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16.3.18

{Resenha} Palácio de Mentiras


Título Original: Twisted Palace
Autora: Erin Watt
Editora: Essência
Sinopse: 'De inimigos mortais a aliados improváveis, dois adolescentes tentam proteger tudo o que mais importa para eles. Ella Harper foi capaz de superar cada um dos obstáculos que surgiram em seu caminho. Forte e resiliente, ela está disposta a fazer o que for preciso para defender as pessoas que ama. Mas lidar com o retorno do pai desaparecido e com o namorado cuja vida está por um fio pode ser demais para a jovem.
Reed Royal tem um temperamento afiado e punhos ágeis. Mas sua habilidade para resolver problemas com violência já não é mais o bastante. Se ele quiser salvar a si mesmo e a sua garota, ele terá que superar o passado e sua reputação manchada.
Ella precisa ser forte para lidar com os Royal... isso se Reed não destruir sua própria família antes.'

Resenhas anteriores: Princesa de Papel
                                 Príncipe Partido

Primeira coisa: não pense que o que existe nesse livro entre os dois protagonistas é amor. É, na verdade, qualquer coisa que não amor.

Palácio de Mentiras é o terceiro livro de série The Royals, continuação exata de seu predecessor. Então, se não deseja spoiler dos livros anteriores, pode pular algumas partes da resenha que tudo bem.
“[...] Eu não demonstro fraquezas. Nunca. A única pessoa com quem consegui baixar a guarda foi Ella. Aquela garota tem o poder de quebrar minhas barreiras e me ver de verdade. O verdadeiro eu, não o babaca frio e insensível que o resto do mundo vê.”
Reed Royal está encrencado. Não há nada que ele consiga fazer para livrar sua bunda da prisão. Ele tenta levar a vida normalmente, mas a lembrança de que seu tempo está acabando lhe tira do sério.

Ella Harper está de mãos atadas: seu namorado está para ser preso e seu pai ressurgiu dos mortos. Um pai que está ávido para começar a ser pai, de uma filha que nunca teve uma família comum.
E é essa toda a história do livro.

Sim, exatamente.

Depois da morte de Brooke, tudo na casa Royal desmorona. Até mesmo seu poder de influência parece diminuir. Ella e Reed tem contratempos em seu relacionamento, principalmente por causa de seus familiares. Steve chegou para tentar colocar ordem em tudo e não se parece nada com a descrição que tivemos dele nos livros anteriores.

Ella deseja ajudar Reed, encontrar um modo de provar a sua inocência, mesmo tendo dúvidas que não se atreve a dizer em voz alta. A escola já não é mais o mesmo ambiente para Reed, nem mesmo as coisas que gosta de fazer lá. Todos o estão observando, poucos acreditam em sua inocência, dado seu histórico violento.

Temos uma prova de como o sistema judiciário pode funcionar quando se tem dinheiro, mas isso temos desde o primeiro livro. Se você tem muito dinheiro, tem muito poder e pode comprar a todos.
Algo positivo que vi nesse livro foi uma esperança de amizade entre duas personagens que não podiam se ver. Pelo menos, um começo de compreensão existe. Não que tudo seja absolvido, mas seria legal ver tais questões resolvidas.

Agora, a história em si, toda a questão dos Royal... Como disse, não acho que o que existe entre Ella e Reed seja amor, mas sim uma dependência forçada e doentia do rapaz. Vi que algumas meninas dizem quem “ele se redime”. Não, de modo algum. Isso não o livra dos pecados, das coisas forçadas e ofensas realizadas. O maltrato. A família toda é bizarra e acho que não dá para ficar romantizando seus comportamentos.

São todos adolescentes que cresceram com mentiras e sabendo que qualquer coisa que fizerem, o dinheiro de sua família irá resolver. Que podem esmagar qualquer pessoa que ela não tem valor. Vão me questionar nisso, mas sim. É verdade e isso fica bem claro em suas relações, quando decidem que uma pessoa já não vale mais a pena.

Enfim, as autoras conseguem prender o leitor, pois sua estória tem bons diálogos e você quer ver como tudo termina. A diagramação segue o padrão dos livros anteriores, bem confortável de ler rapidamente.

