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10.10.18

{Resenha} O Clube dos Oito



Título Original:  The Basic Eight
Autor: Daniel Handler
Editora: Seguinte
Sinopse: Como um grupo de jovens estudantes bem-educados acabou se envolvendo num escândalo que chocou um país? Por que tantos especialistas em comportamento juvenil têm algo a dizer quando o assunto é o Clube dos Oito? Até quando inúmeras manchetes de jornal e programas de TV sensacionalistas vão explorar o caso nos mínimos detalhes? Para fazer com que a verdade venha à tona, Flannery Culp, a dita líder do Clube, decide tornar público o diário que manteve ao longo do seu desastroso último ano de ensino médio. Agora que está presa por cometer um assassinato, a garota tem tempo de editar o que escreveu e revisitar a rotina que levava ao lado de seus sete melhores amigos. A narrativa de Flan, permeada de professores da pior índole, um amor não correspondido, aulas complicadas e jantares pomposos, comprova que ela pode até ser uma adolescente criminosa — mas, pelo menos, é uma adolescente criminosa muito inteligente.
“Flannery Culp tem uma história para contar. A história de como se tornou uma assassina”.

Nas primeiras páginas conhecemos Flannery, que nos explica que está presa por ter cometido um assassinato há um ano, mesmo sendo uma adolescente de dezoito anos. Em momento algum ela nega que é uma assassina e, através de seu diário (o qual está editando), quer contar a história como realmente aconteceu, pois a mídia expõe tudo de maneira exagerada e errada.

A escrita de Flannery é informal e até mesmo irônica de linguajar adolescente, não combinando com a seriedade do acontecimento que a levou a nos mostrar seu diário. A primeira impressão que tive da protagonista ao ler a sinopse era uma personagem persuasiva e inteligente, mas na verdade chega a ter uma personalidade irritante, divertida, uma adolescente comum, eu diria. E isso que me conquistou. Toda a forma divertida que ela dá ao crime que cometeu.

Outra coisa que me cativou no livro foram as “questões para análise” que a personagem nos deixa, perguntas sobre o capítulo, como você agiria ou sua opinião, adorei isso, seria ótimo para um clube do livro (risos)


Bom, algumas páginas após uma breve explicação de Flan, lemos as diversas cartas que a personagem escreve para o cara por quem se apaixona. Talvez o calor do momento cercada pelo romance em sua viagem à Itália a levaram a enviar-lhe cartas, na esperança de ser correspondida. Infelizmente, ao voltar para sua casa não recebe a ligação que tanto ansiava.

Com seu retorno conhecemos também todo o Clube dos Oito que, como ela, é um grupo de amigos ricos que se encontram para conversar, andam juntos e organizam alguns jantares entre eles e às vezes alguns outros convidados.

O autor consegue administrar a personalidade de apenas alguns personagens e apenas no começo, conforme a história avança ele perde um pouco esse controle o que pode ser difícil para o leitor reconhecer quem é quem.

Outro grande erro: o começo do livro é tediante, 150, 200 páginas é apenas a vida de Flan, suas preocupações de adolescente comum: corpo e garotos,  o que acaba deixando tudo maçante e um pouco irritante de ler.

Há sim partes importantes, como a abordagem de um estupro, mas é aquele negócio, é um homem tentando descrever como uma mulher se sente ao ser estuprada, claro que cada mulher reagiria de uma forma a uma situação assim, é impossível descrever isso, mas o autor tentou e infelizmente acabou sendo uma forma leviana.

Conforme vamos alcançando o final, a curiosidade desperta, sabemos que Adam, o amor de Flan é um merda, mas ainda sim ela é atraída por ele. O final é impressionante, depois que passa a confusão inicial, sinceramente eu não esperava por “aquele acontecimento” em especial, e isso salvou todo o livro para mim.

Teve seus altos e baixos, partes bem confusas e tudo o mais, mas o livro compensa sim a leitura, adorei a forma divertida e irônica de Flannery ao contar seu crime a todos os leitores, a personalidade dada a Flan é de certa forma ótima e irritante, mas perfeita para ela.


Para finalizar, deixo uma frase ótima:

“Eu não sentia tanto nojo de alguém desde pequena, quando os meninos nos provocavam no parquinho, dando chutes, jogando pedrinhas e falando com voz aguda para nos provocar. ‘Se eles fazem isso é porque gostam de você, os adultos diziam como abóboras de halloween. Naquela época acreditávamos e nos sentíamos atraídas por todas aquelas maldades, porque elas significavam que éramos especiais: deixem que eles nos chutem, quer dizer que gostam da gente, então devemos gostar deles também. Mas agora eu me dava conta que os garotos não eram maus porque gostavam de alguém. Eles só eram daquele jeito e pronto.”




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