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5.10.18

{Resenha} Dentes de Dragão

Título original: Dragon Teeth
Autor: Michael Crichton
Editora: Arqueiro
Sinopse: Michael Crichton, autor da obra que deu origem ao lendário filme Jurassic Park, volta ao campo da paleontologia neste livro recém-descoberto, uma aventura emocionante ambientada no Velho Oeste durante a era de ouro da caça a fósseis.
Com ritmo perfeito e enredo brilhante, Dentes de Dragão é baseado na rivalidade entre personagens reais. Com uma pesquisa meticulosa e imaginação exuberante, será transformado em minissérie pelo canal National Geographic com a Amblin Television e a Sony Pictures.
Desde Jurassic Park, nunca foi tão perigoso escavar o passado.
Em 1876, no inóspito cenário do Oeste americano, os famosos paleontólogos e arquirrivais Othniel Marsh e Edwin Cope saqueiam o território à caça de fósseis de dinossauros. Ao mesmo tempo, vigiam, enganam e sabotam um ao outro numa batalha que entrará para a história como a Guerra dos Ossos.
Para vencer uma aposta, o arrogante estudante de Yale William Johnson se junta à expedição de Marsh. A viagem corre bem, até que o paranoico paleontólogo se convence de que o jovem é um espião a serviço do inimigo e o abandona numa perigosa cidade.
William, então, é forçado a se unir ao grupo de Cope e eles logo deparam com uma descoberta de proporções históricas. Mas junto com ela vêm grandes perigos, e a recém-adquirida resiliência de William será testada na luta para proteger seu esconderijo de alguns dos mais ardilosos indivíduos do Oeste.


Opa, dinossauros errados!

Primeiro livro que tenho contato com o autor e até mesmo o gênero... E só posso dizer que gostei muito! Acredito também que foi meu primeiro livro que se passa no Velho Oeste!

Após apostar com um cara da faculdade, William Johnson entra para o time de busca de fósseis de Marsh, um paleontólogo famoso e excêntrico da faculdade de Yale, com grande renome no campo.

Johnson é um aluno arrogante, filho pais ricos e não precisou ralar nem dar valor para nada durante todos os seus 18 anos. Não entende que precisa conversar ou aprender coisas novas antes de sair destruindo tudo por mero prazer. Seu pai acaba vendo sua empreitada para o Oeste como uma boa oportunidade para que seu filho se desenvolva como um homem “de fibra”.

Sendo contratado como fotógrafo, Johnson precisa aprender rapidamente sobre tão delicada arte para provar sua real utilidade na expedição e ali já começa a apresentar sinais de mudanças.


Quando parte a expedição com Marsh e outros jovens de família renomada, em uma dos trens mais luxuosos, sequer parece que estão indo para os terrenos mais perigosos do país, em constante conflito com os índios sioux e seu líder, Touro Sentado. O medo de ataques é bem menor, pelo que podemos perceber do paleontólogo. Seu medo maior são os espiões de Cope, seu maior concorrente e arqui-inimigo.

Othnniel Marsh acredita que todos podem traí-lo. Que todos ao seu redor podem ser os espiões e, em um momento de paranoia, deixa Johnson sozinho em uma cidade desconhecida. Ele só não contava deparar-se com o inimigo de seu chefe: Cope.

Por mais estranho que pareça, ele acaba integrando o grupo de Cope, bem menor e simples que o de Marsh e faz amizade com os integrantes: entre eles um índio snake chamado Vento Brando. É nessa busca que ele mal percebe, mas termina por forma-se um homem respeitável.


Muitas aventuras o ensinam a ser uma pessoa melhor, com mais conhecimento e  acabamos gostando mais dele. Sua luta por sua sobrevivência é cheia de percalços e somos brindados com personagens conhecidos historicamente. Não só Marsh e Cope são pessoas que são responsáveis por grande parte da descoberta de fósseis de dinossauros, como foras-da-lei conhecidos: Wyatt e Morgan Earp.

O que era um livro de paleontologia... Torna-se um livro épico de faroeste, no fim! Achei incrível, não tive dificuldade em me manter animada na leitura, mesmo sendo, como eu disse no começo, algo novo para mim. Dá para ver todos os passos das escavações de fósseis, as dificuldades perigos que eles enfrentaram naquela época.