Leiam ele (assim como todos os outros livros dessa série) com cautela e com o senso crítico bem ativo!

Devido ao grande sucesso da série The Royals, as autoras irão lançar novos livros, focando em todos os irmãos da família Royal.  O próximo livro a ser lançado no Brasil será "Fallen Heir" (algo como Herdeiro Caído), e contará com a visão de Easton Royal!

Esse eu estou esperando, hehehe!



14.3.18

{Resenha} D.u.f.f.

Título Original: The D.u.f.f.
Autora: Kody Keplinger
Editora: GloboAlt
Páginas: 323
Sinopse: Bianca Piper não é a garota mais bonita da escola, mas tem um grupo leal de amigas, é inteligente e não se importa com o que os outros pensam dela (ou ela acha). Ela também é muito esperta para cair na conversa mole de Wesley Rush - o cara bonito, rico e popular da escola - que a apelida de DUFF, sigla em inglês para Designated Ugly Fat Friend, a menos atraente do seu grupo de amigas. Porém a vida de Bianca fora da escola não vai bem e, desesperada por uma distração, ela acaba beijando Wesley. Pior de tudo: ela gosta. Como válvula de escape, Bianca se envolve em uma relação de inimizade colorida com ele. Enquanto o mundo ao seu redor começa a desmoronar, Bianca descobre, aterrorizada, que está se apaixonando pelo garoto que ela odiava mais do que tudo. 

Essa foi minha segunda leitura do ano e a li bem rapidamente. Já era um livro que eu queria muito ler o adquiri recentemente. Como disse, estou em missão de começar a ler mais os livros que eu compro e dei início a esse projeto. Se terei sucesso, não sei mas não desistirei dele, huahuah! 

Eeenfim. Duff, forma abreviada de Designated Ugly Fat Friend. Traduzindo, fica algo como a garota designada como a feia e gorda do grupo. Já devem ter adivinhado a razão pela qual eu queria muito ler esse livro, né? Representatividade, people! Embora no final, a lição do livro seja meio que outra, mas okay. Vamos conhecer um pouco mais sobre a história de Bianca Piper e como ela virou uma Duff. 
“(...) Sem querer ofender, é isso que você é.” 
Bianca tem 17 anos, está saindo do ensino médio rumo a uma faculdade. Mas ainda tem que passar pelos últimos anos ali, convivendo com pessoas que não suporta e tentando sobreviver da melhor forma possível, sem maiores danos. Todos que estão no ensino médio ou passaram por ele sabem como é uma época difícil para a maior parte dos adolescentes, não é? Enfrentamos muitas coisas socialmente, que hoje como adultos pensamos: como deixei aquilo me atingir? 

Pois é. 

Suas duas melhores amigas são Jessica e Casey, duas das garotas mais bonitas da escola. São desejadas por todos os rapazes e sabem disso, mas não ligam. Só querem curtir a juventude e arrastam a amiga Bianca para as baladas, coisa que ela só vai por causa delas, não suporta o barulho e a dança irrefreada. E é numa dessas noites que Wesley Rush, o cara mais mulherengo da escola lhe informa que ela é uma Duff. Ele precisa ser bonzinho com ela para suas amigas perceberem quão legal ele é e irem para a cama com ele por isso. 

Sim. Já se sentiram usados por uma pessoa para que ela pudesse se aproximar de alguém que é seu amigo? Para além disso, também descobrir como uma parcela das pessoas podem estar lhe vendo? 

Ao ser rotulada como Duff, Bianca fica meio paranoica, tentando descobrir se era verdade. E não ligar para isso, determinada a pensar que ser Duff é uma coisa boa.
“(...)Wesley era a prova viva de que a beleza é uma característica superficial, então por que suas palavras me afetaram tanto? Eu era inteligente. Era uma pessoa bacana. Então, por que me importar se alguém me considerava uma Duff? Se fosse atraente, eu teria de aguentar sujeitos como o Wesley dando em cima de mim. Credo! Por esse lado, ser uma Duff tinha lá suas vantagens, não tinha? Ser pouco atraente não era assim tão horroso.” 
A aparência que temos dita muito, infelizmente nessa sociedade, como seremos tratados. Se somos feios, gordos, magros demais, não temos o nariz ou cabelos certos, definitivamente alguém não olhará para nós ou nos tratará como menos. E isso é ainda pior na adolescência, concordam? Ou as pessoas populares da sua escola eram todos do padrão feios? 

