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10.12.18

{Resenha} A Caçadora de Dragões

Título Original: The Last Namsara
Trilogia: Iskari Vol.1
Autor: Kristen Ciccarelli
Editora: Seguinte
Sinopse: Quando criança, Asha, a filha do rei de Firgaard, era atormentada por sucessivos pesadelos. Para ajudá-la, a mãe lhe contava histórias antigas, que muitos temiam serem capazes de atrair dragões, os maiores inimigos do reino. Envolvida pelos contos, a pequena Asha acabou despertando Kozu, o mais feroz dos dragões, que queimou a cidade e matou milhares de pessoas - um peso que a garota ainda carrega nas costas.
Agora, aos dezessete anos, ela é uma caçadora de dragões temida por todos. Quando recebe de seu pai a missão de matar Kozu, Asha vê uma oportunidade de se redimir diante de seu povo. Mas ela não vai concluir a tarefa sem antes descobrir a verdade sobre si mesma - e perceber que mesmo as pessoas destinadas à maldade podem mudar o próprio destino.
"No começo... O Antigo se sentia solitário. Então, para ter companhia, criou dois seres. O primeiro foi formado a partir do céu e do espírito, e recebeu o nome de Namsara. Era um menino de ouro. Quando ria, estrelas brilhavam em seus olhos. Quando dançava, guerras chegavam ao fim. Quando cantava, doenças eram curadas. Sua presença por si só era o bastante para unir o mundo.
O Antigo criou o segundo ser com sangue e luar, e lhe deu o nome de Iskari. Era uma menina triste. Aonde Namsara levava risadas e amor, Iskari levava destruição e morte. Quando Iskari aparecia, as pessoas se escondiam em suas casas. Quando falava, todos choravam. Quando ela caçava, nunca errava o alvo." 
Asha sempre foi apaixonada pelas histórias que sua mãe lhe contava a noite, quando todos dormiam, mesmo que elas supostamente enfraquecessem a rainha, ela continuou contando-as para que a filha adormecesse tranquilamente. Ela cresceu fazendo o mesmo, contando sobre os antigos namsaras, os heróis do passado. Contava histórias e mais histórias para os dragões ouvirem. Quando o mais velho e mais terrível dos dragões a encurralou uma noite e a queimou sem piedade, destruindo casas e matando famílias, a filha do Rei foi odiada.
"[...]quando a garota fez um pedido público de desculpas e o povo cuspiu aos seus pés, seu pai ficou ao lado dela. Quando ela prometeu se redimir e eles sussurraram o nome de uma deusa amaldiçoada, seu pai transformou aquilo em título. Os heróis antigos eram chamados de namsara em homenagem ao amado deus. Mas sua filha seria iskari - como a deusa letal."
Agora aos dezessete anos, ela recebeu a maior missão de todas, uma que tem esperado por anos, desde o grande crime cometido: caçar Kozu, o mais antigo dos dragões, o maior dos inimigos dos draksors. Ela está mais do que determinada a matá-lo e trazer sua cabeça em uma bandeja para o rei, como forma de redenção ao povo e a si mesma. Mas isso não é tudo, seu pai lhe prometeu voltar atrás com a promessa feita anos antes, de casá-la com Jarek, seu tão chamado salvador. Aquele que a trouxe da Fenda, quando fora queimada pelo fogo venenoso do dragão negro, salvando sua vida. Alguém cuja mera visão simplesmente a enoja e que com toda certeza só está atrás do trono de seu pai.
Duas vitórias de uma só vez, mas as coisas não vão exatamente como ela planejava e ela vai acabar descobrindo mais do que gostaria sobre si mesma e sobre o passado que a assombra. Dessa vez, ela terá que, em vez de contar histórias, ouvi-las... dos próprios dragões. E, sendo guiada pelo primeiro namsara da história, ela terá que fazer escolhas que nunca imaginou ter que fazer.
"O Antigo a derrubou, deixando nela uma cicatriz tão longa quanto a cordilheira da Fenda. [...]ele tornou Iskari mortal, arrancando sua imortalidade como se fosse uma roupa de seda. O Antigo também amaldiçoou seu nome e a enviou para vagar sozinha pelo deserto,assombrada por ventos ardentes e tempestades de areia. Para secar sob o sol abrasador. Congelar sob o manto gelado da noite.
Mas nem o calor nem o frio foram capazes de matá-la.
Quem o fez foi a solidão insuportável.
Namsara procurou Iskari pelo deserto. O céu mudou sete vezes antes que encontrasse seu corpo na areia, sua pele queimada pelo sol, seus olhos comidos pelos corvos.
Ao ver sua irmã morta, ele caiu de joelhos e chorou."
Asha, que estava acostumada a ser a iskari, ver os olhares alheios evitarem suas cicatrizes por temor, vai ter que se acostumar com os olhares de um serviçal, um skral, o criado de seu noivo, ainda por cima. Um rapaz feroz que não pensa duas vezes em olhá-la nos olhos, quando ninguém mais vê, embora seja contra a lei. E as coisas vão apenas desandar ainda mais para a caçadora, quando ela recebe de seu próprio irmão, um pedido para que ela salve o skral de Jarek. E de repente ela está cheia de tarefas que uma iskari não deveria estar fazendo, mesmo assim ela se vê na necessidade de cumpri-las, mesmo não entendendo de fato a razão por trás de tudo isso. Afinal, poderia uma iskari, se tornar uma namsara? Asha com certeza não se vê assim, mas desobedecer o Antigo, pode ser muito perigoso...
"[...]Ouviu a morte chamando seu nome, então seu coração fraco e brilhante falhou.
- Meu amor - ela sussurrou. - Esperarei você nos portões da morte.
[...]Nos portões da morte, Willa firmou os pés e olhou novamente para a terra dos vivos. [...] então, a própria morte foi até ela. Willa não se moveu.
A morte enviou um frio intenso para congelar o amor em seu coração, e nem assim Willa se moveu.
Enviou um fogo furioso para queimar suas memórias, e Willa as manteve com firmeza.
Enviou um vento tão forte quanto o mar para forçá-la a seguir adiante, mas Willa segurou nas barras e não soltou.
[...] Ela esperou o próprio Elorma chegar ao portão, uma vida depois, e só então soltou as barras."
A Caçadora de Dragões me atraiu em tudo. A sinopse, a capa, o título. Não teve uma coisa sequer que não me faria pegar esse livro para ler e com certeza não me arrependi. A história parece tão simples com o resumo, mas ela se mostra muito mais que isso. A narrativa incrível é intercalada entre o presente, seguindo Asha, e histórias do passado, dela ou histórias mais antigas de Firgaard, nos trazendo mais pra perto das fundações desse universo fictício.

