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1.8.18

{Resenha} Minha Querida Sputnik




Título Original: Sputnik Sweetheart
Autor: Haruki Murakami
Editora: Alfaguara
Sinopse: Em Minha Querida Sputnik, Haruki Murakami nos apresenta um Japão de restaurantes sofisticados e cores vibrantes, e nos leva ao centro de um triângulo amoroso arrebatador e, ao mesmo tempo, incomum.
K. é um jovem professor que vive em Tóquio e é apaixonado por Sumire, sua melhor amiga, uma garota que largou os estudos para se tornar escritora. A vida dela se resume aos livros: eles não só definem o seu dia-a-dia de leitora voraz como também o modo de se vestir.
Mas a chegada de Miu, empresária bem-sucedida e casada, muda o destino de todos. Sumire é tomada por uma paixão avassaladora e, seguindo Miu aonde ela for, acaba criando para si uma armadilha aparentemente sem saída. E K., fascinado por Sumire e nunca correspondido, fará o impossível para salvá-la.
Minha Querida Sputnik é uma história de amor e mistério. A solidão e a fragilidade dos relacionamentos são protagonistas neste romance sedutor, em que Murakami constrói um triângulo amoroso poucas vezes visto na literatura.
“Devorar livros era tão natural para nós quanto respirar. Cada momento de folga, nos instalávamos em um canto quieto, virando páginas interminavelmente.”
Sabe a sinopse? Não está totalmente certa (risos), o livro é um pouco diferente. Vi sobre “Minha Querida Sputnik em algum lugar que agora não me recordo e acabei por me interessar. Quando chegou em minhas mãos logo li o primeiro capítulo, que me prendeu rapidamente. Todos as histórias desse autor tem esse efeito em mim, não é atoa que estou sempre lendo seus trabalhos.

Mas vamos lá, a história é narrada na visão do amigo de Sumire, K., um professor de ensino fundamental que é apaixonado pela principal. Em certas partes a narração chega a ser assustadora, afinal, Sumire nunca gostou de K romanticamente, mas ele é louco por ela, não entende o motivo de ela não ver nada nele e nem por que ela não tem desejo sexual por ninguém além de Miu.

Em uma ou duas cenas tem a narração do que ele quer fazer com Sumire quando o mesmo a ajuda na mudança, e devo dizer que não é muito legal (risos). Com isso tenho que concordar com minha namorada que, após ler a cena que pedi me disse “É por isso que não leio livros com romance lésbico escritos por homens.”

Bom, acho que estou perdendo o foco aqui, talvez esteja confuso (risos). Como disse antes, quem narra a história é K, por ele sabemos toda a história de Sumire, como e por que ela largou a faculdade, seu convívio com pais e como ela conheceu Miu, assim como tudo que passaram juntas.
“Adorava ler romances por distração, mas não escrevia bem o suficiente para ser um romancista; ser editor ou crítico também estava fora de questão, já que as minhas preferências eram extremas. Os romances eram para o puro deleite pessoal, achava eu, não faziam parte de estudo ou trabalho.”
Através de suas palavras temos uma Sumire que nunca se apaixonara, escreve romances incríveis mas não sabe como organiza-los, isso não os deixa perfeitos, não trabalha e nem tem uma aparência e gosto de roupas bons.
“Sumire queria ser como um personagem de um romance de Kerouac – selvagem, fria, devassa. Andava por aí com as mãos enfiadas no fundo do bolso do casaco, o cabelo despenteado, olhando apaticamente para o céu através de seus óculos de armação preta de plástico, que usava apesar de sua vista perfeita. [...] Se houvesse um jeito de ela ter barba, estou certo de que a teria.”Até que conhece Miu durante a festa de casamento de um parente. Miu é uma coreana que largou seus sonhos para assumir a empresa de seu pai, importa e exporta vinhos, viaja para todos os lugares do mundo visitando as vinícolas e fazendo acordos.
Com uma pequena conversa, Miu convece Sumire a trabalhar para ela, dizendo a Sumire que precisa ainda de experiência para se tornar uma boa escritora, por isso precisa mudar de vida, usar a escrita como algo secundário, até que tenha uma experiência maior.
"A partir desse dia, o nome particular de Sumire para Miu foi Querida Sputnik, Sumire adorou o som da expressão. Fazia com que pensasse em Laika, a cadela. O satélite feito pelo homem riscando a negritude do espaço sideral. Os olhos escuros, brilhantes, da cadela olhando fixo pela janela minúscula. Na solidão infinita do espaço, para o que a cadela poderia estar olhando?".
Nossa Sumire se apaixona perdidamente.
“Um amor de proporções realmente monumentais. A pessoa por quem Sumire se apaixonou era, por acaso, dezessete anos mais velha do que ela. E casada. E devo acrescentar, era uma mulher”.
(Mas é claro que o Senhor K, não pode reclamar de Sumire amar uma mulher casada, ele dorme com a mãe de um dos alunos que é casada e perdidamente apaixonada por ele.)

