o conhecimento necessário para fazer uma escolha que lhe permita, enfim, voltar para casa.
Gosto de qualquer livro que a história me chame atenção, não importa sobre o que ele seja e, na minha busca por coisas novas para ler, encontrei Aimó.

O livro, bem curto, com 199 páginas, nos faz viajar pelo mundo da cultura Africana e seus Orixás, sua crença.

Aimó, nome traduzido como “menina esquecida”, é a personagem que acompanhamos. Após morrer e ir parar no Orum (mundo espiritual), Aimó, que não lembra nem seu nome verdadeiro ou sobre sua vida no Aiê (mundo dos vivos), desata a chorar de desespero, isso acaba despertando Olorum (o pai de todos os Orixás), isso o deixa muito estressado, Olorum, que adora dormir, vai procurar quem o acordou.

Encontra Aimó, e ambos tentam entender o motivo de Aimó estar no Orum, e por que não pode reencarnar. Olorum chama por Ifá (o orixá do oráculo) e Exu (orixá mensageiro, do movimento e da transformação), para ver se com a ajuda dos dois, descobrem a história da menina esquecida.

Entendendo os motivos de Aimó estar presa no Orum, Olorum temendo que a menina continuasse o acordando, convoca uma reunião com todos os Orixás e diz que Aimó deve conhecer todas as Aiabás (orixás femininas) e escolher uma delas para ser sua mãe, só assim poderá reencarnar, e quem irá acompanha-la nessa jornada serão Exu e Ifá.
“Você quer renascer e ser boa, ser somente boa. Mas ninguém é inteiramente bom ou inteiramente mau. O bem e o mau andam juntos, um ajuda o outro a existir. A mesma pessoa agora é uma coisa e depois é outra. Quando não é as duas coisas juntas, ao mesmo tempo!”

A partir daí, nos é apresentado todos os Orixás, suas histórias e várias outras. Devo dizer que fiquei encantada com a teoria do Cadomblé de como originou-se o mundo e os humanos, e o que acontece conosco após a morte. Não há inferno ou punições, o único problema é que se você for uma má pessoa em vida, ninguém vai se lembrar de você com carinho e te fazer oferendas, isso fará com que você nunca mais consiga reencarnar.

Mas isso nem é problema, Nanã, a orixá do barro, aceita em sua casa qualquer espirito errante, pois adora sua companhia e o mesmos a protegem em troca de abrigo.

Nunca vi uma religião tão diferente e divertida assim. Ah, mas devo lembrar que “Aimó” não é um livro religioso, o próprio autor explica:
“Convém enfatizar que este não é um livro religioso. A intenção aqui foi trazer ao leitor elementos culturais da mitologia afro-brasileira, patrimônio que o Brasil herdou herdou da África.”
Foi uma história muito emocionante, o final me deixou um sorriso de orelha-a-orelha, fazia muito tempo que um livro me dava esse sentimento.

Os personagens que mais me conquistaram foram Exu e Iemanjá, adorava Exu e sua personalidade. Queria entender por que as pessoas julgam tanto essa religião e seus Orixás.

No final do livro tem um glossário com todos os termos usados e todos os Orixás, sempre que esquecer ou tiver alguma dúvida é só olhar lá.


Recomendo muito Aimó, a emoção de lê-lo deve ser sentida por todos (risos).
Ah, é do mesmo autor de outro livro que adoro muito "Minha Querida Assombração", que já deixei a resenha dele aqui no blog também.

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