E não estou dizendo que os índios estavam errados em lutar contra as invasões de seus territórios. Temos um pequeno vislumbre de como a guerra de soldados e generais que realmente existiram aconteceu; como os indíos se uniram às centenas (ou milhares) por sua terra. E claro, há o Touro Sentado. (Aqui a wiki dele, achei só em inglês =/ )

Uma leitura incrível, com detalhes pontuais e muito agitada. Acredito que a ficção com toques de realismo traz tanto ganho pro leitor... Você imaginar que muitas daquelas coisas poderiam ter acontecido de verdade, talvez não do jeito que o autor escreveu, claro... Mas muitas das coisas aconteceram mesmo! E Michael Crichton é mestre em misturar a realidade e a ficção, a ponto de você imaginar que todos os personagens, mesmo os fictícios, existiram!

O livro é dividido em capítulos curtos, narrados a partir de William Johnson, embora descreva partes de diário de outros personagens. Os trechos do diário escritos de William ajudam muito a entender toda a evolução que ele passa. A capa tem um trabalho muito bom, com um cavaleiro em cima de uma montanha em formato da cabeça de um dinossauro. Foi uma experiência agradável e surpreendente ler este livro! Recomendadíssimo!

4.10.18

{Resenha} As Crônicas de Marte




Editora: Arqueiro
Organização: George R. R. Martin e Gardner Dozois
Sinopse: Uma princesa de Marte e As crônicas marcianas, dos mestres Edgar Rice Burroughs e Ray Bradbury, foram clássicos que influenciaram a imaginação de milhões de leitores e mostraram que aventuras espaciais não precisavam se passar numa galáxia distante, a anos-luz da Terra  para serem emocionantes. Elas podiam ser travadas logo ali, no planeta vizinho.Antes mesmo do programa Mariner e da corrida espacial, a imaginação já povoava nosso sistema solar com seres estranhos e civilizações ancestrais, nem sempre dispostos a fazer contato amigável com a Terra. E, de todos os planetas que orbitavam o nosso Sol, nenhum tinha uma aura de maior romantismo, mistério e aventura do que Marte.Com contos escolhidos e editados por George R. R. Martin e Gardner Dozois, As crônicas de Marte retoma esse sentimento ao celebrar a Era de Ouro da ficção científica, um período recheado de histórias sobre colonizações interplanetárias e conflitos antigos.Para essa missão, autores consagrados como Michael Moorcock, Mike Resnick, Joe R. Lansdale, S. M. Stirling, Mary Rosenblum, Ian McDonald, Liz Williams e James S. A. Corey foram convidados a revisitar o misterioso planeta vermelho, aqui representado como um destino exótico e desértico, com cidades em ruínas, civilizações impressionantes... e, é lógico, perigos inimagináveis.Enfim, o bom e velho Marte está de volta.
Seduzida por uma capa esteticamente atrativa, grandes nomes como de George R. R. Martin estampados em letras garrafais e uma temática que permeia o imaginário de todos nós, agarrei Crônicas de Marte com unhas e dentes com o objetivo de devorá-lo em dois tempos!

Entretanto, grandes nomes trazem grandes expectativas. Um livro com o nome de George Martin no topo da capa atrai para si muita responsabilidade - afinal, um roteirista e escritor com enormes sucessos em seu currículo deve ter um ótimo gosto literário. Todavia, não foi o que encontrei nessa obra (pelo menos não totalmente e não com o brilhantismo que minha expectativa alimentou). 

Temos, nessa coletânea, 16 contos que englobam  Marte. Cada um desses contos tem sua própria época e sua própria caracterização da hipotética sociedade marciana. Todos eles, sem exceção, cumpriram com louvor a tarefa de criar um universo único para o ambiente e a sociedade marciana. A riqueza de detalhes ao descrever paisagens, edificações, vestimentas, personalidades e até a composição corporal de cada versão marciana é impressionante! Em cada conto, temos um Marte diferente, mas tão rico e tão encantador quanto os outros. 

