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29.12.17

{Resenha} Sangue por Sangue



Título: Sangue por SangueAutora: Ryan GraundinEditora: Seguinte - Companhia de LetrasSinopse: Para o Terceiro Reich, a Segunda Guerra Mundial pode ter acabado, mas para a resistência a luta está apenas começando. Yael é sobrevivente de um campo de extermínio e tem uma habilidade especial: é uma metamorfa, capaz de mudar a aparência física e assumir a forma de qualquer pessoa. Ela também é uma garota em fuga - o mundo acabou de vê-la atirar e matar Adolf Hitler. Yael é a inimiga número um da Germânia e de seus aliados, e vai precisar se infiltrar no território inimigo mais uma vez se não quiser pagar com o próprio sangue. Em meio a segredos sombrios acompanhados por verdades obscuras, apenas uma pergunta paira na mente de todos do grupo de Yael: o quão longe você iria por aqueles que ama?


É impossível resenhar Sangue por Sangue sem soltar vários spoilers sobre o livro anterior. 
No final de Lobo por Lobo, após revelar sua identidade a Felix e trancá-lo em um quarto, Yael comparece ao Baile da Vitória como convidada do duplo vencedor Luka Lowe. Seu plano era dançar com o Fuhrer e aniquilá-lo na primeira oportunidade, um plano que teria sido bem sucedido caso o cadáver no chão fosse realmente do Fuhrer, e não de um metamorfo desconhecido. 

Sangue por Sangue começa bem aí, na descoordenada fuga de Yael. Diante do acontecido, Luka Lowe não tem escolha a não ser seguir a recém-criminosa - pois seria bem difícil ficar no local e tentar convencer a SS de que sua convidada tentou matar o Fuhrer mas ele não tinha nada a ver com isso. Convencido pela falta de escolha, Luka segue Yael sem saber se a garota que é inimiga do Reich também pode ser amiga do garoto-propaganda do mesmo regime.

Ao perder seu disfarce - afinal, não foi difícil fazer com que Felix fornecesse à SS a informação de que Adele (sabidamente Yael), na verdade, é uma troca-rostos que só pode ser identificada por sua tatuagem de lobos -, nossa protagonista fica em dupla desvantagem: sem plano (não havia um manual sobre "o que fazer se você matar o Hitler mas ele não for mesmo Hitler") e sem o escudo impenetrável que era sua habilidade de trocar de rostos. Seguida por um Luka confuso e desconfiado e por um agente duplo, Yael precisa se reconectar à célula da resistência e tentar dar rumo à revolução que estava dando seus passos iniciais no Reich. 

O desenrolar do romance entre Yael e Luka é singelo, algo completamente digno de um livro da seção infanto-juvenil - que é o caso aqui, afinal. Ver Luka conhecendo a verdadeira Yael, e não mais a garota que fingia ser Adele Wolfe, foi uma das melhores partes da leitura. Por outro lado, o amor instantâneo desenvolvido em poucos dias fica difícil de engolir; o sentimento que ele nutriu em um livro inteiro por Adele desapareceu em poucas paginas nesse volume.

Neste volume, a narração é em terceira pessoa e intercala entre os pontos de vista de Yael, Luka e Felix. Desta maneira, fica mais fácil se conectar com os personagens e entender suas ações. Até mesmo a traição de Felix torna-se algo compreensível quando entram em cena sua decepção por ser enganado por uma metamorfa e seu medo de perder os pais para as mãos cruéis da SS. Até mesmo a paixão de Luka fica um pouquinho mais crível.

Na mesma semana em que li Sangue por Sangue, acabei fazendo umas leituras aleatórias sobre a vida de Hitler e assisti o filme Bastardos Inglórios (bem atrasada, eu sei); foi incrível reconhecer tantos nomes e acontecimentos! Rever personagens da história como Joseph Goebbels e Himmel e encarar uma releitura da Operação Valquíria, dentre muitos outros fatos que incorporaram a ficção deste livro, mostram como a autora se esforçou ao criar essa estória. Uma pena eu não ter identificado isso no livro anterior - talvez até por não ter muito conhecimento sobre o assunto (erro meu) -, teria feito grande diferença. 


O final é, no mínimo, marcante. Um pouco decepcionante, até. Nas paginas finais, fiquei procurando as lacunas que deveriam ser preenchidas no próximo volume, quem sabe até sinais de que aquele não fosse mesmo o final... Demorei um pouco pra perceber que não haveria outro final, não haveria mais livros, não é uma trilogia como eu (sei lá o porquê) havia imaginado. Fiquei impactada real quando a ficha caiu, haha. Hoje a deprê já passou um pouco e posso até dizer que o livro, finalizando uma história de amor e guerra (literalmente), foi bom. Mas podia ser melhor, é isso é algo que eu nunca vou me conformar.

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