Menu

22.1.18

{Resenha} Polícia


Autor: Jo Nesbø
Editora: Record
Ano: 2017
Sinopse: Policiais estão sendo assassinados em Oslo. Um investigador aposentado é morto de modo brutal em um bosque nos arredores da cidade; um detetive é encontrado morto com requinte de crueldade. Ambos trabalharam em casos não solucionados. Ambos foram encontrados nos locais em que os primeiros crimes aconteceram.
Em um beco sem saída, Gunnar Hagen, chefe da Divisão de Homicídios, se alia a Beate Lønn, Bjorn Hølm, Ståle Aune e Katrine Bratt, os amigos de Harry, para encontrar o assassino antes que seja tarde demais.



Resenha:

Já faz muito tempo que carrego uma grande curiosidade em relação aos livros de Jo Nesbø, principalmente aos da série “Harry Hole”. Sempre lia as sinopses e ficava pensando no quanto eu iria adorar suas histórias, mas na correria do dia-a-dia, nunca tive a oportunidade de ler esse autor, e nem cheguei a comprar nenhum de seus livros.

Até agora pelo menos, quando recebemos o livro Polícia, o décimo livro da série. Acho que já falei em algumas resenhas que tenho um pouco de TOC e não gosto muito de ler séries fora de ordem, mesmo quando são histórias independentes. Mas nesse caso, a curiosidade falou mais alto, então me propus a conhecer o autor e seu personagem mais famoso, já no final de suas aventuras, e só posso dizer que valeu cada uma de suas 544 páginas!

Foi um pouco difícil me situar, conhecer os personagens que já fazem parte de todas as outras obras, mas apesar de ficar meio perdida às vezes, isso não afetou a história em si, mesmo sem saber os acontecimentos anteriores.

A essa altura do campeonato, Harry se aposentou da carreira de investigador, devido a fatos ocorridos anteriormente, (que você deve saber se leu Boneco de Neve) e está trabalhando como professor. Me incomodou um pouco o fato desse personagem, que deveria ser o protagonista, só aparecer lá pela metade do livro, mas acaba fazendo sentido depois. Até porque o autor começa descrevendo todo um contexto, apresentando personagens novos e antigos e criando o ambiente em que a trama irá se desenvolver.

Em resumo, tudo começa quando policiais começam a aparecer mortos em cenas de crimes que eles não conseguiram solucionar. Os membros da antiga equipe de Harry Hole se reúnem para investigar o caso, mas sentem que precisam da mente do policial especialista em assassinatos em série, que tenta ajudá-los como um tipo de consultor, mesmo sem se envolver completamente, a princípio. Mas desde o começo, sabemos que ele não vai aguentar se manter à distância por muito tempo. Sua equipe precisa dele.

Gostei bastante dos personagens, cada um com suas peculiaridades e especialidades que fazem com que sejam essenciais na resolução do caso. Mas obviamente (ou não), o que mais chamou minha atenção foi Ståle Aune, psicólogo que fez parte da equipe de Hole, mas assim como ele, afastou-se dos crimes, e segue apenas atendendo seus clientes em sua clínica, porém não é o lugar em que gostaria de estar.

“Ele sentia falta de ser o agente, aquele que intervém, aquele que salva o inocente do culpado, que faz o que mais ninguém podia fazer porque ele, Ståle Aune, era o melhor. Era simples assim. Sim, ele sentia falta de Harry Hole. Ele sentia falta do homem alto, carrancudo, bêbado, de coração grande, ao telefone, incentivando-o a cumprir seu dever cívico – ou melhor, ordenando que ele o fizesse –, exigindo que sacrificasse a vida em família e as noites de sono para pegar um dos marginais da sociedade. Só que não havia mais um inspetor na Divisão de Homicídios chamado Harry Hole, e nenhum dos outros tinha telefonado para ele.”

O primeiro suspeito a surgir durante a investigação chamava-se Valentin Gjertsen, que já era um nome ligado aos homicídios originais, que provavelmente tinham motivação sexual. Valentin havia sido acusado pela primeira vez aos 16 anos, sempre por crimes sexuais praticados contra homens, mulheres e crianças. Porém, ele estava morto. Ou não estava?

Dessa forma, a equipe começa a investigar os dois casos ao mesmo tempo. As mortes do passado, e as atuais, que aconteceram nos mesmos locais dos crimes não solucionados. Afinal, quem estava cometendo esses novos crimes deveria ter alguma ligação com os antigos. E o primeiro passo era descobrir como o assassino atraía suas vítimas para os locais dos crimes.

“Assassinos em série podem quebrar o padrão, se é o que você quer saber. Mas não acredito que isso seja obra de um imitador que decidiu continuar o trabalho do primeiro... hã... assassino de policiais. Como Harry costumava dizer, um assassino em série é uma baleia branca. Um assassino em série de policiais é uma baleia branca com pintas cor-de rosa. Não há dois.”

Foi maravilhoso acompanhar o funcionamento da mente de todos esses personagens inteligentíssimos, principalmente do protagonista, insubstituível e essencial para a equipe, que atua de forma completamente diferente com ele por perto.

Além da parte profissional, também podemos conhecer a vida pessoal de Harry Hole, os motivos que o levaram a abandonar o trabalho como inspetor, seus sentimentos mais profundos por sua família, suas angústias, além de sua esperteza quando pessoas tentam prejudicá-lo.

“Falavam sobre tudo, sem rodeios. Quase tudo. Harry nunca disse nada sobre o medo que sentia. O medo de prometer algo que ele não sabia se seria capaz de cumprir. O medo de não conseguir ser a pessoa que ele queria e precisava ser para eles. O medo de também não saber se aqueles dois poderiam ser isso para ele. O medo de não saber como alguém seria capaz de fazê-lo feliz.”


Não vou entrar muito em detalhes para não dar muitos spoilers, mas a trama é extremamente bem desenvolvida, a investigação é deliciosa de se acompanhar, e as pontas soltas vão se unindo de forma magistral até o final do livro. Estou encantada com a escrita de Jo Nesbø e não vejo a hora de ler todos os outros da série, e quem sabe, ler Polícia novamente, quando chegar sua vez.

Seja o primeiro a comentar!

Postar um comentário

É um imenso prazer receber seu comentário. Seja sempre bem-vindo aqui.