Bom, para além de todo drama pessoal de Bianca, há também o drama familiar. Sua mãe uma escritora de autoajuda que viaja o país para dar palestras e falar de sua obra. Seu pai finge que está tudo bem, mas quando a mãe demora meses para voltar para casa, a protagonista sabe que tem algo errado e que o pai se nega a encarar. Ex-alcoólatra, ele está por um fio de perder o equilíbrio. 

Não só ele, mas Bianca também está. E continuamente ela se cruza com Wesley Rush, o cara que não perde uma mulher em sua cama e se foca nessa relação conflituosa para não surtar. Ainda não acho comum adolescentes transando como adultos, mas acho que sou meio “antiquada” nesses quesitos. 

Com toda a complicação em sua vida, Bianca está se afundando e a coisa só tende a piorar. Uma amizade estranha se firma entre ela e o protagonista, ambos perdidos por causa de suas famílias e algumas coisas mais. 

Bianca é aquele tipo de “pessoa” que diz que está tudo bem, mesmo quando não está. E por isso ela se ferra muito, sendo o porto seguro de alguém, mas sem encontrar ninguém para se apoiar. Na verdade, ela só não quer dar trabalho para ninguém. E Wesley é tudo aquilo que esperam que ele seja, tudo o que dizem que ele é e não vê motivos para ser diferente. Ele tem um comportamento babaca e Bianca percebe isso o tempo todo e questiona muitas coisas. Tenta sempre manter o que sente às claras para si mesma, é bastante realista. 

Com sua personagem principal, a autora nos faz refletir sobre os rótulos que ganhamos e damos a todas as pessoas que nos cercam e o quanto eles podem ser injustos. Como nós também podemos acabar sendo rotuladas e rotulados do mesmo modo, por atitudes semelhantes sem nem perceber. Que sempre passamos por coisas similares ou podemos passar. Como se sentiria se passasse pela mesma situação, ou o que você sabe que aquela pessoa está enfrentando para agir de tal modo? Em qual posição você está para julgá-la? 

O livro é um banho de reflexão sobre as atitudes que temos e acredito que seja bom para qualquer idade. Rever nossos valores e olhares para o outro, bem como para dentro de nós mesmos, pensar porque fazemos tal coisa e como compensamos nossas emoções conturbadas com atos impensados e alívio imediato. 

É uma história humana que reflete como todos nós nos sentimos às vezes.

Vi que tem um filme The Duff... Mas pelo trailer, não tem muito haver com o livro... segue o trailer para quem quiser assistir!


13.3.18

{Lançamentos} Março: Companhia das Letras


Olá pessoas!

Esse é  mês que eu estava esperando! <3

Tem tanto lançamento bom esse mês que ficou muito difícil decidir por qual começar! Tem o último volume de A rebelde do deserto, gente! Como não ficar ansiosa???

Vamos conhecer quais são todos os lançamentos?

Vamos!!!

Queria que você me visse

Emery Lord



Título original: WHEN WE COLLIDEDPáginas: 352
Lançamento: 08/03/2018
Neste romance envolvente, Vivi e Jonah descobrem que, quando se encontra a pessoa certa no momento ideal, tudo muda para sempre.
Jonah Daniels vive em uma cidadezinha na Califórnia desde que nasceu. Há seis meses, com a morte de seu pai, toda a sua família teve que se adaptar: Jonah e seus cinco irmãos se tornaram responsáveis por manter a casa em ordem e cuidar do restaurante que o pai deixou. No começo do verão, porém, a vida do garoto parece prestes a seguir um novo rumo com a chegada de Vivi Alexander.
Vivi é apaixonada pela vida. Encantadora e sem papas na língua, ela se recusa a tomar um de seus remédios porque sente que ele reprime seu ímpeto de viver novas aventuras. E, ao encontrar Jonah, ela tem certeza de que está prestes a viver mais uma. Mas será que Jonah está disposto a correr os mesmos riscos que ela?

