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10.9.18

{Resenha} O Idiota - André Diniz



Autor: André DinizEditora: Quadrinhos na Cia (Grupo Companhia das Letras)Sinopse: Em preto e branco, e num registro quase sem palavras, André Diniz propõe uma recriação surpreendente de O idiota, obra máxima de Fiódor Dostoiévski. Publicado em 1869 e escrito em meio a crises epilépticas e perturbações nervosas e sob a pressão de severas dívidas de jogo, o romance é um dos mais célebres da literatura mundial. Sua oralidade intensa encontra na explosão e na fluidez, na ternura e na enorme capacidade expressiva do traço de Diniz, uma correspondência única. A história é conhecida: após anos internado num sanatório suíço para tratar sua epilepsia, o jovem Míchkin retorna à Rússia e se vê envolvido num triângulo amoroso cujos ares folhetinescos darão o tom desta adaptação. Entre a vilania de Rogójin, um devasso perdulário que dilapida a fortuna herdada de seu pai, e a beleza arrebatadora de Nastácia Filíppovna, acompanharemos Míchkin e sua pureza quixotesca até o desenlace desta bela e trágica graphic novel. 
Meu primeiro contato com Dostoiévski foi pelo livro Crime e Castigo que foi abandonado por mim logos nas primeiras páginas. Acho que pequei por escolher um exemplar em inglês e por tentar ler uma obra tão densa aos 14 anos de idade, então, dessa vez, eu procurava uma maneira suave e certeira de me introduzir no mundo clássico da literatura sem abandonos ou arrependimentos. A versão em quadrinhos elaborada por André Diniz encaixou-se perfeitamente em meus propósitos e surpreendeu por nos dizer tanto usando tão poucas palavras.

Neste romance em quadrinhos, cuja história está há mais de 150 anos marcando presença no mundo da Literatura, temos como protagonista o jovem Míchkin que retornou à cidade após anos internado para tratar seus ataques epilépticos. Na busca por sua única parente ainda viva, Míchkin acaba envolvendo-se em um triângulo amoroso perpetrado por histórias de obsessão, abuso sexual e adultério. Enquanto todos o julgam por tolo ao escolher amar alguém movido à escárnio e deboche, nosso protagonista mostra-se o único que consegue ver a verdade através do véu.



Em preto e branco, com traços simples - porém expressivos ao extremo - que lembram nosso nordestino cordel, André Diniz consegue passar a carga sentimental de cada personagem sem precisar de palavras. A leitura foi rápida, apesar das reviravoltas marcantes que necessitavam de um pouco mais de atenção para não deixar passar nenhum detalhe - afinal, tudo que havia a ser dito tinha de ser interpretado nas expressões das personagens. 

Embora eu não tenha lido a história original e isso afete a maneira como enxergo este livro, fiquei positivamente surpresa com a habilidade do autor em passar tantas emoções através de seus desenhos. Baseado em uma obra prima da literatura clássica, André Diniz, com seus traços simples, constrói com seu próprio estilo e por seu próprio mérito uma totalmente nova obra prima.

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