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5.4.18

{Resenha} Operação Red Sparrow

Título Original: Red Sparrow
Autor: Jason Matthews
Editora: Arqueiro
Sinopse: Desde pequena, o sonho de Dominika Egorova era fazer parte do Bolshoi, o balé mais importante da Rússia. Após ser vítima de uma sabotagem, porém, ela vê sua promissora carreira se encerrar de forma abrupta. Logo em seguida, mais um golpe: a morte inesperada do pai, seu melhor amigo.
Desnorteada, Dominika cede à pressão do tio, vice-diretor do serviço secreto da Rússia, o SVR, e entra para a organização. Pouco tempo depois, é mandada à Escola de Pardais, um instituto onde homens e mulheres aprendem técnicas de sedução para fins de espionagem.
Em seus primeiros meses como pardal, ela recebe uma importante missão: conquistar o americano Nathaniel Nash, um jovem agente da CIA, responsável por um dos mais influentes informantes russos que a agência já teve. O objetivo é fazê-lo revelar a identidade do traidor, que pertence ao alto escalão do SVR.
Logo Dominika e Nate entram num duelo de inteligência e táticas operacionais, apimentado pela atração irresistível que sentem um pelo outro.

Acredito que este foi o primeiro livro cujo tema seja espionagem que li. Não me interessava muito sobre, mas com o lançamento do filme cuja protagonista é Jennifer Lawrence, decidi me aventurar pelas águas tortuosas onde os espiões navegam. 

Operação Red Sparrow já foi lançado pela Arqueiro com o nome de Roleta Russa. Acredito que o nome atual seja mais condizente e combine com a personagem principal. Dominika Egorova é uma jovem em seus 20 e poucos anos, exímia bailarina que, após um acidente, é sondada por Vanya Egorov: seu tio por parte de pai. 

Sua infância foi amorosa e lúdica. Sua mãe é uma violinista, uma das melhores e seu pai é um historiador, professor numa das maiores universidades da Rússia e amam seu país e educaram a filha para sentir o mesmo amor por sua pátria-mãe. 

Donos de um passado não muito claro, sempre estimularam a filha nas artes, uma vez que Dominika apresentou talento incrível para a música e para a dança, sendo que este último foi sua escolha para seguir uma carreira. Sempre determinada, era um nome a ser levado para o balé Bolshoi. Viu seu sonho se despedaçar por causa da inveja e logo em seguida foi abalada com a perda do pai, que tanto amava. Meio sem rumo e decidida a mostrar quem manda, acaba por aceitar o pedido do tio de ajuda-lo em uma missão especial. 

De energias renovadas, com uma fúria crescente em seu peito, ela aceita trabalhar para a SVR: o Serviço Secreto da Rússia. 

Passamos com ela pela escola de cadetes (não achei palavra melhor para definir, huahuaha), a única mulher em meio a um bando de homens. Sendo classificada como uma das melhores de sua classe, foi delegada para a escola de pardais: onde novos agentes, homens e mulheres, são ensinados a seduzir seus informantes, a formar com eles vínculos de dependência. Humilhada, Dominika aceita a proposta como uma forma de ir contra esse sistema, como vingar-se por tudo o que estes homens fazem com ela. 

Pronta para o trabalho de campo, a jovem é designada para um importante trabalho: tirar de um agente da CIA a informação de quem, dentro do SVR, está trabalhando para eles. 

Nathaniel Nash é um rapaz que vai contra tudo o que sua família prega. Não deseja apenas dinheiro, deseja provar que também pode ser útil para seu país. Depois de uma missão que não deu muito certo, é designado para Helsink, onde acaba conhecendo a bela Dominika Egorova, uma funcionária da embaixada russa em Helsink. 

Quem enganará quem, nesse engodo em que todos parecem prontos para devorar um ao outro. 

O livro é narrado em terceira pessoa, no começo com o ponto de vista de Nathaniel, depois Dominika... Na verdade isso varia bastante no decorrer das páginas, mas o foco principal é a jovem russa. Vemos todo seu trajeto: desde a escola de balé, um pouco de sua infância e até mesmo conhecemos a vida de seus pais. É uma história em que você aprende que nem tudo o que você vê em uma pessoa é real, todos nos protegemos atrás de máscaras e muros e não é diferente com a família de Dominika. Acredito que a única pessoa que não esconde quem é de fato é seu tio Vanya, um homem nojento e asqueroso que se aproveita dos sonhos e fragilidades das pessoas que trabalham para ele. A própria ambição desmedida em pessoa. 