A Rebelde do Deserto #3
Alwyn Hamilton

Título Original: The hero at the fall
Páginas: 384
Lançamento: 23/03/2018
No último volume da trilogia A Rebelde do Deserto, Amani vai se deparar com a escolha mais difícil que já teve que fazer: entre si mesma e seu país.
Quando a atiradora Amani Al-Hiza escapou da cidadezinha em que morava, jamais imaginava se envolver numa rebelião, muito menos ter de comandá-la. Depois que o cruel sultão de Miraji capturou as principais lideranças da revolta, a garota se vê obrigada a tomar as rédeas da situação e seguir até Eremot, uma cidade que não existe em nenhum mapa, apenas nas lendas — e onde seus amigos estariam aprisionados.
Armada com sua pistola, sua inteligência e seus poderes, ela vai atravessar as areias impiedosas para concluir essa missão de resgate, acompanhada do que restou da rebelião. Enquanto assiste àqueles que ama perderem a vida para soldados inimigos e criaturas do deserto, Amani se pergunta se pode ser a líder de que precisam ou se está conduzindo todos para a morte certa.
A rebelde do deserto (A Rebelde do Deserto, livro 1)A traidora do trono (A Rebelde do Deserto, livro 2)

O dueto sombrio

Monstros da Violência #2
Victoria Schwab

Título original: OUR DARK DUET
Páginas: 448
Lançamento: 21/03/2018
Na sequência final de A melodia feroz, Kate Harker precisa voltar para Veracidade e se unir ao sunai August Flynn para enfrentar um ser que se alimenta do caos.
Kate Harker não tem medo do escuro. Ela é uma caçadora de monstros — e muito boa nisso. August Flynn é um monstro que tinha medo de nunca se tornar humano, mas agora sabe que não pode escapar do seu destino. Como um sunai, ele tem uma missão — e vai cumprir seu papel, não importam as consequências.
Quase seis meses depois de Kate e August se conhecerem, a guerra entre monstros e humanos continua — e os monstros estão ganhando. Em Veracidade, August transformou-se no líder que nunca quis ser; em Prosperidade, Kate se tornou uma assassina de monstros implacável. Quando uma nova criatura surge — uma que força suas vítimas a cometer atos violentos —, Kate precisa voltar para sua antiga casa, e lá encontra um cenário pior do que esperava. Agora, ela vai ter de encarar um monstro que acreditava estar morto, um garoto que costumava conhecer muito bem, e o demônio que vive dentro de si mesma.
A melodia feroz (Monstros da Violência, livro 1)

O sol na cabeça

Geovani Martins

Páginas: 120
Lançamento: 02/03/2018
Com a estreia de Geovani Martins, a literatura brasileira encontra a voz de seu novo realismo. Nos treze contos de O sol na cabeça, deparamos com a infância e a adolescência de moradores de favelas – o prazer dos banhos de mar, das brincadeiras de rua, das paqueras e dos baseados –, moduladas pela violência e pela discriminação racial.
Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades próprias da idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI.
Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais.
Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.

O bebedor de horizontes

As Areias do Imperador #3
Mia Couto

Páginas: 328
Lançamento: 16/03/2018
O volume que encerra a trilogia histórica de Mia Couto acompanha o fim da epopeia de captura do imperador Gugunhana pelos portugueses.
Mia Couto conclui sua fascinante trilogia com o romance histórico O bebedor de horizontes, que retrata a saga final do imperador moçambicano Gugunhana, o derradeiro grande governante de um império na África no século XIX. Neste último volume da trilogia, os prisioneiros do oficial Mouzinho de Albuquerque embarcam no cais de Zimakaze em um barco que parte em direção ao posto de Languene. De lá, irão seguir para o estuário do Limpopo e então iniciar a viagem marítima que conduzirá os africanos capturados para um distante e eterno exílio, em uma das ilhas dos Açores.
Com a comitiva segue Imani Nsambe, jovem negra que estudou numa missão católica e serve como intérprete entre os nativos e as autoridades portuguesas. Imani está grávida do sargento português Germano de Melo, alocado em outra parte de Moçambique. A tradutora narra os trágicos acontecimentos do final do império de Gaza, que se alternam no romance com as cartas do sargento.
Mulheres de cinzas As Areias do Imperador  #1Sombras da água As Areias do Imperador #2

