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3.8.18

{Resenha} O Dueto Sombrio



Título Original: Our dark duet
Autora: Victoria Schwab
Editora: Seguinte
Sinopse: Na sequência final de A Melodia Feroz, Kate Harker precisa voltar para Veracidade e se unir ao sunai August Flynn para enfrentar um ser que se alimenta do caos.
Kate Harker não tem medo do escuro. Ela é uma caçadora de monstros — e muito boa nisso. August Flynn é um monstro que tinha medo de nunca se tornar humano, mas agora sabe que não pode escapar do seu destino. Como um sunai, ele tem uma missão — e vai cumprir seu papel, não importam as consequências.
Quase seis meses depois de Kate e August se conhecerem, a guerra entre monstros e humanos continua — e os monstros estão ganhando. Em Veracidade, August transformou-se no líder que nunca quis ser; em Prosperidade, Kate se tornou uma assassina de monstros implacável. Quando uma nova criatura surge — uma que força suas vítimas a cometer atos violentos —, Kate precisa voltar para sua antiga casa, e lá encontra um cenário pior do que esperava. Agora, ela vai ter de encarar um monstro que acreditava estar morto, um garoto que costumava conhecer muito bem, e o demônio que vive dentro de si mesma.

Essa resenha pode conter spoiler de A Melodia Feroz, primeiro livro da duologia Monstros da Violência.

Ao fim de A Melodia Feroz temos que a cidade de Veracidade está prestes a se transforma em um caos. Aqui nesse segundo livro, a desordem já está instalada há seis meses. Seis longos meses que August Flynn e seu esquadrão tentam colocar ordem em toda a cidade, seja do lado sul ou do norte.

Kate Harker se encontra na cidade de Prosperidade caçando os monstros que estão começando a tomar forma por lá. Porém, um monstro diferente e mais forte surge levando-a de volta para um lugar que ela nunca pretendia voltar, Veracidade. Agora ela precisa deter esse novo monstro que pode fazer os humanos se voltarem um contra outro e também reencontrar August.


Os dois protagonistas estão mais fodões do que nunca nesse livro! O amadurecimento que os acontecimentos de A Melodia Feroz trouxe se mostra muito evidente. Kate enfrenta monstros como se fosse brincadeira de criança e August finalmente aceitou sua condição de monstro. Porém, tudo isso pode os levar a caminhos sem volta e as consequências de cada ato estão em jogo.

O Dueto Sombrio vem para fechar a duologia, mas acaba não fechando muita coisa. Victoria Schwab trás nesse livro novos personagens, alguns deles são até carismáticos, mas infelizmente acaba não sendo usados. São deixados de lado. Eu passei uma parte do livro esperando um reencontro, algo que fizesse a guerra contra os monstros ter um significado ainda maior. Uma pena que a autora me decepcionou nesse ponto.

Mas e a parte boa? O livro é carregado de tensão. Juro que eu via tudo como se fosse um fio bem esticado que estava apenas esperando um mero puxão para fazer tudo desabar ao redor. O clima em O Dueto Sombrio é bem mais pesado do que A Melodia Feroz, o que dá uma dinâmica bem diferente à história. Gostei desse fato, pois mostra bem as diferenças que a queda de Callum Harker e a ascensão dos monstros trouxe à toda Cidade de Veracidade.


Victoria Schwab não tem medo de nos torturar com as cenas de ação e sangue. Se ela quer algo sombrio, ela faz com perfeição nem que para isso nosso coração seja torturado e não possa mais se recuperar.

2.8.18

{Resenha} Fortaleza Negra


Autora: Kel Costa
Editora: Ler Editorial
Sinopse: NÃO TEMA! NÃO SE ENTREGUE! RESISTA!
O que aconteceria se a humanidade ficasse no meio de uma guerra sem precedentes entre criaturas poderosas, de duas espécies predadoras e extremamente perigosas?
Em um mundo completamente diferente de tudo que conhecemos até então, começa a aventura de uma adolescente rebelde e atrevida, que enfrentará os mais temidos vampiros e seres mitológicos, para conquistar uma posição de respeito, graças à sua força e coragem. 




Olá! Acho que muitas das pessoas que frequentam o blog fizeram parte da onda de vampiros que surgiu após a série Crepúsculo, de Stephanie Meyer, não é? Eu já havia passado da adolescência e ainda assim li todos os livros e assisti aos filmes. Mas desde antes disso, eu sou apaixonada por vampiros e toda a mítica que os cercam. Fillmes, livros, séries... Tudo vale a pena ser experimentado. 

