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6.2.18

{Resenha} Virando o Jogo do Amor

Autora: Jenny Rugeroni
Editora: Garcia edizioni
Sinopse: “As feministas pregam que os homens amam as mulheres poderosas. Algumas religiões afirmam que a mulher agrada ao homem sendo submissa e fazendo todas as vontades dele. Há muitas teorias sobre como enlouquecer um homem na cama. As revistas femininas nos ensinam exatamente o que vestir e quais produtos usar para nos tornarmos irresistíveis. E ficamos tão perdidas quanto antes. Será que todo o mundo está certo? Ou será que todo o mundo está errado?
Na verdade, essas orientações podem servir para algumas pessoas, em algumas situações. Mas nenhuma delas está totalmente certa.
Existe uma maneira mais fácil e mais segura de construir um relacionamento feliz e duradouro.
Se você está sozinha, não encontra ninguém, ou aquilo que encontra não corresponde a suas expectativas, este livro irá te ajudar a se tornar mais atraente aos olhos dos homens que realmente têm algo a acrescentar em sua vida.
Se você está num relacionamento, mas não se sente suficientemente amada, este livro irá te mostrar como virar o jogo rapidamente, fazendo com que esse homem a veja como a mulher de sua vida.
Você será capaz de despertar amor, independente de sua idade, aparência ou situação financeira. E descobrirá que nenhum desses fatores é impedimento quando o assunto é paixão.”

Então, recebi este livro em parceria com a autora na Feira do Livro aqui do município. Quando ela me explicou um pouco sobre a obra, me vi interessada na história que ele poderia conter. 

Jenny Rugeroni diz que tem experiência em relacionamentos e guarda uma chave para o amor. Faz uso de um conto que escreveu para ilustrar suas explicações e opiniões acerca do relacionamento de Aline: uma mulher que separou-se recentemente do marido que, depois de tantos anos de casamento, descobriu da pior maneira que ele estava mantendo o relacionamento com outra mulher.

Não vemos muito do conto em si, acredito. O que via nas páginas, conforme ia andando com a leitura, foi criando um sentimento de indignação. Mas calma, vou explicar. 

A autora começa bem, dizendo que o comportamento autêntico é o que faz uma relação ser duradoura. Autêntico, por você ser de verdade aquilo que você é e não criando um comportamento apenas para agradar as pessoas – ainda mais o seu alvo de afeto.

Mas aí ela já nos apresenta um argumento:
“Se você está sozinha, não encontra ninguém, ou aquilo que encontra não corresponde as suas expectativas, este livro irá te ajudar a se tornar mais atraente aos olhos dos homens que realmente tem algo a acrescentar em sua vida.
Se você está num relacionamento, mas não se sente suficientemente amada, este livro irá te mostrar como virar o jogo rapidamente, fazendo com que esse homem a veja como a mulher de sua vida. Ele perceberá em você muito mais valor do que qualquer outra que ele conheça lá fora.
E se isso não acontecer, se ele for um desses homens incapazes de amar (acredite me mim, são a exceções e não a regra!) você terá condições de perceber logo e seguir em frente, buscando alguém que realmente te faça feliz.”
O trecho vai mais distante, nos dizendo que com as dicas que o livro contém, o homem passará a desejar um relacionamento profundo, poderá mudar.

Para mim, se o cara logo de início já se mostra incompatível com minha autenticidade, para que iriei insistir? Não quero ser mais atraente, mudar meu jeito para que as pessoas gostem de mim (homens ou mulheres), quero que gostem de mim pelo que eu sou. E acho que você que está lendo a resenha também deseja o mesmo, não é? É claro que se você tem um caráter ruim e deseja mudar, mude. Se você não tem um caráter ruim e não quer mudar, não mude. Se você se sente feliz como é, para que mudar, gente? <o> Seja feliz em sua própria pele, que as pessoas irão se atrair por você.

Tá, vamos continuar. Ela nos leva a refletir: “Afinal, o que querem os homens?” e dá início ao conto, com Aline conversando com sua terapeuta a respeito da traição do marido e como se sente. Como aconteceu aquilo em seu casamento, tentando justificar a traição do marido quase culpando a si mesma, embora atribua uma pequena parcela ao marido. Como se ela tivesse deixado esquecida a parte que o fez apaixonar-se por ela... E encontrou em outra a novidade, uma nova paixão. 

Segue dizendo que o problema entre homens e mulheres é a falta de comunicação (isso depois de julgar que a maioria das mulheres vê coisas negativas em homens: frios, distantes, só querem se divertir, que “com tanto sexo fácil disponível, ninguém quer compromisso.”). Concordo que falta de comunicação é um grande problema nas relações atuais: se você não comunica à pessoa o que espera dela, como ela pode saber de fato o que você espera? 