Enterre seus mortos

Ana Paula Maia

Páginas: 136
Lançamento: 19/03/2018
Uma habilidosa mescla de novela policial, faroeste de horror e romance filosófico, escrito por uma das vozes mais originais da literatura brasileira contemporânea.
Edgar Wilson é “um homem simples que executa tarefas”. Trabalha no órgão responsável por recolher animais mortos em estradas e levá-los para um depósito onde são triturados num grande moedor. Seu colega de profissão, Tomás, é um ex-padre excomungado pela Igreja Católica que distribui extrema unção aos moribundos vítimas de acidentes fatais que cruzam seu caminho.
A rotina de Edgar Wilson, absurda em sua pacatez, é alterada quando ele se depara com o corpo de uma mulher enforcada dentro da mata. Quando descobre que a polícia não possui recursos para recolhê-lo — o rabecão está quebrado —, o funcionário é incapaz de deixá-lo à mercê dos abutres e decide rebocar o cadáver clandestinamente até o depósito, onde o guarda num velho freezer, à espera de um policial que, quando chega, não pode resolver a situação.
Nos próximos dias, o improvisado esquife receberá ainda outro achado de Wilson, o lacônico herói deste desolador romance kafkiano: desta vez o corpo de um homem. Habituados a conviver com a brutalidade, Edgar e Tomás não se abalam diante da morte, mas conhecem a fronteira, pela qual transitam diariamente, entre o bem e o mal, o homem e o animal. Enquanto Tomás se empenha em salvar a alma, Edgar se preocupa com a carcaça daqueles que cruzam seu caminho. Por isso, os dois decidem dar um fim digno àqueles infelizes cadáveres.
Em sua tentativa de devolvê-los ao curso da normalidade, palavra fugidia no universo que Ana Paula Maia constrói magistralmente, os dois removedores de animais mortos conhecerão o insalubre destino de seus semelhantes. Com uma linguagem seca, que mimetiza as estradas pelas quais o romance se desenrola, a autora faz brotar questões existenciais de difícil resolução. O resultado é uma inusitada mescla de romance filosófico e faroeste que revela o poderoso projeto literário de Maia.

A mulher entre nós

Greer Hendricks e Sarah Pekkanen

Título original: THE WIFE BETWEEN US

Páginas: 352
Lançamento: 16/03/2018

Um livro de suspense que explora as complexidades do casamento e as verdades perigosas que ignoramos em nome do amor.
Aos 37 anos, a recém-divorciada Vanessa está no fundo do poço. Deprimida, morando no apartamento de sua tia, ela não tem filhos, dinheiro ou amigos verdadeiros. Ao descobrir que Richard, seu rico e carismático ex-marido, está prestes a se casar de novo, algo dentro de Vanessa se quebra. A partir de agora, sua vida irá revolver em torno de uma única obsessão: impedir esse matrimônio. Custe o que custar.
Na superfície, Nellie se parece com qualquer outra jovem bela e sonhadora que veio para Manhattan começar sua tão sonhada vida adulta. Mas a personalidade tranquila que ostenta é apenas uma fachada. Em sua mente, perdura um segredo que a fez fugir de sua cidade natal e que a impede de caminhar em paz quando está sozinha.
Ao conhecer Richard – bem-sucedido, protetor, o homem dos sonhos – ela finalmente começa a sentir-se segura. Ele promete protegê-la de todos os males, para o resto de sua vida. Mas, de repente, ela começa a receber ligações misteriosas. Fotografias em seu quarto são movidas de lugar. O lenço que ela planejava usar em seu casamento desaparece. Alguém está perseguindo-a, alguém quer o seu mal. Mas quem?