E foi isso que me levou a ler Fortaleza Negra, de Kel Costa. Sempre ouvi e li muitas coisas boas a respeito da autora, então agarrei a chance de conhecer sua versão dessas criaturas que tanto fascinam. 

Aleksandra - Sasha - Baker é uma adolescente comum: cabelos coloridos, rebelde, com alguns bons amigos. Seu pai é um biólogo famoso, sua mãe parece ser uma dona de casa. E há também seu irmão, Victor, que é uma peste... O normal para irmãos mais novos. Helena é sua melhor amiga e a assusta com uma informação: seu pai viu um centauro. 

Centauros e Minotauros são os temidos seres mitológicos que estão destruindo cidades ao redor do mundo. Ninguém consegue pará-los... Exceto os líderes mundiais, os vampiros. 

Sim. O mundo é dominado por vampiros, que, ao observar anos atrás que os humanos estão se destruindo, decidiram tomar as rédeas do destino. Acabaram as guerras, assumiram o mais alto posto e criaram uma cidade fortaleza, chamada de Fortaleza Negra e situada na Rússia. Quem domina tudo são 5 mestres: Nikolai, Vladimir, Nadia, Mikhail e Klaus. Da Fortaleza Negra eles imperam os outros continentes, que tambpem possuem suas fortalezas e vampiros responsáveis por elas. 

Por causa do pai, a família Baker é levada até a Fortaleza Negra para morar. Para Aleksandra isso é arrasador, uma vez que todos seus amigos ficaram para trás. Mas ela vai se acostumando e faz dois novos amigos: Lara e Kurt. 

Porém, mesmo por trás dos muros fortificados da Fortaleza eles não estão seguros. Se os vampiros estavam fora da guerra entre humanos e mitológicos, agora eles tem uma razão para se envolver. 

Aleksandra tem o habito de se envolver em encrenca por causa de seu jeito conflitante, o que a deixará mais próxima do amor... Mas também da morte. 

A autora descreve bem o mundo que criou, usando elementos da história real com a estória fictícia que ela conta. Passa por vários fatos históricos misturando seus vampiros a eles. Embora interessante, achei que me fez enrolar um pouco com a leitura. 

Há um romance no livro entre vampiro e humano que também me deixou meio "assim". Sei que são vampiros, e por isso mesmo que não gostei muito. Apesar de ser a criatura toda-poderosa, se deixa render a encantos humanos e até obedece a pequena criatura, embora o tempo todo a relembre de sua insignificância. Eu gostei do livr no geral, mas como citei no começo... Me lembrou Crepúsculo com um pouco mais de violência e com uma personagem principal mais ativa. 

A escrita da autora é boa, pois após todas as descrições necessárias, ela foca no momento. E seu foco é o romance existente entre a pessoa e o vampiro, não as intrigas que podem surgir com a supremaciavampiríca, 

Neste mundo, os humanos sempre serão a comida, não importa qual lado vença.

1.8.18

{Resenha} Minha Querida Sputnik




Título Original: Sputnik Sweetheart
Autor: Haruki Murakami
Editora: Alfaguara
Sinopse: Em Minha Querida Sputnik, Haruki Murakami nos apresenta um Japão de restaurantes sofisticados e cores vibrantes, e nos leva ao centro de um triângulo amoroso arrebatador e, ao mesmo tempo, incomum.
K. é um jovem professor que vive em Tóquio e é apaixonado por Sumire, sua melhor amiga, uma garota que largou os estudos para se tornar escritora. A vida dela se resume aos livros: eles não só definem o seu dia-a-dia de leitora voraz como também o modo de se vestir.
Mas a chegada de Miu, empresária bem-sucedida e casada, muda o destino de todos. Sumire é tomada por uma paixão avassaladora e, seguindo Miu aonde ela for, acaba criando para si uma armadilha aparentemente sem saída. E K., fascinado por Sumire e nunca correspondido, fará o impossível para salvá-la.
Minha Querida Sputnik é uma história de amor e mistério. A solidão e a fragilidade dos relacionamentos são protagonistas neste romance sedutor, em que Murakami constrói um triângulo amoroso poucas vezes visto na literatura.
“Devorar livros era tão natural para nós quanto respirar. Cada momento de folga, nos instalávamos em um canto quieto, virando páginas interminavelmente.”
Sabe a sinopse? Não está totalmente certa (risos), o livro é um pouco diferente. Vi sobre “Minha Querida Sputnik em algum lugar que agora não me recordo e acabei por me interessar. Quando chegou em minhas mãos logo li o primeiro capítulo, que me prendeu rapidamente. Todos as histórias desse autor tem esse efeito em mim, não é atoa que estou sempre lendo seus trabalhos.

