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10.1.18

{Resenha} Ninguém nasce herói



Autor: Eric Novello
Editora: Seguinte
Sinopse: Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país.

Já vou começar essa resenha fazendo um apelo:

PESSOAS, LEIAM ESSE LIVRO, POR FAVOR!!! PAREM O QUE ESTÃO FAZENDO E VÃO BUSCÁ-LO NA LIVRARIA DE SUA PREFERÊNCIA OU NA SUA ESTANTE E O COMECEM JÁ!!!

Pronto. Acho que essa pode ser a resenha já, huahuhauha!!!
“Hoje é o DIA D, o ponto G, uma letra à sua escolha em nossa luta diária contra o ódio que se instaurou no país. É triste ver o quanto as pessoas se acomodam, como a tudo se habituam, um dedo que aponto para mim também. Se tivéssemos um pouco mais de atitude e inteligência, o pior teria sido evitado.”
É simples assim, é uma leitura obrigatória para brasileiros neste exato momento em que estamos vivendo e observando as coisas acontecerem em nosso país, sem bater panelas, sem ir às ruas, sem sentir empatia pelo outro. Facebook só não resolve não, okay pessoas?

Mas tá, vamos para a resenha dessa obra incrível do autor nacional Eric Novello que me fez devorar as páginas de seu livro em poucas horas e me colocou num estado de reflexão.

O Pacto de Convivência foi criado: está dentro dele “o fim da perseguição às minorias, inclusive religiosa religiosas, e retoma o direito à liberdade de expressão dos opositores”. Seria lindo, se não fosse apenas uma jogada para as pessoas “de bem” poderem destilarem seu ódio contra tudo aquilo que odeiam. Tipo... A medida do nosso governo que suspende a medida de aplicar no ENEM nota zero na redação daqueles que desrespeitarem os direitos humanos justificando retirada de mordaça

Está no poder um presidente golpista que o protagonista Chuvisco chama de “Escolhido”, que entende perfeitamente a jogada de marketing do governo com suas novas medidas. O cenário do Brasil – pelo menos na São Paulo de Ninguém Nasce Herói” – é de insegurança para aqueles que não se encaixam em nenhum lugar – as minorias. Uma milícia está tomando para si o cumprimento da justiça: A Guarda Branca, que age na surdina para agredir, destruir e dominar. O Escolhido diz que é contra tal tipo de formação, mas os esperto sabem. Chuvisco sabe.
“O que mais dói são os que se afastam por medo, como se estivéssemos distribuindo armas de destruição em massa. Talvez estejam certos.”
Chuvisco é um rapaz recém formado, trabalha com traduções profissionais. Já teve um canal chamado Tempestade Criativa e alguns o conhecem por causa dele. Reside no Bairro da Liberdade e sua luta contra o que está acontecendo no país começa com a distribuição de livros que foram proibidos pelo governo, onde ele faz pequenas anotações de músicas “anarquistas” nas abas. De madrugada, Chuvisco e os irmãos Amanda e Cael vão até uma praça para distribuir os livros para os passantes que estão indo para seus trabalhos ou voltando para suas casas depois da noite intensa – de trabalho ou de diversões. Alguns aceitam, outros os mandam ir ler uma bíblia (alguém já passou por isso, onde alguém lhe manda ler uma bíblia?), dizem para arrumar o que fazer. Eles já estavam acostumados, mas em um dia em particular, dois policiais se aproximam de Cael simplesmente por ele estar fazendo aquilo... E por ser negro. Chuvisco vê o quão perto seu melhor amigo chegou de ser atingido pela situação, se juntando as estatísticas do país e meio que “quebra” todo seu trabalho para se manter funcional.

Acontece que Chuvisco tem um espectro esquizofrênico: o que é uma cena comum de pais discutindo, torna-se uma batalha épica ou uma paranoia enorme em que eles estão vindo busca-lo. Em sua adolescência, foi tratado pelo Dr. Charles (uma clara associação com o Professor Xavier de X-men), que lhe ensinou a tentar entender suas alucinações ao invés de negá-las e deu o nome de catarse criativa.
“Talvez pelo modo como as pessoas me tratavam por causa das catarses criativas, entendi desde pequeno que uma pessoa não precisa ser igual à gente para merecer respeito. Somos todos diferentes, de um jeito ou de outro. E está bom para mim assim.”
Decidido a fazer alguma coisa além de pequenos protestos paz, Chuvisco começa a navegar em águas profundas para descobrir mais sobre uma nova resistência, enquanto busca informações a respeito de uma pessoa que está atormentando seu sossego.

Para além de todo o cenário político, há o cenário social do protagonista: seus amigos. Amanda, Cael, Gabi, Dudu, Pedro... E outros tantos que ele vai conquistando no decorrer da história, cada um com suas particularidades e personalidades. E todos eles giram ao redor de Chuvisco, que acabamos por não saber qual é o nome dele por trás de sua máscara de super-herói. Ele está em uma fase de descobertas e de decepções: pais que não correspondem as suas expectativas, jovens com problemas maiores que os dele, sua sexualidade que não havia lhe cutucado até então... Tudo serve de inspiração para que o rapaz continue sua saga.

Tenho medo de borboletas, mas aprendi a fazer vários tipos delas com origami só para essa foto!!!
A escrita do autor é eletrizante, bem como o enredo. Ele soube dosar muito bem a conspiração, o social, o individual... As descrições são na medida certa para nos ajudar em nossas catarses criativas, haha! Tem romance também, mas não é mamão com açúcar e nem é o foco principal. As reviravoltas são incríveis e você consegue associar muita coisa ao momento o qual estamos vivendo. Vivencio muitas daquelas coisas ali e acredito que vocês também.

Se o futuro for parecido com aquilo... Tenho até medo de imaginar, viu. Está caminhando para aquilo, então precisamos vestir nossas armaduras se não for o que desejamos para nós e para aqueles que amamos.

Eric Novello compôs uma música chamada Higher como trilha sonora de seu livro, cantada por sua irmã. Vou deixar aqui o link para ouvirem e deixem sua opinião, é importante para nós e para o autor!



2 comentários:

  1. eu ja tinha visto esse livro rondando no meu twitter e fiquei curiosa ela premissa, o título é bem forte
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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