"Se prepare, esse é um livro que você não vai conseguir parar de ler." — Glamour
"Surpreendente. Inesquecível. Chocante." — Publishers Weekly
"O melhor thriller doméstico desde Garota Exemplar." — In Touch Weekly

A parte que falta

Shel Silverstein

Título original: THE MISSING PIECE
Páginas: 112
Lançamento: 09/02/2018
Neste clássico da literatura infantil relançado pela Companhia das Letrinhas, acompanhamos a busca por completude e refletimos sobre relacionamentos com a poesia singela de Shel Silverstein.
“Eu quero dar esse livro para todas as pessoas que eu conheço.” — Jout Jout
O protagonista desta história é um ser circular que visivelmente não está completo: falta-lhe uma parte. E ele acredita que existe pelo mundo uma forma que vai completá-lo perfeitamente e que, quando estiver completo, vai se sentir feliz de vez. Então ele parte animado em uma jornada em busca de sua parte que falta. Mas, ao explorar o mundo, talvez perceba que a verdadeira felicidade não está no outro, mas dentro de nós mesmos.
Neste livro, leitores de todas as idades vão se deparar com questionamentos sobre o que é o amor e quanto dependemos de um relacionamento ou parceira para nos sentirmos plenamente felizes.

Heróis de Novigrath

Roberta Spindler

Páginas: 296
Lançamento: 23/03/2018
Em uma épica luta do bem contra o mal, Roberta Spindler escreve partidas emocionantes, batalhas arrasadoras e personagens cativantes. Heróis de Novigrath é um livro original e apaixonante, para quem gosta de boas aventuras.
Heróis de Novigrath é mais do que um jogo de computador. É um esporte. Uma paixão mundial que atrai milhões de torcedores fanáticos para estádios, banca equipes famosas e leva seus jogadores do chão ao topo — e vice-versa. Pedro sabe bem como uma carreira pode desabar de uma hora para a outra. Heróis de Novigrath ainda é seu grande amor, mas seus dias de glória terminaram.
Ou é o que ele pensa, até receber a visita de Yeng Xiao — seu herói favorito do game. Quando o guerreiro se materializa em sua casa, Pedro acha que perdeu o juízo, mas a verdade é que HdN é mais real do que ele poderia imaginar. Ao redor do mundo, jogadores alimentam o game com sua paixão e, sem saber, com sua energia vital. Agora, os monstros da terra de Novigrath estão a um passo de invadir o nosso mundo, e os Defensores de Lumnia precisam de um time que possa restaurar a força do lado dos heróis.
Pedro já deixou que sua ambição o derrubasse uma vez, mas Xiao tem certeza de que ele é a pessoa certa para montar o novo time. Por todo o país, cinco jovens mal imaginam a missão que os aguarda. Heróis de Novigrath é muito mais do que um jogo — é o futuro de todos eles.

Desenhados um para o outro

Aline Crumb e Robert Crumb

Título original: DRAWN TOGETHER
Páginas: 272
Lançamento: 19/02/2018
A coletânea que reúne pela primeira vez todas as HQs que Aline e Robert Crumb, o primeiro casal dos quadrinhos underground mundial, desenharam juntos.

Abrangendo quatro décadas de uma colaboração artística e romântica sem igual, Desenhados um para o outro é um retrato hilariante dos Crumb, um casal singular na sua excentricidade e adoravelmente infame. O livro documenta a saga do relacionamento boêmio dos dois, retratando a confusão, a violência e a constante (e maravilhosa) sordidez que é o dia a dia chez Crumb: colapsos nervosos, neuroses, desastres na educação dos filhos, conjunções carnais repletas de fluidos e muito mais. O escopo cronológico de Desenhados um para o outro também serve ao panorama contracultural e de exilados dos Estados Unidos por quase meio século. As histórias começam nos morros do norte californiano, com singelos passeios pela Haight-Ashbury, e vão até uma louca e malfadada aventura pelo deserto do Arizona. Os hippies dos anos 1970, os yuppies dos anos 1980, o nascimento da filha Sophie, o êxodo do casal para a França, está tudo aqui. Este volume extraordinário mostra como essas duas almas profundamente cativantes, neuróticas e atormentadas encontraram a redenção ao se autodesenhar.