E claro, adorei a personagem principal. Uma caçadora de dragões! A melhor deles! Enquanto lia esse livro eu não conseguia não pensar em como a minha eu de 10 anos atrás teria ficado tão fascinada quanto eu fiquei ao ler esse livro. Definitivamente um livro empoderador para as mulheres. Além da principal, temos muitas outras mulheres incríveis que são mencionadas, como a prima da iskari, Safire, filha de um draksor e uma skral, um amor proibido por lei. E das histórias antigas, eu devo mencionar sem falta: Moria, a filha de uma sacerdotisa que matou o quarto rei de Firgaard, por ser tão cruel.
"[...] Moria fez uma mesura para ele. Não o encarou, com medo de que visse a fúria ardente em seus olhos. Não falou seu nome, com medo de que identificasse o tom afiado de sua voz.
O rei-dragão dispensou seus guardas.
A chama em Moria vacilou.
[...] Quando ele avançou em sua direção, Moria congelou.
Quando ele abriu os botões de seu caftã, ela tremeu.
Quando o tecido deslizou de seus ombros e caiu no chão, Moria pensou na sua amiga mais querida. Pensou em todas as garotas que haviam ficado bem ali, tremendo e com medo, com as roupas emboladas junto aos seus pés. Então ela pegou a faca amarrada em sua coxa.
Ao vê-la, o rei arregalou os olhos, surpreso.
Então Moria cortou a garganta dele.
[...] Ela manteve a cabeça erguida por todo o caminho até o bloco de execução."
A história tem a medida certa de romance, aventura e fantasia. Para alguém como eu, que já leu tantos romances na adolescência, ao ponto de até enjoar dos clichês melosos por aí, foi algo bem revigorante. Todas as histórias de amor em A Caçadora de Dragões são lindas e profundas, que te fazem sonhar com o "eterno".
A forma como foi narrada, intercalando as histórias antigas e o passado do ponto de vista de Asha, nos faz acompanhar seus pensamentos e dúvidas. Desvendando aos poucos, junto com a protagonista todas as lacunas de seu passado, o que ajuda a história a fluir com muita facilidade. Lembro de ficar até tarde da noite lendo o livro, porque simplesmente não conseguia largá-lo! (risos). Os detalhes nas páginas, nos títulos também me agradou imensamente.

Recomendo esse livro para todas as mulheres com toda a certeza e mais ainda para todas as meninas que sonham em verem a si mesmas como protagonistas de histórias tão intensas e incríveis! Espero ansiosamente pelos próximos volumes!

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