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22.12.17

{Resenha} Só Escute

Título Original: Just Listen
Autora: Sarah Dessen
Editora: Seguinte
Sinopse: Ano passado, Annabel era a típica “garota que tem tudo” — inclusive era esse o papel que interpretava no comercial de uma loja de departamentos da cidade. Este ano, porém, ela é a garota que não tem nada: não tem mais a amizade de Sophie; não tem uma família feliz desde a descoberta do distúrbio alimentar de uma de suas irmãs; e não tem ninguém com quem passar a hora do almoço na escola. Até conhecer Owen Armstrong. Alto, misterioso e obcecado por música, Owen é um garoto que vivia se metendo em brigas, mas agora está tentando mudar. Um de seus novos lemas é sempre falar a verdade, não importa qual seja, e jamais guardar ressentimentos. Será que com a ajuda desse amigo inesperado Annabel vai conseguir encarar a verdade e enfrentar o que aconteceu na noite em que brigou com Sophie?

Annabel Greene é a irmã mais nova de Whitney e Kirsten. Enquanto suas duas irmãs mais velhas tem personalidades fortes, cada uma a sua maneira, Annabel prefere se anular e evitar conflitos ao máximo. Fica na zona cinza como ela mesma diz.

“Não era corajosa ou franca nem silenciosa e calculista. Não sabia como as pessoas me viam ou que vinha à cabeça delas ao ouvir meu nome. É só a Annabel”. Página 17

Apesar desse seu jeito tímido, a vida de Annabel foi muito boa, até maio antes de iniciar das férias de verão. Algo que tornou a amizade com sua melhor amiga Sophie insustentável. Agora, meses depois e com o início do novo ano letivo na escola, Annabel tem que enfrentar as consequências do ocorrido em maio.


Ao retornar à escola, ela já sabia que não seria fácil, porém não esperava ficar sem nenhuma amiga ao seu lado. Até que o isolamento fez ela perceber certas coisas que antes ela ignorava. Uma delas é o garoto mais problemático da escola: Owen Armstrongs. Apesar da má fama, Owen é tipo de garoto que não suporta mentiras e seu lema é sempre contar a verdade, doa a quem doer. Mas será que Annabel está pronta para enfrentar as verdade dos acontecimentos de maio passado?

A edição está bem caprichada! O Selo Seguinte arrasou nessa capa, acho ela que combina muito com a história. A capa é do material soft touch e as folhas são amareladas. A narração é em primeira pessoa e fica por conta de Annabel e ela vai nos contando alguns fatos do passado para que possamos entender o presente.

Primeiramente lançando pela Farol Literário com o nome Just Listen, o livro foi meu primeiro contato com a escrita da Sarah Dessen. Antes disso eu só tinha ouvido falar da autora por uma youtuber e fiquei bem curiosa para ler. Li e me apaixonei!


Li o livro em 2015 e agora pude reler alguns trechos e momentos importantes dessa trama. Annabel e Owen formam um belo par. Achei incrível o modo como Owen conseguiu chegar em Annabel. Ser sincero e aberto fez com que ela soubesse que existia uma chance de poder revelar o segredo e seguir em frente, deixar as mágoas e enfrentar o ocorrido sem ter vergonha nenhuma. Por diversas vezes eu queria ter entrado no livro e tido a chance de conversar com Annabel. Tantas garotas passam por situações parecidas e elas merecem ser ouvidas.

“...me senti tão impotente quanto naquela noite, como se não estivesse segura nem em plena luz do dia.” Página 28

Além do segredo de Annabel, temos os momentos da família dela. O foco não ficou apenas no casal ou no segredo da protagonista. Pudemos conhecer os dramas de uma família que sempre passava a impressão de ser perfeita. Era uma casa de vidro, onde as coisas podiam ser claras e transparentes. Mas na verdade, isso não existiu. É livro com dois temas complicados, mas ao mesmo tempo o livro é leve, e até divertido em certos momentos.


