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5.3.18

{Resenha} A mãe de todas as perguntas


Autora: Rebecca Solnit
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Rebecca Solnit é hoje uma das principais pensadoras do feminismo contemporâneo. Autora do famoso ensaio que deu origem ao termo mansplaining, que veio revolucionar o vocabulário das discussões sobre gênero, sua obra é leitura obrigatória tanto para as pessoas mais experimentadas no tema quanto para aqueles que desejam se iniciar em um dos principais debates da sociedade atual. Em A mãe de todas as perguntas, Solnit parte das ideias centrais de maternidade e silenciamento feminino para tecer comentários indispensáveis sobre diferentes temas do feminismo: misoginia, violência contra a mulher, fragilidade masculina, o histórico recente de piadas sobre estupro e outros mais. Cristalinos e contundentes, seus ensaios devolvem ao tema toda a gravidade ele merece, sem abrir mão da poesia e do humor característicos de sua escrita.

Começo dizendo que esta foi uma leitura beeem demorada, tanto pela densidade do tema quanto por ser um tipo de livro que não faz parte do meu cotidiano - meu negócio é romance, baby. A Mãe de Todas as Perguntas foi meu primeiro livro dissertando sobre o feminismo de maneira direta e clara e também se mostrou um verdadeiro tapa na cara. Não encontro outra maneira de descrever como esse livro abriu meus olhos e mostrou que INÚMERAS (ênfase nisso) situações que encaramos com naturalidade no nosso dia-a-dia são tudo, exceto naturais. Um jornalista perguntar se uma autora pretende ter filhos? Um homem assobiar para uma mulher que caminha livremente na rua? Uma garota ser repreendida por usar saia curta e "instigar" os homens? Não, isso não é nem um pouco natural.

O livro traz um apunhado de acontecimentos históricos e novas visões sobre o feminismo. Num primeiro momento, fala sobre o "Silêncio" que confinou as mulheres por décadas e décadas - seja em seu próprio lar, durante uma discussão, seja na rua, tendo que fingir que não foi estuprada para não sofrer com o preconceito. Rebecca também disserta sobre quando o silêncio foi sendo quebrado e novas lutas surgiram - a busca por igualdade salarial, uma sociedade patriarcal a ser desconstruída e remoldada. Obviamente esse é o momento mais crítico: é preciso refletir, repensar, refazer toda uma cultura machista que têm mais anos do que podemos contar. E para que possamos fazer isso, é necessário estarmos conscientes - sendo assim, Rebecca Solnit fez seu trabalho brilhantemente com este livro.

Como nem tudo são flores, sempre torço o nariz pra alguma besteirinha. E a besteirinha que me incomodou durante a leitura foi o rebuscamento exagerado do vocabulário. Talvez por querer reforçar que o assunto merece ser tratado com sobriedade e atenção, a autora se visse na obrigação de usar termos mais técnicos, mais "sérios". Se for essa a explicação, compreendo mas não aceito, haha. Acho que quem compra esse tipo de livro não precisa ser convencido da ideia de que o feminismo não é frescura. Entretanto, esse pequeno incômodo passou quase despercebido, já que Rebecca Solnit nos envolve em sua narrativa intensa e, ao mesmo tempo, bem-humorada, sem dar chance para que qualquer minuto seja perdido com minhas neuras (porque eu acho que essa implicância com o vocabulário é neura minha, haha).

Em suma, gostei do livro sim, mas acho que fiz uma escolha equivocada ao elegê-lo minha primeira leitura sobre feminismo. Obviamente, a leitura traz reflexões totalmente pertinentes, mas a densidade da abordagem é demais para uma primeira vez. Quem sabe relê-lo no futuro me traga uma visão diferente (e melhor!) sobre a Mãe de Todas as Perguntas.

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