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7.11.18

{Resenha} Contos Completos



Autor: Caio Fernando Abreu
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Publicados entre as décadas de 1970 e 1990, os contos de Caio Fernando Abreu são o retrato de uma geração. Os tempos autoritários e sombrios dos anos de chumbo aparecem nesta reunião não apenas como pano de fundo, mas como parte constituinte de uma prosa que se consagrou pelo estilo combativo e radical. Vida e obra, aqui, se misturam a ponto de biografia se transformar em literatura e vice-versa.Em Contos completos, o leitor tem a chance de percorrer toda a produção do autor no gênero da prosa breve. O volume abarca seis títulos — Inventário do ir-remediável (1970), O ovo apunhalado (1975), Pedras de Calcutá (1977), Morangos mofados (1982), Os dragões não conhecem o paraíso (1988) e Ovelhas negras(1995) —, além de dez contos avulsos, sendo três deles inéditos em livro. O livro inclui, por fim, textos de Italo Moriconi, Alexandre Vidal Porto e Heloisa Buarque de Hollanda, que jogam luz sobre a atualidade de Caio Fernando Abreu.Ao escrever sobre amor, morte, medo, sexualidade, solidão e alegria, o autor de Onde andará Dulce Veiga? constrói personagens complexos e absolutamente profundos em cada detalhe. Com verve e sensibilidade, o “escritor da paixão”, na alcunha de Lygia Fagundes Telles, soube como ninguém combinar delírio e lucidez, euforia e angústia, luz e sombra.

Fico até embaraçada de escrever sobre Caio Fernando Abreu. Até seu nome tem um peso maior quando sai de nossas bocas. A mente se revira em saudosismo e reverências quando sua memória é trazida à tona. Tentarei vencer a vergonha e, na minha humilde condição de leitora ocasional, comentar sobre a obra que reúne os contos do maior nome da contracultura literária brasileira. 

Em Contos Completos, a editora Companhia das Letras reúne as 6 obras de Caio F. Abreu e 10 contos avulsos - sendo 3 deles inéditos em livros. Organizados em ordem cronológica, podemos acompanhar a evolução da escrita do autor e realizar associações entre o período do conto e sua temática. As obras e alguns contos são precedidos por comentários do autor, alguns justificando alterações no texto, outros realizando autocríticas e nos situando sobre a situação em que o trabalho foi realizado. 

"Quanto a ti, ja reparaste como o mundo parece feito de pontas e arestas? Já chamei tua atenção para a escassez de contornos mansos nas coisas? Tudo é duro e fere."

Caio Fernando Abreu é novo para mim. Excetuando-se os textos e as citações comuns no tempo do Orkut (desenterrei, né? haha!), nenhuma obra dele tinha passado nas minhas mãos. Na semana em que Caio Abreu completaria 70 anos, recebi esta obra que, hoje, é a mais completa do autor. Conhecer mais um grande escritor brasileiro faz parte das minhas realizações desse ano, então, pra mim, esse livro por si só é uma pequena vitória pessoal. 

É sempre difícil, para mim, resenhar livros sobre contos. Muitas vezes (me arrisco a dizer todas), os temas e as maneiras de escrever são totalmente diferentes e fica difícil colocar todos os contos num "saco só". Consegui estabelecer poucos padrões neste livro e um deles, talvez o que mais me impressionou, é o de que Caio Abreu costumava abordar temas polêmicos e íntimos que causavam estranhamento e sentimentos desagradáveis em suas personagens. Tratar com naturalidade sobre homossexualidade e soropositividade, por exemplo, é algo difícil de ser feito até nos tempos atuais e, em Contos Completos, encontramos textos que datam de mais de 3 décadas atrás que fazem isso com maestria.

Caio Fernando Abreu também escreve sobre o amor em suas diferentes formas. O amor próprio, o desamor, o amor platônico... Geralmente combina essas temáticas com assuntos polêmicos, mas sem forçar o espanto ou a estranheza no leitor; tudo em sua leitura é natural e flui bem.  

Contos Completos é uma obra extensa com mais de 700 páginas mas que, mesmo que tentasse, não consegue ser enfadonha. O fato de ser formado por narrativas mais curtas ajuda neste aspecto mas, obviamente, a grande razão é a maneira marcante como Caio F. Abreu transforma qualquer texto seu em uma obra-prima. 

(Observação aleatória: depois de todos esses anos, somente agora eu consegui entender porque Caio Fernando Abreu era o autor com mais citações compartilhadas no Orkut, haha. Morre minha curiosidade, nasce uma admiradora.)

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