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12.12.17

{Resenha} O Pistoleiro


Título original: The Dark Tower I: The Gunslinger
Série: A Torre Negra
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Condenado a vagar por um mundo pós-apocalíptico no encalço de sua nêmesis, o misterioso Homem de Preto, Roland, encontra personagens cujo destino está ligado ao seu com um papel crucial em sua caçada. Jake Chambers é um estranho menino que foi transportado para o Mundo-Médio após morrer tragicamente na Nova York de 1977. Alice, uma fascinante mulher da desolada cidade de Tull. O destino - ou ka - reserva a morte para ambos, e Roland conta apenas com suas habilidades como pistoleiro para derrotar o inimigo. Essa jornada através do Mundo Médio o leva em direção à Torre Negra, que a tudo observa no horizonte distante.


Stephen King começa essa nova edição com um (longo) prefácio explicando os vários porquês de terem se passado tantos anos até a finalização de uma de suas maiores séries, Torre Negra. Sobre este volume em particular, o primeiro da série, o aclamado autor queixa-se da imaturidade com que foi escrito - afinal, trata-se de um romance escrito há mais de 30 anos atrás, de uma época onde King era um rapaz inexperiente que deixava-se levar por palestras de literatura e opiniões não tão bem respaldadas.
"Removi o máximo que pude da tagarelice vazia e não lamento um só corte nesse sentido. Em outros pontos (...) pude deixar o texto quase inteiramente em paz, salvo pelos detalhes habituais de revisão que qualquer escritor precisa observar. Como já assinalei em outro lugar, só Deus faz as coisas certas logo da primeira vez.
Seja como for, não quis sufocar ou mesmo alterar demais o modo como a história fora contada; apesar de todos os defeitos, ela tem seu próprio encanto, acho eu. Alterá-la de forma muito radical seria repudiar a pessoa que escreveu pela primeira vez sobre o pistoleiro no final da primavera e início do verão de 1970, e isso eu não quis fazer."
Demorei um bom bucado até entender todo o contexto onde Roland se inseria. Um pistoleiro real, portador da Fala Superior, treinado para ser um dos melhores do seu clã, vaga pelo deserto atrás do Homem de Preto - uma figura que ora é descrito como padre, ora como feiticeiro. Não sabe-se ao certo qual grande mal o feiticeiro fez ao nosso protagonista, mas a determinação de Roland em enfrentá-lo é tão forte que não foi um desafio atravessar um deserto para isso. 

A estória começa basicamente assim - descrevendo a longa caminhada de Roland - e fica difícil manter o foco na leitura que, além de confusa em seu enredo, é muitas vezes floreada ao extremo - como o próprio autor a descreve no seu prefácio. Em seu percurso, o pistoleiro encontra vilas e pessoas que, no fim das contas, não passam de degraus para que o nosso protagonista consiga ter êxito em sua jornada. Um desses degraus é Jake, um garoto que morreu em meados dos anos 70 e foi enviado à Terra Média, onde é acolhido por Roland. Eis que nosso pistoleiro desenvolve uma afeição real pelo garoto, mas não o suficiente para colocá-lo acima do seu objetivo maior.
"- Espere - O garoto tinha parado de repente. Defrontavam-se com uma fechadura curva no regato; a água fervilhava, espumava ao redor da superfície gasta pela erosão de um gigantesco bloco de arenito. Tinham andado toda a manhã na sombra das montanhas enquanto o desfiladeiro se estreitava.
Jake tremia violentamente e seu rosto empalidecera.
- Qual é o problema?
- Vamos voltar - Jake murmurou. - Vamos voltar depressa.
A expressão do pistoleiro não se alterava.
- Por favor. O rosto do garoto estava repuxado, e o queixo oscilava numa agonia reprimida. Através da pesada manta de pedra, ainda ouviam o trovão, nítido como máquinas sobre a terra. A fatia de céu que conseguiam ver tinha assumido um turbulento, gótico tom cinzento em que correntes frias e quentes se encontravam e lutavam entre sim.
- Por favor, por favor! O garoto ergueu um punho, como se fosse bater no peito do pistoleiro.
- Não.
O rosto do garoto assumiu um ar de espanto.
- Você vai me matar. Ele me matou da primeira vez e você vai me matar desta vez. E acho que sabe disso.
O pistoleiro sentiu a mentira nos lábios, e a disse:
- Nada vai acontecer com você. - E uma mentira ainda maior. - Eu vou cuidar de você."
A busca de Roland durante todo o livro - pelo Homem de Preto, pela Torre Negra e, principalmente, por respostas - acaba sendo nossa busca também. Entretanto, essas (poucas) respostas só chegam ao final do livro, todo esse processo é... enfadonho. Acompanhar alguém por tanto tempo (não que o livro possua muitas páginas, haha) sem entender lá muita coisa não prende muito a atenção. Além do mais, cada resposta abre espaço para outras mil perguntas, em um ciclo que não tem fim.

Se o objetivo de tantos questionamentos era instigar o leitor a procurar o próximo volume o mais rápido possível, infelizmente não funcionou tão bem comigo. Não sei se a minha curiosidade vai ser suficiente para continuar esta saga; baseado nos outros livros que li de Stephen King e na fama desta série, eu simplesmente esperava mais. Muito mais. Quem sabe eu consiga este mais nos outros volumes? Vai saber...

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