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1.3.18

{Resenha} Carbono Alterado



Título Original: Altered Carbon
Autor: Richard Morgan
Editora: Bertrand Brasil
Sinopse: Um eletrizante thriller noir de ficção científica em adaptação para série do Netflix No século XXV, a consciência de uma pessoa pode ser armazenada em um cartucho na base do cérebro e baixada para um novo corpo quando o atual para de funcionar. A morte, agora, nada mais é que um contratempo inconveniente, uma falha no programa. Takeshi Kovacs, um ex-militar de elite, após sua última morte, tem sua consciência transportada a Bay City, a antiga São Francisco, e é trazido de volta à vida para solucionar o assassinato de um magnata. Isso só para descobrir que seu contratante é a própria vítima, que voltou à vida em um novo corpo, mas sem as memórias do crime. Mal sabe Kovacs, porém, que essa investigação irá lançá-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.
Você é um cara de sorte, Kovacs. Claro. A 148 anos-luz de casa, vestindo o corpo de outro homem num acordo de aluguel de seis semanas. Fretado até ali para fazer o serviço que a policial local não queria tocar nem com um cassetete. Qualquer fracasso me botaria de volta ao armazenamento. Eu me senti tão sortudo que quase comecei a cantar ao sair pela porta.”
A humanidade avançou o suficiente para existir entre os humanos aqueles que já podem ser declarados “imortais”. A tecnologia existente de carbono alterado permite que sua consciência seja armazenada numa pequena peça existente em sua nuca, entre os ossos da vértebra. Ali está tudo o que é você é e que pode ser removido; retirado e colocado em outro corpo – que gentilmente chamam de capa – para continuar seguindo com sua vida como se seu corpo anterior não tivesse falhado.
É claro, a troca de corpos não é uma tecnologia acessível a todos e é usada de modo muito mais sinistro – senão não seria algo humano, não é mesmo? – pois uma vez que não há mais mortes, as pessoas que não tem condições de bancar uma capa são armazenadas. Ou seja, suas cápsulas ficam guardadas pelo governo até o dia em que alguém possa retirá-la.

No caso de crimes, as pessoas que burlaram as leis também são armazenadas de acordo com seus crimes, com penas que podem durar centenas de anos. Seus corpos originais não duram tudo isso, então o governo os “aluga” para pessoas que tenham interesse, até a capa se deteriorar ou seu dono legítimo ser capaz de tê-la de volta – isso se ela já não estiver em uso, obviamente.
Essa é a realidade humana criada pelo autor Richard Morgan, em seu livro de estreia e já adaptado para uma série do serviço de streaming Netflix.

Takeshi Kovacs (o “cs” tem som de “tch”, okw ele faz questão da pronúncia correta de seu nome!) é um ex- Emissário: uma espécie de mercenário que possui modificações corporais para se tornar incrivelmente letal. Porém, após uma missão desumana, ele decide seguir por outros caminhos e acaba sendo preso após um crime fatal. Seu armazenamento já corria por 150 anos quando foi trazido a um planeta que nunca havia conhecido – a Terra – para resolver um crime que a polícia já fechou.
Kovacs nasceu no Mundo de Harlan, cresceu numa cidade chamada Porto Fabril: uma infância difícil com um pai violento que ele se nega a lembrar desse modo. Nunca havia estado na Terra e agora está em Bay City graças a Laurens Bancroft: um matusa.

Matusas são pessoas ricas o suficiente para se encapar sempre que desejar. E Laurens particularmente é capaz disso.

Mas enfim, Laurens contrata os serviços de Kovacs para descobrir quem foi seu assassino, uma vez que ele não acredita no veredicto da polícia de que ele tenha se suicidado. Confuso? Vou explicar: lembra que você pode ter capas? Então, a capa anterior de Bancroft morreu de modos misteriosos e ele não consegue se lembrar do que aconteceu, uma vez que sua última memória armazenada em seu cartucho é de 48 horas atrás. Cabe ao nosso mercenário descobrir o que aconteceu, uma vez que não lhe sobram alternativas a não seguir com o ordenado.
Ele acredita precisar agir sozinho, porém a polícia de Bay City está determinada a entrar em seu caminho. A Tenente Ortega irá se certificar de seguir todos os passos do criminoso com um interesse bem próximo.
“ – Uma arma é uma ferramenta – repetiu ela, um pouco sem fôlego.  – Uma ferramenta de morte e destruição. E haverá momentos quando, como Emissários, vocês terão que matar e destruir. Então, vocês escolherão e se equiparão com as ferramentas que forem necessárias. Mas lembrem-se da fraqueza das armas. Elas são uma extensão; vocês são os matadores e destruidores. Vocês são inteiros, com ou sem elas.”
Há muita coisa que te coloca para pensar no decorrer da história. Desde as Inteligências Artificiais que se tornaram conscientes e dominam muitas das coisas, ao que é que nos torna humanos, se é nossa mortalidade, se é a imortalidade, se são nossos desejos e autoconhecimento. Há também uma forte questão de desigualdade social: quem não consegue pagar por uma capa, simplesmente morre?
E o ponto central para mim do livro foi o machismo imposto por alguns personagens. Calma que vou explicar, huahuauha!

Olha, Bancroft é casado com a mesma mulher há duas centenas de anos. Como é que fica uma relação com uma pessoa durante tantos anos...? Em meus estudos da faculdade vimos casos de que um homem pode acabar meio que “idolatrando” sua mulher após ela ter filhos, não sendo capaz de ver nela uma mulher com desejos sexuais também. Que numa relação cúmplice, certas coisas você teria liberdade de perguntar... mas e quando já estão juntos há tantos séculos que já não sabem mais como conversar? Aí a coisa acaba complicando.

Mas uma parte que me incomodou muito foi o tanto de peitos femininos subindo e pulando que foi descrito na história. Bem como também que quando um homem precisa ser torturado, o colocam no corpo de uma mulher franzina. Tipo... Eu entendo que dá mais impacto, mas achei bem desnecessário.

Admito que Carbono Alterado não é muito o estilo de leitura que costumo consumir, então para mim a experiência foi bastante lenta e arrastada. Os personagens não me cativaram muito, gostei mais do vilão no final. O achei melhor construído que os personagens principais que pareceram existir apenas para o uso do Kovacs. Não vimos toda a história de Ortega, o que eu gostaria muito, tanto do futuro quanto do passado. Como disse, as personagens femininas só existem para servir o personagem principal.

A Netflix lançou a série agora no dia 2 de fevereiro, eu assisti só o primeiro episódio até agora e já percebi algumas várias mudanças em comparação ao livro. Se eu continuar assistindo, conto aqui para vocês como foi!

1 comentários:

  1. uma premissa interessante, mas que não me atraiu pelo enredo mesmo que não é o que venho buscando nas minhas leituras

    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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