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26.1.18

{2017} Melhores do Ano


Esse ano me vi experimentando alguns gêneros diferentes no mundo da leitura. Não posso dizer que me agradei 100% com todos, mas em geral foram bons livros e dois deles em especial me marcaram bastante.

Aqui estão eles:

A Lógica Inexplicável da Minha Vida
Já estava bem animada para poder ler esse livro, quando soube do seu lançamento aqui, mas ainda assim, foi como viver de novo a experiência maravilhosa que é a narrativa de Benjamin, pela qual já tinha grande afeição através de Aristóteles & Dante. Pude me emocionar, rir e crescer nesse amor que o livro nos ensina sobre, ou melhor, as tantas facetas dele. Definitivamente um dos melhores livros que li esse ano!


A Bússola de Ouro

Confesso que nunca tive tanto interesse em ler a trilogia, enquanto ouvia seu nome, seja em relação ao filme ou aos livros em si, embora tivesse uma idéia de quão bom eram as obras. Quando li a sinopse eu fiquei com um pé atrás quanto à protagonista, pois achei que fosse me irritar mais com ela haha, por parecer/ser uma menina teimosa, mas eu não podia ter me surpreendido mais com a Lyra Belacqua, ah! Como amei essa menina! E como amei muitos dos personagens no livro, o que é algo geralmente incomum no meu caso. Mas mais do que tudo adorei a história, adorei a narrativa, a forma como ela foi conduzida e sem sombra de dúvidas eu amei a fantasia toda desse universo maravilhoso criado por Pullman, o que me lembrou de alguma forma os livros de As Crônicas de Nárnia que li quando era criança, talvez por trazer uma criança como protagonista (uma menina ainda por cima!) me fez sentir essa nostalgia deliciosa! Com toda certeza foi o melhor livro que li o ano todo e me atrevo ainda dizer, nos anos mais recentes! 

25.1.18

{Resenha} Crash - Quando a Paixão Explode - Crash # 1


 Oi amores. C-H-E-G-U-E-I!


 Hoje não tenho muito o que dizer aqui, porque foi difícil concluir essa resenha.
Não por conta do livro ser ruim, totalmente o contrário. Foi uma leitura bem prazerosa apesar do drama. Deu um branco sinistro que fiquei com a caneta na mão durante alguns minutos e não conseguia escrever nada (isso já tinha concluído a leitura), mas enfim... a inspiração voltou e saiu a resenha rs.
Confere aí!

*livro cedido pela editora

Sinopse:

“Para a adolescente Lucy, nada é mais importante que o balé. A dança a transporta para um mundo onde a dor, as lembranças ruins e a violência não existem. Um mundo só dela. Um dia, porém, aquela garota certinha é obrigada a mudar de escola. E é nesse novo ambiente, repleto de descobertas e Inseguranças, que conhece um garoto que só usa cinza e vive com uma toca de lã na cabeça. Jude, o maior bad boy da escola, é lindo e seria o sonho de toda garota, e talvez até o genro que todo pai pediu a Deus... se não tivesse sido preso várias vezes e não morasse num abrigo para garotos desajustados. Lucy não liga para a opinião dos outros: o mais importante é o que Jude sente por ela. E o rapaz parece disposto a abrir seu coração, ainda que um segredo que assombra o passado e o presente dos dois esteja prestes a estraçalhar essa paixão.”


Resenha


Sabe aquele livro que você lê, mas tem horas que ama e odeia? Que a leitura flui e estagna? Pois é, tive isso durante a leitura inteira.
Não sei se foi porque estava com muita expectativa, mas afirmo que foi uma ótima leitura, apesar dos altos e baixos dessa leitora que vos fala rs.
A autora soube descrever bem os problemas que a maioria dos adolescentes passa, como drogas, falta que os pais fazem na vida de uma criança/adolescente, o pensamento do futuro em ser alguém, a cobrança dos pais sobre os filhos, namoro, fofocas, amor e querer mudar o mundo para melhor... essa é o tipo de pessoa que nossa personagem Lucy é. Tem aquela vontade de salvar o mundo, de transformar algo ruim em bom.

