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8.8.18

{Resenha} Graça e Fúria


Título Original: Grace and Fury
Autora: Tracy Banghart
Editora: Seguinte
Sinopse: Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro.
Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes.
Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar.


Nervoso. É uma palavra que define bem o que eu senti lendo Graça e Fúria, huahuahuha!

Sério! Acho que fazia tempo que eu não passava tanto nervoso com uma leitura! Mas vamos lá, vamos entender a razão de tanto sufoco.

Serina, Renzo e Nomi Tessaro são irmãos na cidade de Lanos. Uma cidade aparentemente empoeirada e velha, repleta de industrias onde os homens e mulheres são operários. Uma cidade que não parece dar muita esperança de futuro para nossas personagens principais.

Mas o futuro é cruel independente da esperança, pelo menos para as mulheres.

Serina é a irmã mais velha. Bonita, graciosa e submissa. Respeita as leis cruéis do país (reino?) de Viridida. Determinada e protegida, ela quem sempre ocultava as artes da irmã mais nova, inclusive sua capacidade proibida de ler. Ler, um gesto e experiência tão amado por nós, é expressamente proibido para as mulheres, que tudo o que sabem de história e fazerem é ensinado pelas mulheres mais velhas e pelos homens.

Nomi é mais jovem e mais... Pululante. E, para além disso, ela não aceita as regras da sociedade em que vive. Não deseja ser simplesmente uma operária ou uma costureira, sem a possibilidade de ser mais que isso. Não acha justo ter que esconder o fato de que lê. Não acha justo não ser crime grave cometer violência contra a mulher.

Desde que nasceu, Serina é treinada para ser uma graça, que nada mais é que uma cortesã, uma concubina do rei... Apenas mais uma mulher no harém. A cada ano, o rei escolhe três mulheres de seu domínio como Graça. E Serina está decidida a ser escolhida, pois deseja dar uma vida melhor para sua família. Nomi será sua aia no palácio e assim poderá continuar a ser protegida por ela.

Só que neste ano quem irá escolher as três graças será o filho mais velho, Malachi. Mas para quem será “um brinquedo”, não importa nas mãos de quem ela irá cair, certo? E o destino pareceu agir, fazendo-o escolher Nomi ao invés de Serina, que acaba por tornar-se sua aia.

Não por muito tempo, porém. Após ser pega com um livro, ela é levada sem um julgamento nem nada para uma ilha que funciona como uma prisão. Lá estão mulheres que cometeram algum tipo de crime: roubar, ler, agredir o homem que lhe agredia... A prisão é brutal. Tão desumana que faz Serina enxergar algumas coisas que antes ela preferia apenas aceitar.

E Nomi sozinha no palácio não sabe em quem confiar. Acaba conhecendo o irmão mais novo de Malachi, Asa. Ele é o completo oposto do irmão: doce, carinhoso... Não parece querer matar alguém apenas com um olhar. Nada cruel e parece desejar que as mulheres tenham o direito à educação e tudo o mais. E o mais importante: deseja resgatar Serina.

Enquanto Nomi trabalha para resgatar a irmã, Serina tenta permanecer viva na ilha. Vemos as duas irmãs mudando seus conceitos e paradigmas em busca de uma saída para encontrarem-se novamente.
A angústia surge nesse livro porque você meio que pressente o que está acontecendo e fica torcendo pra não acontecer! É como quando você está vendo o mocinho ou a mocinha num filme de terror indo abrir a porta que o monstro está, mas eles simplesmente não ouvem seus apelos para saírem correndo. É demais!

Eu devorei o livro em pouco tempo, de tão ansiosa que fiquei! A escrita da autora é muito boa, te prende do começo ao fim. Os personagens são bem construídos e você percebe claramente que eles não estão ali só por causa das personagens principais. E a ambientação me pareceu inspirada na Itália, então imaginei tudo muito rico em cores e aromas.

E dor. Tanto física quanto emocionalmente, especialmente na prisão de Serina.

Todo o plot que a autora criou, toda a história por trás dos acontecimentos recentes... Foi brilhante e nada impossível de um dia acontecer, pelo nosso andar da carruagem.

Se você gosta de A seleção, de Jogos Vorazes e A Rainha Vermelha... Corre e começa a ler Graça e Fúria! É empoderadora e aponta que devemos resistir, sempre!

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