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4.7.18

{Resenha} O Iluminado - Stephen King



Título Original: The Shining
Editora: Suma de Letras
Sinopse: O lugar perfeito para recomeçar, é o que pensa Jack Torrance ao ser contratado como zelador para o inverno. Hora de deixar para trás o alcoolismo, os acessos de fúria e os repetidos fracassos. Isolado pela neve com a esposa e o filho, tudo o que Jack deseja é um pouco de paz para se dedicar à escrita.
Mas, conforme o inverno se aprofunda, o local paradisíaco começa a parecer cada vez mais remoto... e sinistro. Forças malignas habitam o Overlook, e tentam se apoderar de Danny Torrance, um garotinho com grandes poderes sobrenaturais.
Possuir o menino, no entanto, se mostra mais difícil do que esperado. Então os espíritos resolvem se aproveitar das fraquezas do pai...
Um dos livros mais assustadores de todos os tempos, O iluminado é uma das obras mais consagradas do terror.
Seguindo a saga de livros do Stephen King, ler O Iluminado era uma de minhas prioridades e tenho de admitir que acertei na escolha. O livro ressignificou a palavra suspense e mostrou, de uma vez por todas, porque King é literalmente o rei nesse ramo. 

Neste thriler de suspense escrito com maestria, acompanhamos a intimidade da família Torrance, seu passado obscuro e sua busca por um recomeço. Toda a história orbita em volta de Danny, o garoto de 8 anos que tem a capacidade de ouvir pensamentos, ver lapsos do futuro e conversar com pessoas que já faleceram - o que o caracteriza como um "iluminado". Entretanto, essas habilidades não lhe dão nenhuma ajuda quando seus pais escolhem um isolado hotel de luxo com um passado sangrento e uma enorme sede de vingança como marco do recomeço da família Torrance.

A decisão de isolar-se no grande Overlook não foi voluntária, mas sim condicionada por uma família em declínio que precisava de um bote salva-vidas urgentemente. Jack Torrance, o patriarca, é um ex-alcoolatra aspirante a escritor que, após ser demitido de seu emprego como professor por agredir um aluno durante um acesso de fúria, teve de aceitar a única chance de evitar a falência total: um emprego como zelador durante o inverno no Hotel Overlook. Wendy, sua mulher, acha que um pouco de ar fresco e tempo em família vão fazer bem para o marido em recuperação e para o filho, Danny, que costuma ter convulsões inexplicáveis.

Danny, seu filho iluminado, percebe que a escolha feita por seu pai de isolar-se num hotel de história obscura não é a melhor opção para um recomeço. Entretanto, antes que eles descobrissem a verdade sobre as forças que regiam aqueles corredores antigos, os espíritos do grande hotel Overlook já haviam obtido controle sobre Jack. Com constantes pensamentos intrusos de que a mulher quer domesticá-lo e de que o filho é um bebê chorão que só dá problemas, Jack se transforma em outro homem. Tem alucinações frequentes, conversa com desencarnados, não dorme. Vive em um eterno pesadelo e carrega sua família para dentro dele. A salvação depende de Danny, o garoto iluminado que tem suas forças drenadas pelos espíritos do Hotel.

É impossível não desenvolver total empatia por Jack, um homem falido, assombrado pelos erros de seu passado, tentando a qualquer custo manter-se na linha e dar a volta por cima. Danny é, obviamente, o astro desse livro; demonstra uma maturidade extrema, até mesmo surreal para seus 5 anos de idade. Já Wendy, diferente do filho, não brilha tanto assim. Nas páginas finais, nos surpreende positivamente, mas permanece apagada no restante do livro. Outros personagens, embora estejam menos presentes na história - como Tony e o cozinheiro iluminado Hallorann - têm maior destaque do que a mãe de Danny.

Cada personagem é abordada de maneira individual e profunda, o que ajuda na construção da empatia durante a leitura. É impossível não desenvolver total empatia por Jack, um homem falido, assombrado pelos erros de seu passado, tentando a qualquer custo manter-se na linha e dar a volta por cima. Até mesmo quando as forças do Overlook o dominam, é difícil vê-lo como um vilão. Além da abordagem individual, os flashbacks frequentes também ajudam na construção dos personagens, trazendo à tona narrativas que explicam a maneira de agir e de pensar que cada um dos integrantes da família Torrance possui.