Lucille (ou Lucy) Larson sonha em entrar em uma renomada academia de balé, e se tornar uma bailarina profissional. Seu amor e dedicação à dança lhe traz paz quando a “escuridão” quer lhe atormentar. Ela encontra ali uma válvula de escape para fugir dos problemas, do silêncio que agora virou sua casa e até mesmo da própria mãe.
Seus pais são casados e vivem juntos na mesma casa, mas algo ali parece que se partiu. Os acontecimentos levaram a tudo isso, inclusive o relacionamento com seus pais. O pai de Lucy é somente uma casca do homem forte e destemido que foi um dia, e sua mãe parece viver de mau humor, megera, vive para o trabalho, sem sorrir ou tentar ter novamente um bom relacionamento com a filha.
Com problemas financeiros, ela e seus pais são obrigados a se mudar  e viver conforme a nova realidade. Lucy está no último ano e acaba indo estudar em South Point High, sem saber que não seria fácil conviver ali.


Jude Ryder é o oposto de Lucy.
Jude é sinônimo de confusão, mas Lucy está atraída demais para enxergar o perigo que corre ao se envolver com esse bad boy.
O cara é misterioso, sexy, lindo e atraente. Vive abandonado numa casa para jovens delinquentes há cinco anos e parece que os problemas sempre o encontram... mesmo que muitas vezes a culpa não seja dele.
Depois de um encontro na praia e algumas confusões depois, os dois acabam se encontrando na mesma escola, onde Jude era famosinho entre as meninas e colocava moral nos marmanjos.

Jude e Lucy apesar de tudo acabam se envolvendo. Beijos aqui, beijos ali... mas sempre que os dois começavam a avançar no “relacionamento”,  acontece algo que os separa e deixa tudo confuso.
O passado do bad boy o deixa “preso” e o atormenta, sem se deixar viver ou até mesmo ser alguém diferente do que ele acabou se transformando durante sua infância solitária, sozinho num abrigo e sofrendo horrores nas mãos de outros garotos e até mesmo dos funcionários. Um passado bem turbulento.
Muitos acontecimentos bons e bem ruins estão envolta dos dois, mentiras, fofocas, mau caráter de alguns... uma estória que te traz a realidade de que pessoas não são cem por cento boas o tempo todo, caridosas demais, amigáveis demais... nunca é o que parece ser na realidade. E não acreditar em boca a boca, quando não se sabe o verdadeiro motivo por trás.
Lucy vê em Jude algo a mais, não somente aquele cara que vive metido em encrencas, que já foi preso inúmeras vezes... ela vê um Jude que pode ser o que quiser, basta acreditar em si mesmo e ter força de vontade. Mas será que ele quer ser salvo?


Nicole Williams me conquistou com sua escrita, seu jeito de falar sobre assuntos reais e me deixou com as emoções em conflitos muitas vezes.
Sou aquela leitora que A-M-A quando os capítulos são alternados pelos personagens, o que não aconteceu nesse livro. A estória é todinha contada por Lucy, o que me deixou um pouco desapontada. Queria ver mais a fundo os sentimentos conturbados de Jude, mas fica pra próxima né? Tem continuação vindo aí, quem sabe não seja o Jude contando tudo dessa vez? Vamos torcer.
Apesar dos altos e baixos durante a leitura, em que amei e odiei na mesma medida, posso afirmar que no começo foi bem lenta a leitura, parecia não fluir de jeito nenhum. O que achei interessante é que mesmo com esses pequenos probleminhas, não conseguia parar de ler... do meio pro final foi tiro, porrada e bomba.
Li numa rapidez que tive uma puta dificuldade em concluir essa resenha. Isso nunca tinha acontecido comigo, mas Crash tinha que ser diferentona rs.
Leitura com dramas, romance, superação, pegação e muito, muito amor.
Apesar dos pesares, é um livro que te marca do começo ao fim. Muitos acontecimentos pra um livro só. Recomendo!

TRILOGIA CRASH - NICOLE WILLIAMS



Quando vi essa foto, terminei a leitura com a fisionomia dos dois. A touca cinza que Jude usa e não tira da cabeça por nada no mundo, foi sensacional.
Crash merece o selo sim! 


 Bom, por hoje é só meus amores. Até a próxima. Tchau!


Título: Crash - Quando a Paixão Explode - Crash # 1
Autor (a): Nicole Williams
Editora: Essência

Número de Páginas: 256

24.1.18

{Quotes} Livro da semana!


Então, vi muitos blogs fazendo e resolvi fazer também!