Mas vamos lá, a história é narrada na visão do amigo de Sumire, K., um professor de ensino fundamental que é apaixonado pela principal. Em certas partes a narração chega a ser assustadora, afinal, Sumire nunca gostou de K romanticamente, mas ele é louco por ela, não entende o motivo de ela não ver nada nele e nem por que ela não tem desejo sexual por ninguém além de Miu.

Em uma ou duas cenas tem a narração do que ele quer fazer com Sumire quando o mesmo a ajuda na mudança, e devo dizer que não é muito legal (risos). Com isso tenho que concordar com minha namorada que, após ler a cena que pedi me disse “É por isso que não leio livros com romance lésbico escritos por homens.”

Bom, acho que estou perdendo o foco aqui, talvez esteja confuso (risos). Como disse antes, quem narra a história é K, por ele sabemos toda a história de Sumire, como e por que ela largou a faculdade, seu convívio com pais e como ela conheceu Miu, assim como tudo que passaram juntas.
“Adorava ler romances por distração, mas não escrevia bem o suficiente para ser um romancista; ser editor ou crítico também estava fora de questão, já que as minhas preferências eram extremas. Os romances eram para o puro deleite pessoal, achava eu, não faziam parte de estudo ou trabalho.”
Através de suas palavras temos uma Sumire que nunca se apaixonara, escreve romances incríveis mas não sabe como organiza-los, isso não os deixa perfeitos, não trabalha e nem tem uma aparência e gosto de roupas bons.
“Sumire queria ser como um personagem de um romance de Kerouac – selvagem, fria, devassa. Andava por aí com as mãos enfiadas no fundo do bolso do casaco, o cabelo despenteado, olhando apaticamente para o céu através de seus óculos de armação preta de plástico, que usava apesar de sua vista perfeita. [...] Se houvesse um jeito de ela ter barba, estou certo de que a teria.”Até que conhece Miu durante a festa de casamento de um parente. Miu é uma coreana que largou seus sonhos para assumir a empresa de seu pai, importa e exporta vinhos, viaja para todos os lugares do mundo visitando as vinícolas e fazendo acordos.
Com uma pequena conversa, Miu convece Sumire a trabalhar para ela, dizendo a Sumire que precisa ainda de experiência para se tornar uma boa escritora, por isso precisa mudar de vida, usar a escrita como algo secundário, até que tenha uma experiência maior.
"A partir desse dia, o nome particular de Sumire para Miu foi Querida Sputnik, Sumire adorou o som da expressão. Fazia com que pensasse em Laika, a cadela. O satélite feito pelo homem riscando a negritude do espaço sideral. Os olhos escuros, brilhantes, da cadela olhando fixo pela janela minúscula. Na solidão infinita do espaço, para o que a cadela poderia estar olhando?".
Nossa Sumire se apaixona perdidamente.
“Um amor de proporções realmente monumentais. A pessoa por quem Sumire se apaixonou era, por acaso, dezessete anos mais velha do que ela. E casada. E devo acrescentar, era uma mulher”.
(Mas é claro que o Senhor K, não pode reclamar de Sumire amar uma mulher casada, ele dorme com a mãe de um dos alunos que é casada e perdidamente apaixonada por ele.)

Trabalhando com Miu, Sumire aprende italiano, cuida do escritório, anota telefonemas e recados e no tempo livre pode ler e escrever o que quiser.

Com seus ganhos, adquire um apartamento maior e mais perto do trabalho, onde K a ajuda com a mudança e combinam de jantar juntos. Mas o jantar não acontece, Sumire viaja a trabalho com Miu, onde passam muitos dias juntas.

Sumire envia cartas para K contando as histórias das viagens e de um descanso na Grécia. E é aí que surge um problema. K recebe uma ligação de Miu pedindo urgentemente que ele vá para a Grécia, algo acontecera com Sumire.

