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25.4.18

{Resenha} O homem que buscava sua sombra



Autor: David Lagercrantz
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Sinopse: A garota com a tatuagem do dragão está passando um tempo atrás das grades. Ela fará o possível para evitar qualquer contato ou conflito com as outras detentas, mas logo se vê impelida a defender a jovem muçulmana que ocupa a cela vizinha, despertando assim a fúria de Benito, líder sanguinária da gangue que domina o pavilhão. Este, porém, é o menor de seus problemas. Holger Palmgren, antigo tutor de Lisbeth, lhe conta que recebeu novas informações sobre os abusos que ela sofreu na infância. Mesmo sem ter acesso ao mundo exterior, a hacker dá um jeito de descobrir mais sobre esse mistério e, com a ajuda do jornalista Mikael Blomkvist, inicia uma investigação que poderá expor uma das experiências pseudocientíficas mais terríveis na Suécia no século XX. As pistas os levam a Leo Mannheimer, rapaz, bem-nascido e sócio de uma corretora de valores, com que Lisbeth tem muito mais em comum do que poderia imaginar.


Expectativas. Aquela palavrinha que cansamos de ouvir que não devemos criar, mas que muitas vezes não conseguimos controlar. Constantemente teimamos em esperar demais de algo e nos decepcionamos.

Como grande fã da série, esperava uma história incrivelmente bem escrita, bem desenvolvida e surpreendente, e apesar de não ser de maneira alguma um livro ruim, não foi o que encontrei. Nesse volume foi possível conhecer um pouquinho mais da história de Lisbeth Salander, seu passado, e os fatos que a ajudaram a ser quem ela é.

Lisbeth, essa personagem maravilhosa, não chama tanto a atenção como nos outros livros, mas ainda assim tem algumas atitudes condizentes com sua personalidade explosiva. A protagonista se encontra na prisão, onde queria manter-se fora dos radares, mas acaba não suportando ver sua vizinha de cela ser espancada com frequência e decide que precisa defendê-la.

Faria Kazi é uma jovem muçulmana que foi presa por ter matado seu irmão, motivo pelo qual Lisbeth pede para que sua advogada Annika Giannini também a defenda, já que Faria não apresentava nenhum traço de agressividade ou violência que justificasse tal ação. Faria se tornou o saco de pancadas preferido de Benito Andersson, a personificação do bullying no ambiente carcerário, que ameaçava as outras detentas com seus famosos punhais, Kris e Keris.
“Benito nascera Beatrice e havia adotado esse outro nome em homenagem ao fascista italiano. Apesar da suástica tatuada no pescoço, do cabelo raspado e de seu rosto pálido, ela não era uma visão assustadora.”
Holger Palmgren, ex-tutor de Lisbeth, encontrou novas informações sobre seu passado e sua infância, envolvendo pesquisas científicas com crianças gêmeas. (Lembrando aqui que Lisbeth tem uma irmã gêmea, Camilla, de quem ela mantém distância). A investigação de Holger não termina muito bem para ele, que acaba sendo assassinado.

Durante suas investigações, de dentro da prisão, Lisbeth conta com a ajuda de Alvar Olsen, o chefe de segurança daquele pavilhão. Ele estava fazendo alguns testes com Lisbeth, para avaliar seu Q.I., e ela se aproveitou disso para “convencê-lo” (de forma bastante persuasiva) a emprestar um computador com internet a ela, com a promessa de que o ajudaria a pôr ordem no lugar, e em Benito, que o manipulava ameaçando sua filha.
“Agora Lisbeth está isolada e sendo vista com enorme desconfiança. É fato que muitas coisas jogam a favor dela. Por exemplo, ninguém imagina que uma garota tão pequena como ela pudesse desferir um golpe tão brutal como o que Benito recebeu. Ninguém entende também por que Alvar Olsen assumiria a culpa e receberia o apoio de Faria Kazi se não fosse ele o agressor.”
Claro que Mikael Blomkvist tem uma grande participação na história e na vida de Lisbeth. Ele a visita semanalmente na prisão, e cede ao pedido feito por ela para investigar um certo Leo Mannheimer, que apareceu em suas pesquisas e que poderia ter novas informações que ela desconhece.

Leo é sócio de uma corretora de valores, tem muito dinheiro e sofre de hiperacusia, uma hipersensibilidade auditiva, que apesar dos transtornos, também fez com que ele tivesse um talento nato para a música. (Alguma relação com o super Q.I. da nossa protagonista?) Ao mesmo tempo, Leo descobre que também tem um irmão gêmeo, que se junta a ele na busca por respostas, sobre os motivos pelos quais foram separados na infância e porque tiveram criações e oportunidades tão diferentes.
“Acreditava-se que certos ambientes ou tipos de criação seriam, via de regra, capazes de produzir indivíduos especiais, e muitos sonhavam em confirmar essa crença de maneira científica, e assim talvez descobrir a fórmula de como tornar as pessoas melhores e mais felizes. Essa tinha sido uma das razões por que tantas pesquisas com gêmeos foram realizadas naquela época, muitas das quais descritas de modo evasivo por Hilda von Katenborg como “deliberadas e radicais”.
O enredo é realmente interessante, várias explicações são dadas sobre a vida de Lisbeth e dos outros personagens de seu passado, e inclusive nesse volume podemos compreender os motivos que a levaram a fazer a famosa tatuagem de dragão. Mas infelizmente, a escrita não me prendeu.

Eu entendo a necessidade de outro autor continuar a saga começada por Stieg Larsson, e confesso que eu mesma fiquei empolgadíssima com essa nova trilogia, tanto que criei inúmeras expectativas. O primeiro volume escrito por David Lagercrantz conseguiu me prender o suficiente para acreditar no sucesso das continuações.

Esse segundo, como disse desde o início, não foi um livro ruim. Apenas não conseguiu atingir o nível extraordinário de suspense e ótima escrita do autor original da série. David pecou também nas atitudes de Lisbeth, que poucas vezes demonstraram sua personalidade impulsiva e inconsequente, mostrando uma personagem bem mais contida do que nos livros originais. No fim, só espero que o último livro me surpreenda positivamente, como o primeiro conseguiu fazer. Vamos torcer!


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