Fogo e fúria

Michael Wolff

Título original: FIRE AND FURY: INSIDE THE TRUMP WHITE HOUSE
Páginas: 344
Lançamento: 06/03/2018
O relato explosivo que abalou os EUA e tornou-se a obra que o mundo inteiro lê e comenta.
Com extraordinário acesso aos assuntos da Casa Branca, o jornalista Michael Wolff revela os bastidores do governo de Donald Trump, o presidente americano mais controverso da história. Graças ao contato privilegiado com o primeiro escalão do governo do país mais rico do mundo, o autor pinta um quadro assustador de despreparo, desorganização, assédios, vaidades e guerra contra a mídia (acusada de fabricar as fake news), contra o Partido Democrata e até contra o conservador Partido Republicano, do próprio presidente. Com base em mais de duzentas entrevistas, Wolff apresenta com riqueza de detalhes revelações como:
• TRUMP E SEUS ASSESSORES MAIS DIRETOS NUNCA ACREDITARAM QUE GANHARIAM A ELEIÇÃO
• NINGUÉM NA EQUIPE DE DONALD TRUMP ACREDITA QUE ELE TEM CAPACIDADE PARA GOVERNAR OS EUA
• NINGUÉM ENTENDE O RELACIONAMENTO DE TRUMP COM A MULHER MELANIA
• A FILHA IVANKA CONTA COMO DONALD TRUMP FAZ O PENTEADO PECULIAR DE SEU CABELO
• O AUTOR REVELA QUE A POLÍTICA MODERNA SE FAZ MAIS COM O CONFLITO DO QUE COM O CONSENSO
Fogo e fúria é um livro fundamental para entender o mundo da política contemporânea.

12.3.18

{O menino que vê filmes} Oscar 2018



ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER! Se você ainda não assistiu aos filmes relacionados neste post, prossiga por sua conta e risco.

Oi gente! Semana passada assistimos à maior premiação do cinema mundial, o Oscar. 

A cerimônia super tradicional veio recheada do costumeiro glamour e, como tem acontecido de alguns anos pra cá, pautada por discursos políticos e ideológicos.

Algo que notei na cerimônia deste ano foi a fallta de surpresas. Em outras palavras, foram premiados aqueles filmes que todos já tinham mais ou menos uma noção de que seriam mesmo, sem muitas novidades.

Até o momento tive oportunidade de assistir a somente três dos indicados e eventualmente premiados. Vou deixar aqui pra vocês as minhas impressões sobre estes filmes.

Vem comigo?

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri - 2018, EUA/UK


Direção: Martin McDonagh
Elenco: Frances McDormand, Sam Rockwell, Woody Harrelson, Peter Dinklage, Caleb Landry Jones, Lucas Hedges, Zeljko Ivanek, John Hawkes
Sinopse: Inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo brutal assassinato de sua filha, Mildred Hayes (Frances McDormand) decide chamar atenção para o caso não solucionado alugando três outdoors em uma estrada raramente usada. A inesperada atitude repercute em toda a cidade e suas consequências afetam várias pessoas, especialmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby (Woody Harrelson), responsável pela investigação.

Gente, assistam. ASSISTAM!

Fazia muito tempo que eu não assistia a um filme tão intenso e verdadeiro quanto TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME. E olha que o enredo sugere algo que tinha tudo pra ser só mais um drama comum. 

Porém, a construção dos personagens e a conexão entre os mesmos deixou tudo com uma veracidade visceral.

Sam Rockwell (Dixon) e Frances McDormand (Mildred Hayes) - Dobradinha de Oscars 

Envolvente e arrebatador, TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME fala de pessoas simples, interioranas, que têm suas vidas devassadas por causa da atitude surpreendente de uma mãe inconformada com a morte da filha e insatisfeita com a incompetência da polícia local.

A mãe em questão é Mildred Hayes, interpretada com maestria por uma expressiva Frances McDormand, que não à toa levou a estatueta de melhor atriz. 

Dona de uma personalidade dura e sagaz, Mildred é uma das personagens mais "faca na bota" que o cinema já viu. Embora ela confronte diretamente o delegado Willoughby (Woody Harrelson), é o policial Jason Dixon quem rouba a cena. O presonagem ganhou vida através da interpretação espetacular de Sam Rockwell, que por sua vez ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante.


