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2.4.18

{Resenha} Ela não é invisível


Título Original: She is not invisible
Autor: Marcus Sedgwick
Editora: Galera Record
Sinopse: Laureth é uma adolescente cega de 16 anos, e seu pai é um autor conhecido por escrever livros divertidos. De uns tempos pra cá, ele trabalha em uma obra sobre coincidências, mas nunca consegue termina-la. Sua esposa acha que ele está obcecado e prestes a ter um ataque de nervos. Laureth sabe que o casamento dos pais vai de mal a pior quando, de repente, seu pai desaparece em uma viagem para a Áustria e seu caderno de anotações é encontrado misteriosamente em Nova York.

Convencida de que algo muito errado está acontecendo, ela toma uma decisão impulsiva e perigosa: rouba o cartão de crédito da mãe, sequestra o irmão mais novo e entra em um avião rumo a Nova York para procurar o pai. Mas a cidade grande guarda muitos perigos para uma jovem cega e seu irmãozinho de 7 anos.

Me atraí por esse livro por causa da capa: tons de azul, a bela silhueta de uma jovem em pose reflexiva, a disposição das letras. Não houve uma coisa na capa que não gostei. E o mesmo posso dizer da história, que li vorazmente durante uma viagem que fiz à Belo Horizonte - MG (são oito horas de viagem da cidade em que moro até a cidade-objetivo).

O livro é repleto de reflexões que também lhe fazem refletir. Apesar de jovem, Laureth Peak já experimentou mais coisas do que muitas pessoas na mesma idade. Não apenas o fato dela ser cega desde seu nascimento, mas o modo como ela aprendeu a pensar acerca disso. O que nos leva a pensar também o quanto julgamos pessoas incapazes por terem algum tipo de deficiências, o quanto as pessoas olham penalizadas para um deficiente físico e muitas vezes agem como se o mesmo tivesse muitas vezes algum transtorno cognitivo também. Ela relata o quanto se sentia invisível quando as pessoas se dirigiam à sua mãe para saber sobre seus gostos ou o que ela queria e não à ela (Laureth) mesma.


Tem muita gente (como os esportistas) por aí, muita gente realmente boa no que gosta de fazer que você até esquece que elas não enxergam, ou não tem uma mão ou um braço ou uma perna.

E nossa jovem protagonista prova isso para todos quando consegue passar de um país a outro sem ninguém perceber ou dar atenção maior à sua deficiência, pois isso poderia significar o fim de sua empreitada. Ela e Benjamin, seu irmão de sete anos, tomam em suas mãos a busca pelo pai desaparecido, uma vez que sua mãe parece não se importar muito com esse fato. O que a leva a pensar “n” razões justificando a falta de interesse da mãe. Uma delas é o quanto a culpa pode arremeter nos filhos de casais que se separam por exemplo; a falta de observação, a raiva, o egoísmo... O “E se...”.

O livro também nos faz pensar o quanto nossas obsessões podem nos cegar. Quando “enfiamos” uma coisa em nossas cabeças, é difícil pensar o contrário e geralmente só depois de apanhar muito da vida aprendemos a ver as coisas sob outro olhar. Ela precisou sentir uma enorme culpa para pensar que talvez tenha tomado a atitude errada, que talvez seguir seus instintos possam colocar muita coisa em risco, se não analisar bem as consequências.

O livro nos traz a apresentação de muitas teorias interessantes, autores como Jung e Poe são muito citados no livro todo. Mostra a teoria conhecida como Sincronicidade e como vários outros autores escreveram sobre ela, sob nomenclaturas diferentes. Torna muito interessante e de um jeito simples, de modo que até Benjamin pôde entender um pouco sobre o que seu pai escrevia.

E o próprio Benjamin é uma peça à parte. Um menininho maduro que tenta apoiar a irmã a todo instante, tão sério que às vezes nos faz até esquecer que é só uma criança de sete anos. Ele também tem uma característica própria, assunto também tratado em teoria no livro, mas prefiro deixar para vocês descobrirem por si mesmos o que é!

Eu amei a leitura, possui um final lindo que prova que momentos de tormenta só servem para fortalecer os laços com quem amamos, se for esse o caminho que se decida seguir.

Recomendadíssimo!

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