Essa parte nos dá mais detalhes da vida de Miu e dos dias que ela passara com Sumire.
"Então me ocorreu que, apesar de sermos companheiras de viagem maravilhosas, no fundo, não passávamos de duas massas solitárias de metal em suas próprias órbitas separadas. A distância, parecem belas estrelas cadentes, mas, na realidade, não passam de prisões, em que cada uma de nós está trancada, sozinha, indo a lugar nenhum. Quando as órbitas desses dois satélites se cruzam, acidentalmente, podemos estar juntas. Talvez, até mesmo, abrir nossos corações uma à outra. Mas só por um breve momento. No instante seguinte, estaremos na solidão absoluta. Até nos queimarmos completamente e nos tornarmos nada."
Não posso falar muito mais, ou contarei todo o livro. Uma coisa que podemos observar novamente com “Minha Querida Sputnik” é como segue o padrão de Murakami com o “mundo de lá”, o que é esse “mundo”? Acho que ninguém sabe, mas é algo bem presente em seus romances.

Não sei o quanto gostei desse livro, não gostei nem um pouco da sofrência de K por Sumire. É claro que ela só o vê como amigo, tem assuntos que ele não sabe como conversar com ela, embora ela queira falar sobre e tem as ligações de madrugada dela para ele e ainda as falas dela dizendo que sentiria falta dele e etc, mas repito, é algo de amizade, para Sumire, K é um amigo insubstituível.
“Ela me observou atentamente por um certo tempo, como se eu fosse uma máquina movida por uma fonte até então desconhecida. Perdendo o interesse, olhou para o teto, e a conversa mingou. Não adianta falar disso com ele, ela deve ter concluído.”
Tive a curiosidade de procurar a capa original japonesa e, apesar de simpleszinha, achei bonita e perfeita para o livro. A capa daqui não achei muito interessante, mas as cores são atrativas.
A resenha acabou ficando enorme (risos), usei muitos trechos do livro dessa vez, mas tem muito mais que gostaria de colocar, um mais bonito que o outro.

Enfim, espero que deem uma chance ao “Minha Querida Sputnik” e seus personagens!

31.7.18

{Resenha} Nada a Perder



Título Original: Roughneck
Autor: Jeff Lemire
Editora: Grupo Autêntica – Nemo
Sinopse: Derek Ouelette costumava ser alguém. Promessa do hóquei, ele agora nada mais é do que a sombra do ídolo que um dia poderia ter sido. Um bêbado, sacana, violento, leva uma vida esquecida por todos em uma vila esquecida por todos. Um dia, no entanto, algo invade sua história e o coloca diante de uma escolha impossível. Uma escolha que só pode ser feita por um homem que não tem nada a perder.

Quando a editora parceira nos encaminhou essa Graphic Novel para ler, eu escolhi sem saber o quão pesado e realista é a história de Derek Oulette, um ex-jogador de hóquei cuja vida é o resto do que poderia ter sido.

Vi que o autor tem outras HQ’s do mesmo gênero, mas Nada a perder é meu primeiro contato com sua escrita e desenhos impactantes. Retrata de modo minimalista e simples todas as complicações de uma vida.

Derek é um valentão, assim como aprendemos que a grande maioria dos jogadores de hóquei são: brutais. Pelo menos essa é a minha impressão, pelo menos de algumas coisas que vemos em filmes e etc. Não é um esporte para pessoas fracas. E nosso personagem principal não foi ensinado a deixar barato tudo o que lhe acontecia, seja no rinque ou fora dele.

Hoje, apenas uma sombra do que foi, seu gênio ainda é péssimo. Não consegue ficar nenhum dia sem beber ou deixar pequenas coisas para lá. Só sabe resolver no murro e no grito. Ainda existem algumas pessoas que se importam com ele na pequena cidade do interior onde nasceu e acabou voltando após ser expulso do time de hóquei, mas suas opções estão diminuindo cada vez mais.

Conforme seus dias vão passando ali, vemos também como foi seu passado, traduzido em imagens que deixam o leitor angustiado com a talvez familiaridade dos acontecimentos, que sei que devem ser comuns para algumas pessoas.

A incitação à violência por um dos pais, para não levar desaforo para casa e fazer disso um lema para a vida. Mesmo em campo, agredir violentamente aqueles que se atreverem a tentar impedí-lo. A estar acima de qualquer regra e resolver qualquer coisa com um soco – ou uma garrafa de bebida.

Acredito que esse é um grande problema passado de pai[ou um Outro significante]. A incapacidade de resolver problemas e achar que um grito ou um soco é uma solução plausível. A não perceber que isso vai destruindo qualquer laço de afeto que possa existir com outras pessoas e simplesmente acreditar que você merece qualquer consequência que venha depois – e você provavelmente irá lidar da mesma maneira. Alguns ainda tentam lhe ajudar... Outros já se cansaram.