Há muitos bons personagens na história de Matthews, que mostram que nem só do lado da CIA existem pessoas conscientes e boas. O Coronel Korchnoi é um exemplo de integridade, já há muitos anos na ativa. Possui ambições mas é muito humano, pelo menos é o que vemos através dos olhos de Dominika. Há muitas pessoas que estão disposta à ajuda-la em seus planos, também já bastante conhecedoras do sistema russo. Gable e Forsyth são dois personagens hilários, extremamente profissionais no exercício de seu trabalho e sabem como fazer seu trabalho de modo excelente. 

Algo que me fez demorar muito com a leitura e fiquei chateada por isso. Não com a história, mas comigo mesma! O livro possui muitas partes de intriga que torna tudo mais longo, poucos momentos de ação em si. É incrível o modo como tudo é planejado, como funciona de fato a coisa de recrutar informantes, como as pessoas querem avançar em suas carreiras pisando nas outras... Mas tornou para mim a leitura lenta. 

Uma coisa que me incomodou bastante no começo do livro foi a quantidade de machismo escancarado. Já começa pelo fato de que a mulher não pode tentar ser um agente de campo comum, mas sim tem que tentar seduzir e levar para a cama. Dominika é abusada diversas vezes, nem sempre fisicamente, mas mentalmente também. Depois de conversar com algumas pessoas e refletir um pouco, acredito que a obra reflita de fato como é ser uma mulher nesse meio. Mas acho que algumas cenas foram colocadas fora de hora e desnecessariamente, não encaixando nenhum pouco nas cenas. Tirando isso, é uma boa história de espionagem. 

A capa é inspirada na adaptação cinematográfica, lançada no dia 1 de março. A fonte é media e os capítulos são grudados um no outro, sem aquela separação de fim de folha, etc. Bastante simples e objetivo. Para quem gosta do gênero, Jason Matthews é uma excelente pedida! Escreve com a voz da experiência, uma vez que ele já esteve por dentro de todo esse jogo de espionagem! 

Não podem perder!

Segue o trailer da adaptação:



4.4.18

{Resenha} Justin





Autor: Gauthier
Editora: Nemo
Nº de Páginas: 104
Classificação: 3/5
Sinopse: Quando o professor de Educação Física pede para a turma formar uma equipe de meninas e uma de meninos, Justine permanece no meio. Ela sente que não pertence ao gênero que lhe foi atribuído, mas está convencida de que todo mundo sabe disso, exceto seus pais.

Ao longo de sua vida como criança, adolescente e jovem adulta, muitas vezes maltratada e incompreendida, Justine, por fim, compromete-se a viver como quem ele sempre foi, isto é, Justin.

Justine desde criança nunca foi de brincar com bonecas ou ser vaidosa,era bem moleca e gostava de brincar com os meninos,por mais que ela dissesse que não era uma garota todos riam dela. 


Por vezes ela tentou contar a mãe mas era sempre ignorada,e ao longo do tempo ela só ficava mais e mais confusa do que realmente ela era,se menino ou menina,apesar de que em sua cabeça ela sempre afirmar que era um menino preso em um corpo de menina ela não sabia nomear o que estava sentindo,até que ela passou a esconder o próprio corpo com roupas largas pra não ver o desenvolvimento de seu corpo.

Através de uma amiga ela finalmente obteve uma resposta que sanaria suas dúvidas e a partir daí ela foi atrás de saber o que realmente se passava com ela,depois de tantas descobertas ela passou a ser o que tanto desejou sua vida toda.. ser Justin!!

Não é segredo pra ninguém que eu curto Hq's e pela temática fiquei bem curiosa sobre esse livro e sério mesmo acho que todos deveriam ler esse livro tão simples mas com uma lição de vida tão grande,um tema ainda considerado um Tabu pra muita gente a transexualidade.

Super recomendo a leitura,é um livro fininho que em poucos minutos da pra concluir a leitura mas confesso que esperava mais,mas pra quem ainda tem dúvida sobre o tema indico começar por ele.

