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30.7.18

{Resenha} O que o sol faz com as flores


Autora: Rupi Kaur
Editora: Planeta
Sinopse: o que o sol faz com as flores é uma coletânea de poemas arrebatadores sobre crescimento e cura. ancestralidade e honrar as raízes. expatriação e o amadurecimento até encontrar um lar dentro de você. Organizado em cinco partes e ilustrado por Rupi Kaur, o livro percorre uma extraordinária jornada dividida em murchar, cair, enraizar, crescer, florescer. uma celebração do amor em todas as suas formas.





Bem, poemas não são meu xodó na literatura. Poucos são os livros de poesia que li, pouquíssimos são os que gostei. É bom saber que O que o sol faz com as flores me conquistou e conseguiu ficar entre os pouquíssimos. Comecei a leitura desacreditada, achando que tinha feito uma péssima escolha. Cada poema de 2-4 linhas eu já fazia um "ahmôdeus... 250 páginas com 3 linhas cada, se juntar num dá uma página" (deu pra perceber que não gosto de poemas curtos. MAS, lendo essa obra de Rupi Kaur, descobri que não gosto de poemas curtos que não me toquem, que não me atinjam! O que o sol faz com as flores fala sobre representatividade, feminismo, assédio, xenofobia, amor próprio, desilusões. É impossível não me tocar. Fiquei maravilhada com a quantidade de força que ela conseguia colocar em 3 míseras linhas. Fiquei maravilhada com esse livro. Fiquei maravilhada com Rupi Kaur e seu talento.

O livro é dividido em cinco partes: murchar, cair, enraizar, crescer e florescer, com poemas que traduzem o sentimento de cada um dos temas. A grande maioria dos poemas são curtos mas alguns dos textos (os mais profundos, para mim) possuem páginas de duração. São sempre escritos em letra minúscula (estilo próprio da autora que eu particularmente amei) e alguns trazem ilustração consigo. 


É necessário conhecer o mínimo sobre o passado da autora para entender melhor o sentimento por trás de alguns de seus poemas, principalmente na seção enraizar, onde ela aborda o sentimento de estrangeirismo e a sensação de "não-pertencer" que aqueles que deixam sua terra sempre sentem. Entretanto, em sua maior parte, os poemas abordam temas e sentimentos palpáveis a qualquer pessoa, além de tocar em temas polêmicos como estupro e bullying.

Fico sem saber como descrever esse livro e como me apaixonei por ele. Deixarei aqui alguns dos poemas que mais gostei (um por seção pra ajudar a entender!) e espero que vocês também sejam tocados por eles. Abraços!

Parte I - murchar

não é o que deixamos para trás
que me destrói
é o que podíamos ter construído
se ficássemos

Parte II - cair

quando o mundo desaba a seus pés
não tem prolema deixar que as pessoas
ajudem a recolher os pedaços
se estamos presentes para partilhar a plenitude
quando o momento é próspero
somos mais do que capazes
de compartilhar seu sofrimento
- comunidade

Parte III - enraizar

minha voz
é o fruto
de dois países num encontro
por que eu teria vergonha
se o inglês
e minha língua-mãe
fizeram amor
minha voz
tem as palavras do pai
e o sotaque da mãe
o que tem de errado
se minha boca leva dois mundos
- sotaque

Parte IV - crescer

hoje cedo
contei para as flores
o que eu faria por você
e elas se abriram

Parte V - florescer

me levanto
sobre o sacrifício
de um milhão de mulheres que vieram antes
e penso
o que é que eu faço
para tornar essa montanha mais alta
para que as mulheres que vierem depois de mim
possam ver além
- legado

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