Jeff Lemire traz as complicações de um lar violento de maneira magnânima: drogas, ausência de vínculos, o “foda-se” que algumas pessoas acabam ligando. Aceita qualquer miséria que lhe apresentam como vida e não se esforça para mudar o cenário.


Mas algo faz Derek tomar uma nova decisão, afinal ele não tem mais nada a perder. Toda sua vida é revisitada por ele, marcado por pinturas vermelhas em um quadrinho tomado pelo azul e branco da neve que domina o cenário de sua pequena cidade.

O autor tem traços grosseiros e firmes, tal qual seu protagonista. As memórias são marcadas pelo colorido que se dá ao passado, já prestou atenção que em nossa memória as cores são sempre mais bonitas e excepcionais do que é na realidade? Então, assim também são nos traços de Lemire.

Em sua história, encontramos a verdade nua e crua da vida que nos esmaga todos os dias, com um final arrasador.

30.7.18

{Resenha} O que o sol faz com as flores


Autora: Rupi Kaur
Editora: Planeta
Sinopse: o que o sol faz com as flores é uma coletânea de poemas arrebatadores sobre crescimento e cura. ancestralidade e honrar as raízes. expatriação e o amadurecimento até encontrar um lar dentro de você. Organizado em cinco partes e ilustrado por Rupi Kaur, o livro percorre uma extraordinária jornada dividida em murchar, cair, enraizar, crescer, florescer. uma celebração do amor em todas as suas formas.





Bem, poemas não são meu xodó na literatura. Poucos são os livros de poesia que li, pouquíssimos são os que gostei. É bom saber que O que o sol faz com as flores me conquistou e conseguiu ficar entre os pouquíssimos. Comecei a leitura desacreditada, achando que tinha feito uma péssima escolha. Cada poema de 2-4 linhas eu já fazia um "ahmôdeus... 250 páginas com 3 linhas cada, se juntar num dá uma página" (deu pra perceber que não gosto de poemas curtos. MAS, lendo essa obra de Rupi Kaur, descobri que não gosto de poemas curtos que não me toquem, que não me atinjam! O que o sol faz com as flores fala sobre representatividade, feminismo, assédio, xenofobia, amor próprio, desilusões. É impossível não me tocar. Fiquei maravilhada com a quantidade de força que ela conseguia colocar em 3 míseras linhas. Fiquei maravilhada com esse livro. Fiquei maravilhada com Rupi Kaur e seu talento.

O livro é dividido em cinco partes: murchar, cair, enraizar, crescer e florescer, com poemas que traduzem o sentimento de cada um dos temas. A grande maioria dos poemas são curtos mas alguns dos textos (os mais profundos, para mim) possuem páginas de duração. São sempre escritos em letra minúscula (estilo próprio da autora que eu particularmente amei) e alguns trazem ilustração consigo. 


É necessário conhecer o mínimo sobre o passado da autora para entender melhor o sentimento por trás de alguns de seus poemas, principalmente na seção enraizar, onde ela aborda o sentimento de estrangeirismo e a sensação de "não-pertencer" que aqueles que deixam sua terra sempre sentem. Entretanto, em sua maior parte, os poemas abordam temas e sentimentos palpáveis a qualquer pessoa, além de tocar em temas polêmicos como estupro e bullying.

Fico sem saber como descrever esse livro e como me apaixonei por ele. Deixarei aqui alguns dos poemas que mais gostei (um por seção pra ajudar a entender!) e espero que vocês também sejam tocados por eles. Abraços!

Parte I - murchar

não é o que deixamos para trás
que me destrói
é o que podíamos ter construído
se ficássemos

Parte II - cair

quando o mundo desaba a seus pés
não tem prolema deixar que as pessoas
ajudem a recolher os pedaços
se estamos presentes para partilhar a plenitude
quando o momento é próspero
somos mais do que capazes
de compartilhar seu sofrimento
- comunidade

Parte III - enraizar

minha voz
é o fruto
de dois países num encontro
por que eu teria vergonha
se o inglês
e minha língua-mãe
fizeram amor
minha voz
tem as palavras do pai
e o sotaque da mãe
o que tem de errado
se minha boca leva dois mundos
- sotaque

Parte IV - crescer

hoje cedo
contei para as flores
o que eu faria por você
e elas se abriram

Parte V - florescer

me levanto
sobre o sacrifício
de um milhão de mulheres que vieram antes
e penso
o que é que eu faço
para tornar essa montanha mais alta
para que as mulheres que vierem depois de mim
possam ver além
- legado