O livro é voltado ao público feminino, então... Todas as reações que ela cita são a partir da visão feminina da relação. Sobre a comunicação, ela diz que a mulher espera que o homem a ama como de maneira adequada a ela. Que esperamos atitudes pré-determinadas do homem. A autora, com suas palavras, faz exatamente isso: julga comportamentos da mulher e dá resposta a eles como ela pode ser melhor que aquilo. 
“Será que os homens são mesmo todos iguais?
Ou somos nós que caminhamos em círculos, cometendo sempre os mesmos erros?”
Pelo que eu entendi, tudo está no modo como a mulher se comporta no relacionamento. Se faz tudo para agradar o homem, ele não quer um capacho então vai embora. Se faz o papel de companheira exemplar, escondendo como realmente se sente, ele vai embora (ao invés de tentar conversar... Mas é claro, lembre-se: autenticidade sempre!). Ela fecha o argumento dizendo que o homem precisa saber que faz a mulher feliz... Mas isso é meio óbvio, né? Enfim.

Prossegue refletindo com o feminino nos dias de hoje, dando continuidade a história de Aline, que tenta sobreviver sem Marcelo, o marido e se encontra perdida, sem rumo e felicidade sem ele. Assume sua parcela de culpa, refletindo que sabia que o marido estaria lá, mesmo que ela fosse uma mulher muito ocupada e centrada no trabalho, “certa de que ele nunca iria embora”. E não é o que se espera? Que, mesmo que você esteja passando por uma fase tensa no trabalho, com os filhos ou seja lá o que for... que a pessoa que você ama e que te ama de volta, estará ali como seu porto seguro? É coisa da minha cabeça? 

Ela traz a reflexão das responsabilidades da vida atual das mulheres: mães, donas de casa, trabalhadoras fora de casa e o quanto isso é conflitante. Que, mesmo que a mulher hoje tenha as mesmas qualificações que um homem no trabalho, ela ainda ganha menos (verdade em muitos casos) e que ainda tem que ser melhor, pois ser mulher já é uma “desvantagem”. Diz que a mulher perdeu-se em si mesma e que confundimos direitos iguais precisamos ser iguais aos homens: objetivas e negando sentimentos. Que precisamos entender que há espaço para a sensibilidade feminina em qualquer lugar, “E as relações de trabalho tendem a melhorar quando nos damos conta de que, ao invés de competir com os homens, estamos aqui para somar.”

Entendo que precisamos ser competitivas não porque quem está do outro lado é um homem: mas sim porque o mercado em si é competitivo e todos precisam sempre dar seu melhor, independente do gênero o qual ele coloca no mundo. 

E nisto tudo que já conversamos, ainda estou na página 26 do livro! Os argumentos e dicas da autora vão só piorando, desde a aparência (aqui até que concordei um pouco, ela diz sobre o padrão de mulher midiático e que nem sempre é isso que atrai os homens, que devemos nos sentir bem e fazer coisas que não agridam a natureza de nossos corpos). Passa sobre o que é ser feminina (sintonia com emoções, aceitar a fragilidade e ser quem se é. Eu não sou frágil, e vocês?); sobre manter-se calma e serena num conflito, deixando o homem falar (se o cara grita comigo, eu grito de volta. Ninguém grita comigo. Hunf.), evitar acusações diretas, deixa-lo olhar outras mulheres, pois é instintivo do homem... Que a mulher não deve aceitar transar no primeiro encontro, pois isso acaba com o mistério... 

E Aline? Fica toda resolvida, segue a vida sem o Marcelo...?

Se quiserem saber a resposta, embora eu acredite que vocês já devam imaginar, coloquem nos comentários que conto, hehe.

Então, acredito também que já imaginem minha opinião sobre essa leitura. Eu não imaginava que ia encontrar tanta coisa absurda nessas páginas, até meu marido ficou revoltado com as dicas que ela dá para a mulherada e queria jogar o livro pela janela, huahuhauha! Como eu disse, tem coisas que dá para pensar sobre, sobre sentir-se bem com seu companheiro, ser verdadeira e que a comunicação é a base de tudo. É todo o resto que me deixou boquiaberta, sabe. Pensando se a autora realmente acredita nas coisas que escreveu...

Enfim... o livro é pequeno, não chega a 100 páginas. A diagramação é boa, os trechos de conto são em itálico, então dá para diferenciar bem da discussão em si, a fonte tem tamanho médio. As páginas são amareladas e de toque suave, o que facilitou bem a leitura. 


Infelizmente, não é meu tipo de livro, discordei em várias partes, como podem notar... Mas acredito que tenha pessoas que gostam do gênero.

~Cedido em parceria com a autora ~

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