Enfim, TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME é um longa carregado de sentimento, que aborda a tênue fronteira entre o amor e o ódio, o trágico e o cômico, a culpa e a redenção. Na minha humilde opinião, merecia ter levado também o Oscar de melhor filme.

Recomendadíssimo!

A FORMA DA ÁGUA 
The Shape of Water - EUA, 2017


Direção: Guillermo Del Toro
Elenco: Sally Hawkins, Doug Jones, Michael Shannon, Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg, Richard Jenkins
Sinopse: Década de 60. Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer).

Ok. A FORMA DA ÁGUA é até bonitinho. Mas "melhor filme" acho que foi exagero.

Como bem descrito na sinopse, o filme retrata o romance entre uma faxineira muda e um anfíbio humanóide que teria sido capturado na Amazônia.

Mas o problema principal com A FORMA DA ÁGUA, na minha opinião, é que ficamos o tempo todo com a sensação de "já vi isso antes".

Ora, é impossível assistir ao longa sem lembrar de tantos outros filmes, não pelo contexto, mas por todo o resto. Só pra dar uns poucos exemplos, o filme parece uma mistura de O FABULOSO DESTINO DE AMELIE POULAIN com LABIRINTO DO FAUNO.

O personagem interpretado por Octávia Spencer parece ser o mesmo que ela interpretou em ESTRELAS ALÉM DO TEMPO. 

Doug Jones, um ator especializado em incorporar criaturas fantásticas, interpreta basicamente o mesmo personagem que viveu em HELLBOY, o Ictio Sapiens (homem peixe), que também ganhou vida pelas mãos de Guillermo Del Toro.

Doug Jones, o "monstro" de estimação de Guillermo Del Toro 

Os personagens de Sally Hawkins e Michael Shannon são altamente previsíveis. Ela, a mocinha indefesa. Ele, o malvadão com o cenho franzido e de personalidade opressora.

Pra finalizar, não entendi muito bem a necessidade de se ressaltar e enfatizar o tempo todo o sexo entre os personagens. O filme pula do infantil pro pornô numa velocidade que deixa a gente tonto tem horas.

Mas, não é um filme ruim, de forma alguma. Vá sem esperar muita novidade.

CORRA!
Get Out! - EUA, 2017


Sinopse: Um jovem fotógrafo descobre um segredo sombrio quando conhece os pais aparentemente amigáveis da sua namorada.
Direção: Jordan Peele
Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Willians, Bradley Whitford, Katherine Keener, Caleb Landry Jones

Bem, esse filme levou a estatueta de melhor roteiro original. Original, sim. "Melhor", jamais.

O filme começa muito bem, como um excepcional thriller de suspense. 

Há também a questão do preconceito racial abordada constantemente (e de forma bem pesada) durante todo o longa.

O problema é que o enredo descamba pra um Sci-Fi meio sem pé nem cabeça, o que compromete totalmente a estória.

Basicamente, Rose (Allison Willians) namora jovens negros e os atrai para a luxuosa casa de seus pais no interior. Uma vez lá, os rapazes são hipnotizados e submetidos ao que parece ser um transplante de uma parte do cérebro, tendo suas consciências aprisionadas e dando lugar a consciência de milionários brancos, uma forma de perpetuar a vida dos mesmos.

Eu confesso que estava gostando da forma como a estória vinha sendo conduzida, até que o roteiro é desviado pra essa coisa meio fantástica... Tipo, não podia ser só tráfico de órgãos? Transplante de consciência? Fala sério...

Fiquei com aquela mesma sensação de quando assisti a UM DRINK NO INFERNO. A gente tá assistindo um filme de suspense/policial e , de repente, VAMPIROS! Mas é Tarantino, né gente? É diferente.

Enfim, os envolvidos perderam uma excelente oportunidade de contar uma estória bem legal. Não perca seu tempo.

CONCLUSÃO

Ainda faltam muitos filmes do Oscar pra assistir. Vou dar prioridade pra O DESTINO DE UMA NAÇÃO e ME CHAME PELO SEU NOME. Quem sabe não rola uma parte II dessa resenha?

Até a próxima, gente!