Na verdade, costumo fazer no meio das resenhas, vocês já devem ter percebido. Mas sempre quis falar um pouco mais, pois sempre marco muito mais coisas do que coloco, senão o foco fica outro, huahuaha!

Então vou ir fazendo de livros que já li, sorteando na minha estante para mostrar os quotes que marquei, okay?

Deixem também nos comentários se vocês leram os livros, os quotes que mais agradaram!!! Se ainda não leu o livro, pode acabar encontrando muitos spoilers por aqui!

O livro de hoje é Mil pedaços de você, da autora Claudia Gray. É o primeiro livro da trilogia Firebird, aqui já tem a resenha do primeiro e do segundo, o terceiro ainda irei ler!

Título Original: A thousand pieces of you
Autora: Claudia Gray
Editora: Agir Now
Ano: 2015
Sinopse: Marguerite Caine cresceu cercada por teorias científicas revolucionárias graças aos pais, dois físicos brilhantes. Mas nada chega aos pés da mais recente invenção de sua mãe — um aparelho chamado Firebird, que permite que as pessoas alcancem dimensões paralelas.
Quando o pai de Marguerite é assassinado, todas as evidências apontam para a mesma pessoa: Paul, o brilhante e enigmático pupilo dos professores. Antes de ser preso, ele escapa para outra realidade, fechando o ciclo do que parece ser o crime perfeito. Paul, no entanto, não considerou um fator fundamental: Marguerite. A filha do renomado cientista Henry Caine não sabe se é capaz de matar, mas, para vingar a morte de seu pai, está disposta a descobrir.
Com a ajuda de outro estudante de física, a garota persegue o suspeito por várias dimensões. Em cada novo mundo, Marguerite encontra outra versão de Paul e, a cada novo encontro, suas certezas sobre a culpa dele diminuem. Será que as mesmas dúvidas entre eles estão destinadas a surgirem, de novo e de novo, em todas as vidas dos dois?
Em meio a tantas existências drasticamente diferentes — uma grã-duquesa na Rússia czarista, uma órfã baladeira numa Londres futurista, uma refugiada em uma estação no meio do oceano —, Marguerite se questiona: entre todas as infinitas possibilidades do universo, o amor pode ser aquilo que perdura?
Aqui você encontra a resenha: Mil pedaços de você

