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20.4.18

{Resenha} A mulher na janela

Título Original: The woman in the window
Autor: A. J. Finn
Editora: Arqueiro
Sinopse: Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos.
Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir.
Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle?
Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. A mulher na janela é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.
Agorafobia é uma perturbação de ansiedade caracterizada por sintomas de ansiedade em situações que a pessoa percepciona como inseguras ou das quais é difícil sair. Entre estas situações estão espaços abertos, tráfego viário, centros comerciais ou simplesmente qualquer situação em que a pessoa se encontre fora do local de residência. - Wikipedia
Imagine a cena: Uma mulher em seus quase 40 anos, pálida e ligeiramente desgrenhada, com uma câmera nas mãos. Ela olha pela janela, focando sua lente em pessoas que passam pela rua. E, você, de sua casa, também a olha pela janela... E, de repente, você é o foco de interesse, a foto mais recente. 

Anna Fox é uma psicóloga, já não mais tão de sucesso - embora ela possa lhe dizer o contrário, às vezes, pois ajuda as pessoas em um fórum online com a mesma patologia que ela: agorafobia. Ela os aconselha e sente-se bem com isso, embora não consiga sequer ajudar a si mesma. Além da agorafobia, provavelmente está em depressão, pois não consegue realizar os cuidados básicos consigo mesma e tem, cada dia mais, ingerido mais álcool.

Suas únicas distrações são espionar os vizinhos, jogar xadrez online e assistir filmes em preto e branco, pelos quais é apaixonada. Realiza várias citações deles em suas conversas consigo mesma e até identifica cenas de sua vida que foram parecidas com as dos filmes, citando frases ao longo de suas conversas e pensamentos. 

Sua rotina mudou um pouco após a mudança dos novos vizinhos, os Russells. Alistair é o pai, parece ser um cara de negócios. Jane Russell é a mãe, uma pessoa calorosa e que ama o filho. Alistair é frio e distante, o marido empresário de sucesso; e Ethan é o filho adolescente que sente saudade da cidade onde vivia antes, especialmente de seus amigos. 

Após a separação, a amizade com o ex-marido continuou. Conversam todas as noites e ele lhe sugeriu há dois meses que aceitasse um inquilino para morar em seu porão, alguém que estivesse disposto a lhe ajudar na manutenção de casa. Então temos também David na história, o bonitão misterioso e solícito. 

Uma vez por semana ela conversa com seu psiquiatra e faz fisioterapia, pois sofreu um acidente há alguns meses. Ambos os atendimentos são em sua residência. Nossa protagonista não segue muito bem o tratamento, tem feito uso de álcool junto com seu medicamento e, para "ajudar", não o toma regularmente.

Um dia, após algumas taças de vinho, ela decide dar uma espiada nos vizinhos e algo a faz deixar sua casa. Como resultado, ela acaba por acordar no hospital e com policiais em seu quarto querendo saber o que aconteceu.

Mas o mais grave é: todos duvidam do que ela está dizendo. Inclusive ela mesma. Afinal, é bem possível que ela estivesse sonhando, não é?

Sua história é um mistério completo. Muitas coisas me pegaram de surpresa, outras nem tanto. Eu já imaginava como as coisas poderiam acontecer e talz... Mas numa coisa, num único detalhe, o autor conseguiu me fazer recuar de surpresa! Sério, algo que eu nunca imaginei e nem havia indícios! Fiquei boba!


Finn consegue te envolver na trama, te fazer pensar e se colocar no lugar da Anna. O que você faria se aquilo acontecesse com você? Se toda a interação social que você conseguisse ter fosse através de telefones e internet? Com todas as pessoas que você ama longe de você, todas as pessoas do local onde você mora te achando uma louca desvairada, sem nenhuma credibilidade? É muita solidão...

Só resta a Anna provar sua sanidade, embora ela não saiba como. Como sair para investigar, se sair é a parte mais difícil?

Gostei muito da escrita do autor, o modo simples de contar a história e também toda a personalidade que ele criou para a Anna. Acredito que ele precisou investigar bastante para escrever seu primeiro romance, embora... Meu eu psicóloga tenha ficado um pouquinho brava pelo desvio na ética da profissão. Você não pode dar consultas online sem o devido registro e preparo e muito menos em um fórum. Muito menos quando você mesma não está seguindo seu próprio tratamento e enganando a si mesma e aqueles que acreditam em suas capacidades. 

A capa traz a lembrança da cortina em relevo na janela e alguém espiando através dela. A diagramação é simples, páginas amareladas. Qualidade Arqueiro, como sempre. 

Como já disse, temos no decorrer do livro várias indicações de filmes noir e em preto e branco, Anna os recomenda!

A mulher na janela é um livro imperdível para os amantes do suspense, que te mantém espiando através do véu da janela o tempo todo. 

A Editora Arqueiro preparou um site de apresenação, cliquem para conhecer bem aqui.

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