Por outro lado, a finalização dos textos traz sempre um sentimento de que "faltou algo", de que o conto está incompleto ou que o final foi modificado por um amador (na falta de melhores hipóteses, haha). A ambientação é sempre maravilhosa, a trama é bem escrita e com um ritmo bom, mas, infelizmente, o fim da estória é, na maioria das vezes, decepcionante. 
OBS: ênfase no "maioria das vezes", não foram todos mas a quantidade de boas finalizações foi quase irrelevante.

Em suma, é um livro maravilhoso para estimular nossa imaginação com cenários e personagens icônicos e inovadores, mas com muitos finais amputados que deixam o dissabor da decepção. Isso não faz com que Crônicas de Marte deixe de ser um ótimo livro, mas o impede de se tornar o livro maravilhoso que eu esperava.

3.10.18

{Resenha} Umami - A Receita da Vingança

Autor: Alan Santiago
Editora: Pendragon
Ano: 2017
Sinopse: Até onde o amor por sua filha é a desculpa para seguir o caminho de ódio, morte e vingança? Harold Agate conseguiu o que poucos chefs de cozinha podiam sonhar: uma bela esposa, uma filha adorável, estabilidade financeira, cursos de especialização ao redor do mundo, sua franquia gastronômica e a abertura do seu primeiro restaurante de alta gastronomia. Porém, para ele, isso ainda não significava a felicidade plena, ele tinha que se vingar dos fantasmas do seu passado.
Depois de rever, mesmo que virtualmente, os seus antigos amigos de formação, Harold desperta a sede de vingança que estava adormecida por anos e vai atrás daqueles que algum dia o fizeram sofrer.


Resenha:

Umami foi escrito na forma de um diário, em que Harold escreve para sua filha, ensinando-a formas de se vingar de pessoas que possam vir a fazê-la sofrer. Esse tema, por si só, já me pareceu estranho. Como assim um pai ensina uma filha a fazer o mal para outras pessoas por vingança??

“Resumindo, leia o livro se você quer se vingar de alguém, mas só se essa pessoa realmente tiver feito muito mal a você.”

Quando criança, Harold sofria de uma desordem de aprendizagem, mas na época seu transtorno não foi diagnosticado. Com isso, ele era alvo de bullying na escola, tanto com os colegas quanto com os professores.

Na adolescência, apesar de parecer ter vencido suas dificuldades no aprendizado, Harold ficou gordo, esquisito, cheio de espinhas e desenvolveu um transtorno de personalidade esquizoide. Ou seja, ele continuou sendo excluído e alvo de piada dos colegas.

Nessa época, ele descobriu que tinha um certo dom para a cozinha, e decidiu fazer um curso de gastronomia, onde era usado como exemplo pelos professores. Um exemplo de como não deveriam se vestir ou se portar, sempre sendo humilhado por todos. Essa foi a pior época de sua vida, e ele só não cometeu suicídio porque ainda tinha o amor de sua família. Dessa forma, ele se autoflagelava, se cortava, usando a dor para amenizar suas angústias.

“Nessa época, tive gastrite, meus cabelos começaram a cair, minha pele tinha várias erupções. Cada vez mais, eu estava esquisito, e dessa forma eu afastava as pessoas de mim. Só aguentei essa humilhação por dois semestres, aleguei aos meus pais que tinha que cuidar da saúde, o que era verdade. Diante disso, fui diagnosticado com um quadro grave de depressão, desenvolvi comportamento passivo-agressivo e em seguida transtorno de estresse pós-traumático. Meus pais gastaram mais dinheiro comigo, com remédios, médicos e psicólogos.”

Pode parecer exagero, mas achei interessante o autor tentar mostrar os danos emocionais, psicológicos, e nesse caso até físicos que o bullying pode trazer a uma pessoa. Principalmente quando acontece na infância e adolescência, as complicações podem se estender por toda a vida.

Harold resolveu enfim se cuidar. Dieta, exercícios, psicólogos, médicos para se curar de todas as doenças que havia adquirido, seguindo à risca todos os tratamentos. Após algum tempo, tinha um ótimo emprego, uma esposa e muitos amigos, porém nunca se esqueceu das pessoas que o haviam feito sofrer no passado.

Certo dia ele encontrou uma página no facebook dos alunos do seu antigo curso de gastronomia, com várias conversas sobre ele, que foram apagadas depois, mas que despertaram sua raiva e seu transtorno de personalidade sádica. Daí para a frente, vocês podem imaginar o que aconteceu...