“A sala de jantar, no entanto, ficava na parte da frente da casa, então, quando estávamos comendo, ficávamos expostos. [...] o motorista nos observava, a família feliz reunida para uma refeição calorosa. Mas todo mundo sabe que as aparências podem enganar.” Página 50

Já deu para perceber que gostei mesmo desse livro né? Mais do que recomendado por mim, espero que você que está lendo essa resenha possam ler e adorar a história de Annabel tanto quanto eu. Já li outros livros da Sarah Dessen, mas esse é meu preferido da autora sem sombra de dúvidas. 

21.12.17

{Resenha} O Livro do Juízo Final


Título Original: Dommsday Book
Autora: Connie Williams
Editora: Suma
Sinopse: Em meados do século XXI, a jovem estudante Kivrin Engle se prepara para viajar no tempo. Ela pretende fazer um estudo de campo sobre uma das épocas mais sombrias da história da humanidade: a Idade Média. Em um primeiro momento, tudo parece ter corrido bem com a empreitada, e ela finalmente está no século XIV. O que Kivrin não sabe é que o técnico responsável pelo seu salto temporal, de volta para 2054, está terrivelmente doente. Seu retorno pode estar comprometido, e isso pode afetar todos os habitantes do Reino Unido. De 1300 a 2050, Connie Willis faz um trabalho magnífico na construção de personagens complexos, densos e pelos quais é impossível não sentir empatia. O livro do juízo final é ao mesmo tempo uma incrível reconstrução histórica e uma aula sobre o poder da amizade.

Estamos no ano de 2054, onde a máquina do tempo já foi criada e é usada para estudos na universidade de londrina. Porém, todo cuidado é pouco, pois não se pode alterar momentos históricos se uma pessoa no futuro for inserida nele, além de correr o risco da pessoa se perder no tempo.

Krivin Engle ainda é uma jovem estudante historiadora e já quer ir para a sua primeira viagem no tempo. Ela deseja ir para a Idade Média, para um período onde as mulheres desacompanhadas eram presas fácies aos homens e serviam apenas para procriar; onde muitas delas eram queimadas por serem acusadas de bruxaria e ainda correndo risco de contrair algum doença da época. Convencendo o historiador James Dunworthy a ajudá-la a se preparar para um possível salto no tempo, mas ele não imaginava que o desejo de sua pupila estava prestes a se realizar.

A Idade Média está no ranking 10 de risco, porém o senhor Gilchrist acredita que esse risco é superestimado. Quando tem a oportunidade de tomar conta da diretoria de história por um curto período de tempo, ele não perde a chance de fazer os preparativos para enviar Krivin à Idade Média a fim de fazer suas pesquisas sobre aquele período.

O salto no tempo acontece e tudo poderia ter ocorrido bem se o técnico que operou o salto não tivesse caído doente misteriosamente assim que Krivin faz o salto. Agora toda a imediação próxima à universidade está em quarentena. Com uma quarentena e muitas pessoas ficando doentes, como Dunworthy conseguirá trazer Krivin de volta?


A edição está bem demais! Capa dura com o material soft touch. Por dentro está simples, mas muito bem caprichado. Folhas amarelas e de boa qualidade. O livro é divido em três partes. Sempre terminando com uma bomba que deixa o leitor chocado! A narração está em terceira pessoa com a visão em Krivin Engle e James Dunworthy.

Os personagens desse livro são incríveis! A gente tem vontade de sacudir alguns ou matar logo alguns outros, mas cada um tem seu papel para que a história aconteça da maneira certa. Caso contrário, como esse livro seriam tão bom quanto é?

Apesar de pequena e da pouca idade, Krivin Engle foi extremamente forte e soube lidar com sua atual situação de maneira maravilhosa. Mesmo com o medo de ser descoberta, ela tentava descobrir uma maneira de descobrir o local do salto e também não deixava de fazer o que acreditava ser o certo. É o tipo de amiga que você gostaria de ter por perto em qualquer situação da vida.

Dunworthy também não fica para atrás. Tentou de tudo para arranjar um jeito de trazer sua pupila para casa em segurança. Mesmo com as pessoas ao redor ficando doentes, ele fazia o que podia para tentar descobrir como Krivin estava. E ainda temos o pequeno Colin Templer. Que criança maravilhosa! Com apenas 12 anos, o garoto tentava ajudar levando e trazendo recados, espalhando cartazes pela área de quarentena ou ajudando como podia o Dunworthy. A sensibilidade desse garoto é incrível!