"E então cai a ficha: o Firebird realmente funciona. É possível viajar entre dimensões paralelas. Acabei de provar isso. Do fundo do meu luto e medo, uma pequena brasa de orgulho brilha, e dá a impressão de ser a única chama de experança no mundo. As teorias da minha mãe se provaram verdadeiras. O trabalho dos meus pais foi finalmente comprovado. Queria apenas que meu pai estivesse aqui para saber disso." pag. 6
"O universo é, na verdade, um multiverso. Há incontáveis dimensões quânticas da realidade, que se encaixam umas dentro das outras. Vamos chamá-las de dimensões, para abreviar." pag. 9
"- Existem padrões dentro das dimensões - insistiu Paul, sem erguer os olhos do seu trabalho. - Paralelismo matemáticos. É plausível ter como hipótese que esses padrões se refletirão nos eventos e nas pessoas em cada dimensão. Que aqueles que se encontraram em uma realidade têm maior probabilidade de se encontrarem em outra. Algumas coisas que acontecem vão se repetir muitas vezes, de formas diferentes, só que com mais frequência, de forma que só a mera coincidência não basta para explicar." pag. 38
"- Eu vejo... que você está sempre procurando - prosseguiu ele. - Que você realmente odeia coisas falsas ou cópias. Que é madura para sua idade, mas sem deixar de ser... brincalhona, feito uma garotinha. E como está sempre observando as pessoas, ou imaginando o que elas pensam ao olhar para você. Seus olhos. Seus olhos dizem tudo." pag. 42
Firebird
"Eu sempre disse a mim mesma que nunca ia acontecer nada. Theo é mais velho que eu, se irrita com facilidade, é egoísta, e sua arrogância seria totalmente insuportável caso ele não tivesse um lado brilhante para compensar. Às vezes, quanddo ele passa dois dias seguidos sem dormir e fica andando pela casa falando mais matemática que inglês, surge certa aura de imprudência em torno dele, como se estivesse determinado a forçar seus limites até a beira da autodestruição, ou, algumas vezes, indo além dela. Então me convenci que amava Theo como amigo. Ok, um amigo muito gato, mas, ainda assim, apenas um amigo." pag. 48
"- Quis dizer que você não deveria ficar envergonhada por não saber alguma coisa. Só é possível começar a aprender quando admitimos que não sabemos algo. Não tem problema você não ser famíliarizada com música clássica. Eu não sei nada sobre a musica que você escuta, como Adele and the Machine." pag. 78
"Agora sei que luto é uma pedra de amolar que afia todo amor, todas as suas memórias mais felizes, e os transforma em lâminas que nos cortam de dentro para fora. Alguma coisa em mim rasgada, algo que nunca mais vai cicatrizar, nunca, não importa até quando eu viva. As pessoas dizem que o tempo cura, mas mesmo neste momento, menos uma semana depois da morte do meu pai, sei que isso é mentira. O que as pessoas querem dizer na verdade é que, eventualmente, você vai se acostumar com a dor. Vai se esquecer de qum era antes dela, da sua aparência antes das cicatrizes." pag. 118
"- Toda forma de arte é outra maneira de ver o mundo. Uma nova perspectiva, uma nova janela. E a ciência... é a janela mais espetacular de todas. Dá para ver o universo através dela. - Meus pais sempre diziam isso, e por mais piegas que seja, eu acredito. Acredito neles. Sorrio para Paul. - Então, é como se tivéssemos dado para o outro mundo inteiro de presente, embrulhado com fita." pag. 147
"- Você não é a minha Marguerite. E, ao mesmo tempo... é. O essencial que vocês duas compartilham, a alma, é isso que eu amo. - O sorriso de Paul é o mais lindo e o mais lindo e o mais triste que já vi. - Eu amaria você em qualquer corpo, em qualquer mundo, em qualquer mundo, com qualquer passado. Nunca duvide disso." pag. 166
"- Antigamente pensava-se que a invenção do avião tornaria a guerra impossível. Tipo, como poderiam mobilizar tropas em segredo com pessoas olhando em cima? Mas então alguém teve a ideia de colocar bombas nos aviões e tudo mudou. Toda tecnologia que a humanidade inventa é usada para colocar os homens uns contra os outros. É só questão de tempo. Se a gente não começar a batalha, outra dimensão fará isso, e eles podem ser mil vezes piores." pag. 267
O que acharam das minhas marcações neste livro? A minha preferida é a da pag. 166!

Deixe nos comentários sua preferida!

23.1.18

{Resenha} O jardim das Borboletas

Título original: The butterfly Garden
Autora: Dot Hutchinson
Editora: Planeta
Sinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas... e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fism de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do fbi Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.
“Mas não aquela garota da sala de interrogatório. Quando lhe fizeram perguntas, ela simplesmente se virou de costas. Na opinião de todos, ela não tinha a menor intenção de ser encontrada.”
Demorei um pouco para conseguir sentar escrever a resenha desse livro incrível. Acho que colocar em palavras o que pensei e senti durante a leitura dele seria como um fechamento e eu gostei tanto da leitura que não queria que ela chegasse ao fim. 

Maya é uma jovem de, acredito, 16 a 18 anos. Uma sobrevivente, do começo ao fim da história que ela se propõe a contar para os agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, dois homens com seus próprios problemas em suas vidas e encontram naquela sala de interrogatório talvez um dos maiores mistérios que precisam desvendar e tudo o que podem contar é a participação daquela menina que não parece disposta a colaborar.

Percebemos a antipatia dos agentes em relação à Maya, pois além dela manter-se numa postura distante e sarcástica, todas as outras meninas resgatadas não querem conversar com os policiais antes de a verem. É aí então que começa o delicado trabalho dos dois agentes, conversar com aquela adolescente esperta que não irá cair na lábia do FBI.

Usando toda sua experiência com adolescentes, Hanoverian vai conquistando a confiança da estranha garota, a ajudando a contar sua história. Vejam bem, sua história... Que por acaso calha de ter como acontecimento ser sequestrada. Os agentes sabem que tem algo errado nela, só não sabem exatamente o quê. Elas os provoca, os testa até atingirem seus limites.

Conforme sua história é delicadamente contada, ela relata como foi parar no Jardim: o local onde muitas meninas passaram anos à fio, à mercê de um homem ao qual chamam de O Jardineiro. Não sabem seu nome nem quem ele é, embora o vejam todos os dias.