Trabalhando com Miu, Sumire aprende italiano, cuida do escritório, anota telefonemas e recados e no tempo livre pode ler e escrever o que quiser.

Com seus ganhos, adquire um apartamento maior e mais perto do trabalho, onde K a ajuda com a mudança e combinam de jantar juntos. Mas o jantar não acontece, Sumire viaja a trabalho com Miu, onde passam muitos dias juntas.

Sumire envia cartas para K contando as histórias das viagens e de um descanso na Grécia. E é aí que surge um problema. K recebe uma ligação de Miu pedindo urgentemente que ele vá para a Grécia, algo acontecera com Sumire.

Essa parte nos dá mais detalhes da vida de Miu e dos dias que ela passara com Sumire.
"Então me ocorreu que, apesar de sermos companheiras de viagem maravilhosas, no fundo, não passávamos de duas massas solitárias de metal em suas próprias órbitas separadas. A distância, parecem belas estrelas cadentes, mas, na realidade, não passam de prisões, em que cada uma de nós está trancada, sozinha, indo a lugar nenhum. Quando as órbitas desses dois satélites se cruzam, acidentalmente, podemos estar juntas. Talvez, até mesmo, abrir nossos corações uma à outra. Mas só por um breve momento. No instante seguinte, estaremos na solidão absoluta. Até nos queimarmos completamente e nos tornarmos nada."
Não posso falar muito mais, ou contarei todo o livro. Uma coisa que podemos observar novamente com “Minha Querida Sputnik” é como segue o padrão de Murakami com o “mundo de lá”, o que é esse “mundo”? Acho que ninguém sabe, mas é algo bem presente em seus romances.

Não sei o quanto gostei desse livro, não gostei nem um pouco da sofrência de K por Sumire. É claro que ela só o vê como amigo, tem assuntos que ele não sabe como conversar com ela, embora ela queira falar sobre e tem as ligações de madrugada dela para ele e ainda as falas dela dizendo que sentiria falta dele e etc, mas repito, é algo de amizade, para Sumire, K é um amigo insubstituível.
“Ela me observou atentamente por um certo tempo, como se eu fosse uma máquina movida por uma fonte até então desconhecida. Perdendo o interesse, olhou para o teto, e a conversa mingou. Não adianta falar disso com ele, ela deve ter concluído.”
Tive a curiosidade de procurar a capa original japonesa e, apesar de simpleszinha, achei bonita e perfeita para o livro. A capa daqui não achei muito interessante, mas as cores são atrativas.
A resenha acabou ficando enorme (risos), usei muitos trechos do livro dessa vez, mas tem muito mais que gostaria de colocar, um mais bonito que o outro.

Enfim, espero que deem uma chance ao “Minha Querida Sputnik” e seus personagens!

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