Confesso que no início eu estava morrendo de medo de não curtir a história. Amo ficção-científica, mas misturado com história? Tinha minhas dúvidas, mas O Livro do Juízo Final foi maravilhoso! Com essa mistura, o enredo ficou realmente incrível e bem elaborado. Não seria para menos já que a Connie Willis demorou cinco anos para terminar essa história fantástica! Foi bastante pesquisa para fazer esse livro ser o que é hoje. Simplesmente maravilhoso e ganhador de prêmios mais que incríveis no meio sci-fi. Eu até achava que ia ser uma linguagem mais rebuscada, mas não. A linguagem é ótima e foi surpreendente acessível.

Connie Willis não poupa ninguém nesse livro! A morte e o fracasso rondam essa história constantemente e eu me sentia agoniada sem saber o que viria a acontecer. Que nova tragédia iria se abater sobre Krivin Engle na Idade Média ou em 2054 com a doença desconhecida. Socorro!!! Para fãs de sci-fi e história, esse livro vai ser perfeito. Já pode colocar na lista de natal, já que esse livro se passa nesse período. Bom, termino essa resenha já com imensa saudade do livro.


20.12.17

{Resenha} Querido Dane-se


C-H-E-G-U-E-I! 😌


Hoje trago para vocês o novo lançamento da Kéfera e um dos lançamentos da Editora Paralela, nossa parceira aqui no blog.
Acompanho a Kéfera no youtube e apesar das polêmicas que envolvam o nome dela, adoro os vídeos. São bem divertidos, ainda mais quando ela mostra suas pugs. 💗
Bom, vamos deixar de papo e conferir a resenha né?
Bora lá!


*livro cedido pela editora

Sinopse:

Sara tem muitos sonhos, mas também vários problemas para enfrentar. Para começar, seu namorado acabou de uma hora para outra com ela e por WhatsApp. Pouco depois, ela descobriu que o desgraçado está namorando uma socialite linda e admirada. Parou por aqui? Não: Sara, que é estilista de formação, mas trabalha como costureira, atualmente está de plantão na casa dessa socialite, arrumando as roupas dela.
Enquanto lida com o ressurgimento do ex e tenta voltar a achar graça na solteirice, Sara sofre com seu maior medo: fazer trinta anos sem achar a sua cara-metade. Entre lágrimas e muita risada, no entanto, Sara começa a repensar sua vida. E a perceber que está diante de uma pessoa cujos anseios e gostos conhece pouco: ela mesma.

Querido dane-se é a primeira ficção de Kéfera Buchmann, que, sem abandonar o bom humor de sempre, fala sobre autoestima, empoderamento e a importância de compreender os próprios desejos para se tornar alguém feliz.”

Resenha

Kéfera nos traz sua primeira ficção, e nos presenteia com uma personagem engraçada e divertida chamada Jussara. Sara é como ela pede que a chamem. Mora sozinha, independente, trabalha como costureira com sua amiga Denise no ateliê de Helena Bissot, mas é estilista (especializada em croquis) e tem como companhia sua vira-lata Mimosa.
Seu sonho é poder desenhar roupas e vê-las em evidencia no corpo de famosas, ter sua própria marca, trabalha duro para juntar uma grana para viajar pra Paris, seu sonho desde criança.
Depois de três anos de namoro, com planos traçados entre os dois, Henrique lhe dá um pé na bunda... via whatsapp! Sim, o desgraçado terminou tudo por mensagem arrasando o coração de Sara.
Ao ser promovida irá trabalhar com exclusividade para Gio Bresser, um socialite famosa no país. Simpática, linda, sofisticada e tudo o que uma mulher podre de rica pode ser.


Mas o destino prega suas peças como ninguém, sendo um “menino levado” muitas vezes, e com Sara não foi diferente.
Imagine você ser promovida, trabalhar finalmente com o que ama e dar de cara com o dito cujo? Destino cruel esse hein?
Sim! Henrique é o atual namorado de Gio, o que deixa Sara estarrecida e com muita raiva. O que acabou acarretando uma comparação entre as duas e soube porque Henrique a largou pra ficar com Gio.