No Jardim, não há apenas Maya... São muitas meninas com idades entre 16 e 21 anos, de locais diferentes do país. Todas elas tem sua história e seu nome, porém não fazem uso do mesmo por uma simples razão: ele é tudo que lhes resta. 

Após ser levada para O Jardim, a novata recebe apoio durante alguns dias, até se acostumar com sua nova situação. Não interage muito com as outras, pois geralmente elas não suportam a tristeza de ver mais uma jovem presa – e a novata geralmente chora demais, causando stress nas outras que já estão ali há meses ou anos. Até que chega o dia dela ganhar suas asas...

O Jardineiro desenha nas costas das moças tatuagens de borboletas, diversos tipos e cores... E dá a elas um novo nome após possuí-las. A beleza é essencial para ele, como o ar. E ele sabe que a beleza é etérea, mesmo que você a desenhe em sua própria pele.
“Ele atravessou o quarto lentamente, a expressão demonstrando um horror crescente diante de cada ferimento visível, cada marca de mordida ou arranhão, cada hematoma ou marca de dedos. Porque o mais doente de tudo aquilo – e havia muita coisa doente para ser escolhida – era que ele realmente se importava com a gente, ou ao menos com o que pensava que éramos.”
Maya conta sua história, deixando os agentes perplexos com os toques de crueldade e beleza que ela narra. O dia-a-dia, as meninas e seus comportamentos e como lidam com a situação do cativeiro e tudo o que ela impõe. Também conta como é sua vida; sua personalidade é uma calamidade só, porém é constante. Ela é uma lutadora e sobrevivente.

Algo que pensei foi: porque elas aceitam tudo? Porque não se rebelaram? Poderiam ter dado um jeito, sei lá. Claro que sou eu, a pessoa que analisa a situação do lado de fora. Com um pouco de estratégia, talvez conseguissem sair. Oportunidades inúmeras, mas vi também a presença da Síndrome de Estocolmo; sutil, mas presente. Talvez tenha sido por isso...


A capa do livro é dura e em relevo, com uma borboleta bem grande ali. Logo eu, a pessoa com fobia de borboletas, escolheu ler um livro com elas! Mas percebi a razão, para ver o quanto elas podem ser malignas, huahuahuha! A folha amarelada e a fonte média ajudam bastante a ler continuamente, coisa que você faz com facilidade nessa obra de Dot Hutchison. A diagramação toda é recheada de borboletas – meu marido riu demais de minha expressão horrorizada ao ver as borboletas enoooormes nele!

Se gosta de um ótimo suspense policial, O jardim das Borboletas é uma ótima escolha: embora já se saiba o final, como se chega nele é eletrizante!

22.1.18

{Resenha} Polícia


Autor: Jo Nesbø
Editora: Record
Ano: 2017
Sinopse: Policiais estão sendo assassinados em Oslo. Um investigador aposentado é morto de modo brutal em um bosque nos arredores da cidade; um detetive é encontrado morto com requinte de crueldade. Ambos trabalharam em casos não solucionados. Ambos foram encontrados nos locais em que os primeiros crimes aconteceram.
Em um beco sem saída, Gunnar Hagen, chefe da Divisão de Homicídios, se alia a Beate Lønn, Bjorn Hølm, Ståle Aune e Katrine Bratt, os amigos de Harry, para encontrar o assassino antes que seja tarde demais.



Resenha:

Já faz muito tempo que carrego uma grande curiosidade em relação aos livros de Jo Nesbø, principalmente aos da série “Harry Hole”. Sempre lia as sinopses e ficava pensando no quanto eu iria adorar suas histórias, mas na correria do dia-a-dia, nunca tive a oportunidade de ler esse autor, e nem cheguei a comprar nenhum de seus livros.

Até agora pelo menos, quando recebemos o livro Polícia, o décimo livro da série. Acho que já falei em algumas resenhas que tenho um pouco de TOC e não gosto muito de ler séries fora de ordem, mesmo quando são histórias independentes. Mas nesse caso, a curiosidade falou mais alto, então me propus a conhecer o autor e seu personagem mais famoso, já no final de suas aventuras, e só posso dizer que valeu cada uma de suas 544 páginas!

Foi um pouco difícil me situar, conhecer os personagens que já fazem parte de todas as outras obras, mas apesar de ficar meio perdida às vezes, isso não afetou a história em si, mesmo sem saber os acontecimentos anteriores.