2.4.18

{Resenha} Ela não é invisível


Título Original: She is not invisible
Autor: Marcus Sedgwick
Editora: Galera Record
Sinopse: Laureth é uma adolescente cega de 16 anos, e seu pai é um autor conhecido por escrever livros divertidos. De uns tempos pra cá, ele trabalha em uma obra sobre coincidências, mas nunca consegue termina-la. Sua esposa acha que ele está obcecado e prestes a ter um ataque de nervos. Laureth sabe que o casamento dos pais vai de mal a pior quando, de repente, seu pai desaparece em uma viagem para a Áustria e seu caderno de anotações é encontrado misteriosamente em Nova York.

Convencida de que algo muito errado está acontecendo, ela toma uma decisão impulsiva e perigosa: rouba o cartão de crédito da mãe, sequestra o irmão mais novo e entra em um avião rumo a Nova York para procurar o pai. Mas a cidade grande guarda muitos perigos para uma jovem cega e seu irmãozinho de 7 anos.

Me atraí por esse livro por causa da capa: tons de azul, a bela silhueta de uma jovem em pose reflexiva, a disposição das letras. Não houve uma coisa na capa que não gostei. E o mesmo posso dizer da história, que li vorazmente durante uma viagem que fiz à Belo Horizonte - MG (são oito horas de viagem da cidade em que moro até a cidade-objetivo).

O livro é repleto de reflexões que também lhe fazem refletir. Apesar de jovem, Laureth Peak já experimentou mais coisas do que muitas pessoas na mesma idade. Não apenas o fato dela ser cega desde seu nascimento, mas o modo como ela aprendeu a pensar acerca disso. O que nos leva a pensar também o quanto julgamos pessoas incapazes por terem algum tipo de deficiências, o quanto as pessoas olham penalizadas para um deficiente físico e muitas vezes agem como se o mesmo tivesse muitas vezes algum transtorno cognitivo também. Ela relata o quanto se sentia invisível quando as pessoas se dirigiam à sua mãe para saber sobre seus gostos ou o que ela queria e não à ela (Laureth) mesma.


Tem muita gente (como os esportistas) por aí, muita gente realmente boa no que gosta de fazer que você até esquece que elas não enxergam, ou não tem uma mão ou um braço ou uma perna.

E nossa jovem protagonista prova isso para todos quando consegue passar de um país a outro sem ninguém perceber ou dar atenção maior à sua deficiência, pois isso poderia significar o fim de sua empreitada. Ela e Benjamin, seu irmão de sete anos, tomam em suas mãos a busca pelo pai desaparecido, uma vez que sua mãe parece não se importar muito com esse fato. O que a leva a pensar “n” razões justificando a falta de interesse da mãe. Uma delas é o quanto a culpa pode arremeter nos filhos de casais que se separam por exemplo; a falta de observação, a raiva, o egoísmo... O “E se...”.

O livro também nos faz pensar o quanto nossas obsessões podem nos cegar. Quando “enfiamos” uma coisa em nossas cabeças, é difícil pensar o contrário e geralmente só depois de apanhar muito da vida aprendemos a ver as coisas sob outro olhar. Ela precisou sentir uma enorme culpa para pensar que talvez tenha tomado a atitude errada, que talvez seguir seus instintos possam colocar muita coisa em risco, se não analisar bem as consequências.

O livro nos traz a apresentação de muitas teorias interessantes, autores como Jung e Poe são muito citados no livro todo. Mostra a teoria conhecida como Sincronicidade e como vários outros autores escreveram sobre ela, sob nomenclaturas diferentes. Torna muito interessante e de um jeito simples, de modo que até Benjamin pôde entender um pouco sobre o que seu pai escrevia.

E o próprio Benjamin é uma peça à parte. Um menininho maduro que tenta apoiar a irmã a todo instante, tão sério que às vezes nos faz até esquecer que é só uma criança de sete anos. Ele também tem uma característica própria, assunto também tratado em teoria no livro, mas prefiro deixar para vocês descobrirem por si mesmos o que é!

Eu amei a leitura, possui um final lindo que prova que momentos de tormenta só servem para fortalecer os laços com quem amamos, se for esse o caminho que se decida seguir.

Recomendadíssimo!