Para o desespero de Sara, aos vinte e seis anos não queria ficar pra titia. Aos trinta anos quer ter um marido e filhos, uma família pra cuidar.
Apesar de tudo isso, ainda tinha que aturar o ex namorado/atual de sua cliente em seu local de trabalho. Tentando ser forte e não se abater com o papinho meloso de Henrique pra cima dela.
Sua amiga Denise a acompanha nas baladas pra se divertir e sair um pouco dessa fase de fossa, mas ela só atrai encrenca e sobra pra quem? Pra velha da terapeuta (como ela a chama) e pro diário onde descarrega todas as suas frustrações.


Em sua vida conturbada aparecem outros pretendentes, mas será que vai dar certo? Será que finalmente encontrou seu futuro marido?
E seu futuro como dona de um ateliê e a viagem a Paris? Será que tudo vai mudar pra melhor ou vai só piorar ainda mais?
A estória de Sara é contada como um diário. Ela relata seus dias conturbados no trabalho e na vida amorosa que está longe de ser pacata.

O que deixa a leitura muito mais gostosa, porque Kéfera tem aquele humor impregnado na alma e isso passa pro livro deixando o leitor se divertir com as loucuras de uma desesperada por um marido antes dos trinta.
Não li os outros livros da Kéfera, mas pelo que andei lendo por aí, esse livro em particular recebeu bastantes elogios. Claro que cada leitor tem sua opinião sobre tudo né? Nunca uma opinião é igual à outra, por mais que você ame a estória. Sempre vai ter alguma coisa pra você reclamar rs.


Sara mostra que os seus problemas e paranoias se adequa a qualquer mulher hoje em dia.
Gostei demais de ver a evolução da Sara durante a leitura, é uma estória com boa narrativa, gostosa de ler e não dar boas risadas não seria a Kéfera né? Gostei muito.
Apesar de o final ter me desapontado um pouco, pois não imaginava que seria dessa forma. Pra mim se o final tivesse sido outro, com toda certeza eu teria amado muito mais a estória.


Por hoje é só amores. Até a próxima. Tchau!


Título: Querido Dane-se
Autor (a): Kéfera Buchmann
Editora: Paralela
Número de Páginas: 224

19.12.17

{Lançamentos} Grupo Editorial Pensamento: Novembro e Dezembro


Vamos a uma nova rodada de lançamentos!!!

Como sempre, o Grupo Editorial Pensamento tem uma gama enorme de estilos e gêneros, para o gosto de qualquer pessoa! Eu me interessei demais por Medeia e A garota Alemã!

E vocês, quais vocês querem ler???




{Resenha} A Hora do Lobisomem



Titulo: A Hora do Lobisomem
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Nº de Páginas: 152
Classificação: 3/5
Sinopse: UMA CRIATURA CHEGOU A TARKER’S MILLS. A HORA DELA É AGORA, O LUGAR DELA É AQUI.
O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta.
No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. Agora,a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’sMill, surgem novas cenas de terror inimaginável.
Quem será o próximo? Quando a lua cresce no céu,um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada.
Um clássico de Stephen King,com as ilustrações originais de Bernie Wrightson.

Tudo começou com o primeiro ataque até então todos achavam se tratar de algum animal..talvez um urso,mas os ataques continuaram se repetindo,um a cada mês,sempre no período de lua cheia.

Com a frequência dos ataques alguns moradores começaram a tomar algumas medidas de precaução e especulações de quem seria a próxima vítima. Outros achavam não ser nada de mais,só mais um ataque de lobo e continuaram a viver suas vidas rotineiras.

Após um ataque numa fazendo em que todo um rebanho foi massacrado eles resolveram agir e sair em busca do animal,até que em 4 de julho um garotinho ficou cara a cara com o "animal" e com algumas bombinhas conseguiu sair ileso e ferir a fera,diante disso seu lado Sherlock aflorou e ele passou a "caçar" a pessoa com o mesmo tipo de ferimento da fera..até que eis que surge a pessoa,e fica naquela interrogação..O que fazer agora?? 