A essa altura do campeonato, Harry se aposentou da carreira de investigador, devido a fatos ocorridos anteriormente, (que você deve saber se leu Boneco de Neve) e está trabalhando como professor. Me incomodou um pouco o fato desse personagem, que deveria ser o protagonista, só aparecer lá pela metade do livro, mas acaba fazendo sentido depois. Até porque o autor começa descrevendo todo um contexto, apresentando personagens novos e antigos e criando o ambiente em que a trama irá se desenvolver.

Em resumo, tudo começa quando policiais começam a aparecer mortos em cenas de crimes que eles não conseguiram solucionar. Os membros da antiga equipe de Harry Hole se reúnem para investigar o caso, mas sentem que precisam da mente do policial especialista em assassinatos em série, que tenta ajudá-los como um tipo de consultor, mesmo sem se envolver completamente, a princípio. Mas desde o começo, sabemos que ele não vai aguentar se manter à distância por muito tempo. Sua equipe precisa dele.

Gostei bastante dos personagens, cada um com suas peculiaridades e especialidades que fazem com que sejam essenciais na resolução do caso. Mas obviamente (ou não), o que mais chamou minha atenção foi Ståle Aune, psicólogo que fez parte da equipe de Hole, mas assim como ele, afastou-se dos crimes, e segue apenas atendendo seus clientes em sua clínica, porém não é o lugar em que gostaria de estar.

“Ele sentia falta de ser o agente, aquele que intervém, aquele que salva o inocente do culpado, que faz o que mais ninguém podia fazer porque ele, Ståle Aune, era o melhor. Era simples assim. Sim, ele sentia falta de Harry Hole. Ele sentia falta do homem alto, carrancudo, bêbado, de coração grande, ao telefone, incentivando-o a cumprir seu dever cívico – ou melhor, ordenando que ele o fizesse –, exigindo que sacrificasse a vida em família e as noites de sono para pegar um dos marginais da sociedade. Só que não havia mais um inspetor na Divisão de Homicídios chamado Harry Hole, e nenhum dos outros tinha telefonado para ele.”

O primeiro suspeito a surgir durante a investigação chamava-se Valentin Gjertsen, que já era um nome ligado aos homicídios originais, que provavelmente tinham motivação sexual. Valentin havia sido acusado pela primeira vez aos 16 anos, sempre por crimes sexuais praticados contra homens, mulheres e crianças. Porém, ele estava morto. Ou não estava?

Dessa forma, a equipe começa a investigar os dois casos ao mesmo tempo. As mortes do passado, e as atuais, que aconteceram nos mesmos locais dos crimes não solucionados. Afinal, quem estava cometendo esses novos crimes deveria ter alguma ligação com os antigos. E o primeiro passo era descobrir como o assassino atraía suas vítimas para os locais dos crimes.

“Assassinos em série podem quebrar o padrão, se é o que você quer saber. Mas não acredito que isso seja obra de um imitador que decidiu continuar o trabalho do primeiro... hã... assassino de policiais. Como Harry costumava dizer, um assassino em série é uma baleia branca. Um assassino em série de policiais é uma baleia branca com pintas cor-de rosa. Não há dois.”

Foi maravilhoso acompanhar o funcionamento da mente de todos esses personagens inteligentíssimos, principalmente do protagonista, insubstituível e essencial para a equipe, que atua de forma completamente diferente com ele por perto.

Além da parte profissional, também podemos conhecer a vida pessoal de Harry Hole, os motivos que o levaram a abandonar o trabalho como inspetor, seus sentimentos mais profundos por sua família, suas angústias, além de sua esperteza quando pessoas tentam prejudicá-lo.

“Falavam sobre tudo, sem rodeios. Quase tudo. Harry nunca disse nada sobre o medo que sentia. O medo de prometer algo que ele não sabia se seria capaz de cumprir. O medo de não conseguir ser a pessoa que ele queria e precisava ser para eles. O medo de também não saber se aqueles dois poderiam ser isso para ele. O medo de não saber como alguém seria capaz de fazê-lo feliz.”


Não vou entrar muito em detalhes para não dar muitos spoilers, mas a trama é extremamente bem desenvolvida, a investigação é deliciosa de se acompanhar, e as pontas soltas vão se unindo de forma magistral até o final do livro. Estou encantada com a escrita de Jo Nesbø e não vejo a hora de ler todos os outros da série, e quem sabe, ler Polícia novamente, quando chegar sua vez.