Este é, de longe, o melhor livro dele que li até agora. O Iluminado faz jus à toda sua fama e ressignificou as palavras suspense e terror para mim. Do meio para o fim, ler esse livro antes de dormir era a pior escolha que eu poderia fazer. Perdi as contas de quantas vezes fiquei paranóica com barulhos em casa, revirando na mente as cenas que li minutos antes - agora eu estou rindo da minha loucura, haha, mas na hora... ô, sofrimento! 

OBS: 37 anos depois do lançamento de O Iluminado, a continuação dessa trama foi lançada nos EUA na obra Doutor Sono, que também já está disponível na Suma de Letras. Quem vou correr pra comprar? o/


2.7.18

{O menino que vê filmes} Peaky Binders - Sangue, Apostas e Navalhas.



Autoria e Produção: Steven Knight e Caryn Mandabach 
Elenco: Cillian Murphy, Tom Hardy, Helen McCrory, Annabelle Wallis, Sean Neil, Paul Anderson, John Cole, Adrien Brody, Iddo Goldberg, Ned Dennehy, Andy Nyman, Charlie Murphy 

ATENÇÃO – ALERTA DE SPOILER! Se você não assistiu a série em questão, prossiga por sua conta e risco 

Oi gente! Hoje venho trazer uma série que já está há 5 anos no ar pela BBC, mas que só agora começou a cair no gosto da galera, sobretudo fãs (orfãos) de Sons Of Anarchy e Breaking Bad. 

Dona de uma fotografia e trilha sonora sensacionais, Peaky Blinders, entra com o pé na porta desde o primeiro episódio e, se antes era pouco conhecida, já vem conquistando espaço entre as séries mais memoráveis dos últimos 10 anos. 

A série tem 4 de suas 5 atuais temporadas disponíveis na Netflix, é só relaxar e aproveitar! 

Vem comigo?

Ambientação


A série se passa em Birmingham, Inglaterra, por volta de 1919, contando a história dos Peaky Blinders, uma violenta gangue de imigrantes irlandeses vindos de Belfast que vivem de negócios escusos, sobretudo as apostas ilegais nas corridas de cavalos. Como toda gangue, os Peaky Blinders estão em constante luta por território e pela posse dos negócios alheios, cobrando pela proteção proteção aos comerciantes locais e sobrevivendo na Inglaterra pós Primeira Grande Guerra. 

Viseiras de Pico?

O nome Peaky Blinders significa, literalmente, “viseiras de pico” ou bonés cortantes, devido ao fato de os membros da gangue usarem boinas com navalhas costuradas na parte traseira, constantemente usadas como armas capazes de retalhar os rostos de seus inimigos. Embora, na série, os Blinders sejam denominados como gangue, talvez o nome máfia seria mais apropriado, dado o caráter familiar da organização. Os membros centrais são os irmãos Tommy, Arthur e Finn Shelby e sua tia Elisabeth (Polly) Shelby, contadora e conselheira do grupo. 

Os irmãos Shelby sofrem de estresse pós traumático, tendo sido condecorados como heróis de guerra. 

Trilha Sonora 

Nick Cave and The Bad Seeds 
Talvez o ponto alto da série, a incrível trilha sonora de Peaky Blinders impressiona, quase toda ela comandada por músicas muito bem colocadas do fantástico Nick Cave e de PJ Harvey. 

White Stripes marcou muitos pontos na sonorização da primeira temporada. Raconteurs, outra banda de Jack White, também teve forte presença. Até Dead Weather surgiu em um momento.

Na mesma pegada que juntou clima de gângster e alta música independente, Tom Waits e Johnny Cash também tem seu lugar garantido.

The Kills, Queens of the Stone Age surgem numa cena da terceira temporada. Até novos como Royal Blood e Laura Marling foram bem selecionados. Sem esquecer, é claro, da fabulosa Black Rebel Motorcycle Club.

Em um certo período da segunda temporada e em praticamente toda a terceira, quem manda no som é o grupo Arctic Monkeys. 
Black Rebel Motorcycle Club 





Resumindo, vale assistir só pela trilha sonora!






CONCLUSÃO 

Séries envolvendo imigrantes irlandeses, que são um povo bravo, trabalhador e de sangue quente não são novidade. Mas Peaky Blinders merece ser assistida com carinho… Fica aqui a minha recomendação! 

Até a próxima, gente!