Como a "pessoa" não sabe quem o atacou pois ao se transformar ele não lembra de nada do ocorrido ele age normalmente mas com aquela dúvida quem foi o fulaninho que atacou a fera?? Até que ele começa a receber cartas anônimas com letra de criança avisando que sabe o que ele é.

Passam-se os meses e o alvo da fera passa a ser o garotinho que ao ser atacado em sua casa e com a ajuda de seu tio consegue matar a fera revelando a pessoa que a meses os moradores vem especulando quem seria. 

Mais um livrinho do King lido,é tão fininho que se lê em no máximo uma horinha,mas por se tratar de um livro com "meio caminho andado" ele é dividido apenas pelos meses do ano e somente no momento dos ataques.

E por se tratar de um livro assim,eu demorei pra tentar colocar essa resenha no papel,sabe quando você para olha pro papel e pensa "Meu Deus o que eu vou escrever??? Hahahaha pois é.. é nesse nipe mesmo!!

Cada mês ou posso chamar de capítulo tem sua ilustração o que facilita na hora da leitura sua imaginação de como aquela cena ocorreu. Pra quem ainda não leu nada do King ele é um livro bem levinho (em comparação com outras obras),rapidinho da pra fazer a leitura e não traumatiza tanto XD

Achei a leitura bem fraquinha,ainda estou esperando por aquele livro em que direi putz que livrão,mas a gente segue procurando..hahahaha..

18.12.17

{Resenha} Os Vestígios do dia

Título original: The Remains of the Day/The village after dark
Autor: Kazuo Ishiguro
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: O mordomo Stevens, já próximo da velhice, rememora as três décadas dedicadas à casa de um distinto nobre britânico, lord Darlington, hoje ocupada por um milionário norte-americano. Por insistência do novo patrão, Stevens sai de férias em viagem pelo interior da Inglaterra. O mordomo vai ao encontro de miss Kenton, antiga companheira de trabalho, hoje mrs. Benn. No caminho, recorda passagens da vida de lord Darlington e reflete sobre o papel dos mordomos na história britânica. Num estilo contido, o narrador-protagonista acaba por revelar aspectos sombrios da trajetória política do ex-patrão, simpatizante do nazismo, ao mesmo tempo que deixa escapar sentimentos pessoais em relação a miss Kenton, reprimidos durante anos.

“Os erros podem ser triviais em si, mas o senhor deve se dar conta de seu significado maior.”
Este é o terceiro livro de Kazuo Ishiguro que leio. Agora ganhador do premio Nobel de Literatura em 2017 por Não me abandone jamais, ele de fato merece o prêmio. Acima estão as resenhas dos outros dois livros que li do autor.

Quando tive a chance de ler mais um livro deste autor, a agarrei. Gosto muito do estilo saudosista e nostálgico das histórias de Ishiguro, sempre muito carregado de saudade e sentimentos. Em Os vestígios do dia não poderia ser diferente.

Mr. Stevens nos conta sua história durante uma viagem, a única de sua vida realizada por lazer. Depois de trinta anos de sua vida dedicados a Darlington Hall, uma mansão inglesa de muito renome, ele aceita o convite de seu novo patrão: um rico norte-americano que deseja ter todos os luxos de um lorde inglês.

Darlington Hall em seus tempos de glória no mundo entre as duas grandes guerras era comandada por Lord Darlington, um senhor aparentemente honrado e digno pelo que nos conta Stevens, que o admirava tremendamente. Tanto como pessoa, quanto pelo trabalho que ele prestava ao mundo, fazendo História dentro daquelas paredes.

Um mordomo é uma pessoa encarregada de cuidar de todos os detalhes da casa, junto da governanta (embora seu cargo seja acima do dela). Desde as minúcias de um grande jantar a auxiliar o lorde da casa em suas necessidades. Lord Darlington confiava plenamente em seu mordomo para que conseguisse tornar sua casa o melhor lugar para as pessoas que eram seus convidados. E Mr. Stevens sabia que seu excelente trabalho era capaz de influenciar nas grandes decisões que poderiam definir uma parte da história.
“Meu senhor, ao longo dos anos tive o privilégio de ver o melhor da Inglaterra entre essas paredes, mesmo.”
Darlington Hall não tem mais a mesma glória, tendo até mesmo fechado alguns de seus magníficos salões pela falta de pessoal no pós-guerra. E também seu novo chefe, Mr. Farraday, não se importa em ter toda a casa funcionando, conquanto que ainda possa exibir o melhor para seus amigos. Junto com a glória da casa, aparentemente foi-se Lord Darlington e no começo não entendemos muito a razão.

Vemos a personalidade sutil de Stevens durante a organização e decisão de sua viagem. Munido das informações de um dos melhores guias da beleza da Inglaterra e da carta da ex-governanta, Mrs. Kenton, ele parte com a justificativa de recontratá-la, após receber uma carta a qual ele entende nas entrelinhas que ela deseja voltar para seu antigo posto.

Para ele, o mundo atual é ligeiramente confuso. Seu novo chefe faz piadas as quais ele não sabe responder com seu humor “inglês” e teme que o esteja encabulando. Com o passar dos anos também ele percebeu que tem cometido mais erros, os quais não teriam acontecido nos anos de ouro de Darlington Hall e isso o está perturbando. São coisas pequenas, mas que ainda incomodam sua paz.

Na viagem, não há nada incrível. Apenas pessoas comuns, lugares bonitos de se admirar como descritos no livro que Mr. Stevens tanto admira. O que é mais surpreendente na viagem são as divagações do mordomo, coisas que ele nunca havia se permitido pensar. Um mordomo não deve pensar e julgar as atitudes de seu empregador, deve apenas servi-lo da melhor maneira. Sacrificam suas vidas pessoais para tanto, muitas vezes – senão todas.

Descobrimos, conforme Mr. Stevens reflete, que seu lord é um homem honrado e digno. Um tipo de dignidade que ele não acredita que pessoas comuns possuem. No entanto, seu patrão era um simpatizante do nazismo. Vemos o quanto ele sente por isso e que tal fato não diminuiu a admiração que o servo tinha pelo mesmo; apenas sente muito por não ter percebido as águas profundas nas quais Lord Darlington estava se afogando. E, eu mesma durante minha leitura, não pensei em culpar o homem em momento algum. Não que ele não seja culpado por seus crimes... Mas pela inocência e desejo de ajudar o mundo que o homem tinha, para mim era apenas isso... E acredito que para Mr. Stevens também era assim.
“E permita que eu coloque o seguinte: ‘dignidade’ tem a ver essencialmente com a capacidade de um mordomo de não abandonar o ser profissional que ele habita.”
Ele analisa, conforme os dias de viagem passam, pequenos detalhes de sua vida. Vemos o quanto ele perdeu de sua vida pessoal para ser o melhor profissional, o mais digno. O quão desesperador alguns momentos pareciam ser e ele, com profissionalismo, dedicava-se e ignorava o mundo desabando ao seu redor.

Mrs. Kenton é uma peça-chave em sua vida.  Tenta a todo momento encontrar nele o ser humano que existe ali dentro além do ser profissional. É triste, muito triste, o final. Muito emotivo, uma explosão de sentimentos quando se assistie ao final de um por-do sol.

Se posso fazer isso após ler três livros de Kazuo Ishiguro, seus livros são sempre sobre o cuidado. Temos o cuidado do amor, em O gigante enterrado; o cuidado da amizade em Não me abandone jamais... E o cuidado profissional, em Os vestígios do dia. Não sei se estou certa, sei que vai muito além... Mas notei o cuidado presente nestes três livros.

Esta edição da Companhia das Letras traz também o conto “Depois do anoitecer”. Nele, um senhor já nos avanços de sua idade que retorna para a vila/cidade em que cresceu. É meio confuso, mas no final fica subentendido o que aconteceu de fato, vale a pena a leitura.
Os vestígios do dia é um livro sensível, de leitura carregada de sentimentos. A capa é muito bonita e a diagramação é simples.

Preciso dizer que, enquanto eu lia, ficava me lembrando da série Downton Abbey! Recomendo muito a série, também, tem no Netflix! 

Maaas, a história foi adaptada para o cinema. Ainda não tive a chance de assistir, mas está na minha lista de coisas a fazer, huahuhah! Deixo o trailer para vocês!


~Livro recebido em parceria com a editora Companhia das Letras~