Harold começa a planejar sua vingança contra cada um daqueles que lhe fizeram sofrer, e tudo é descrito com detalhes, no diário para sua filha. Ele usa artimanhas bastante pesadas para enganar seus antigos colegas e assassiná-los.

A escrita é boa, a leitura flui muito bem, é um livro curto, onde os fatos acontecem de forma rápida. Porém, o enredo não me agradou muito, pois não encontrei um sentido nos ensinamentos que ele quis deixar para sua filha. Mas, se você achou interessante, vale a pena conferir!

Sobre o nome do livro, Umami, também era o nome do restaurante do protagonista, significa “delicioso e apetitoso”, sendo o nome do quinto sabor básico do paladar humano, além de amargo, doce, azedo e salgado.


2.10.18

{Resenha} Sonata em Punk Rock

Autora: Babi Dewett
Editora: Gutemberg
Sinopse: Por que alguém escolheria uma orquestra se pode ter uma banda de rock? Essa sempre foi a dúvida de Valentina Gontcharov. Entre o trabalho como gerente do mercado do bairro e as tarefas de casa, o sonho de viver de música estava, aos poucos, ficando em segundo plano. Até que, ao descobrir que tem ouvido absoluto e ser aceita na Academia Margareth Vilela, o conservatório de música mais famoso do país, a garota tem a chance de seguir uma nova vida na conhecida Cidade da Música, o lugar capaz de realizar todos os seus sonhos. No conservatório, Tim, como prefere ser chamada, terá que superar seus medos e inseguranças e provar a si mesma do que é capaz, mesmo que isso signifique dominar o tão assustador piano e abraçar de vez o seu lado de musicista clássica. Só que, para dificultar ainda mais as coisas, o arrogante e talentoso Kim cruza seu caminho de uma forma que é impossível ignorar. Em um universo completamente diferente do que estava acostumada, repleto de notas, arpejos, partituras, instrumentos e disciplina, Valentina irá mostrar ao certinho Kim que não é só ele que está precisando de um pouco de rock and roll, mas sim toda a Cidade da Música.

Valentina Gontcharov nunca conheceu o pai até ele aparecer como um passe de mágica em sua vida querendo bancar seus estudos na Academia Margareth Vilela. Academia essa que ela foi aceita, mas que não poderia pagar pelos estudos de música que tanto ama. Engolindo o orgulho e correndo atrás de seu sonho de viver da música, Valentina aceita o dinheiro do pai e se muda para a academia.

Ela já imaginava que nada seria fácil, pois o mundo do qual a academia é inserida é totalmente diferente da vida modesta da qual vivia com a mãe, além dela ser uma garota do punk rock. Como ela poderia conviver bem com tanta música clássica ao seu redor? No entanto, em uma das disciplinas ela deve escolher um instrumento no qual deseja se formar. Valentina escolhe o piano, o instrumento do qual o garoto mais popular e mais talentoso da escola toca. Será que vai existir uma conexão aí?


A capa é maravilhosa e remete bem o que a história quer passar. A narração é feita em terceira pessoa com visão tanto de Valentina quanto de Kim. Porém, no mesmo capítulo a autora misturava as visões dos dois personagens e com isso eu me sentia meio perdida.

Sonata em Puck Rock é um livro totalmente voltado para o público adolescente, apesar dos personagens serem maiores de 18 anos. Essa fase já passou para mim e não tenho muita paciência com os dramas bobos que foram abordados aqui. Além do protagonista da história ser bem babaca com Valentina sem nenhum motivo aparente. Parece aquela coisa que acontece muito no ensino fundamental: quando você gosta de alguém, você deve maltrata-la. Isso nunca fez sentido para mim, mas acontece muito na vida real.

Outro ponto que não me agradou foram os momentos desnecessários na história e as longas narrativas. O livro acabou ficando bem cansativo para mim e até mesmo repetitivo. Não me senti conectada com os personagens também. Valentina, que tem todo um estilo e atitude, acaba se perdendo nos dramas adolescentes e se deixando levar por uma paixão bem sem graça.

O único lado positivo de toda a história para mim foi a escrita da Babi Dewet, mas infelizmente isso não foi suficiente para me fazer gostar do livro. Não tenho pretensão de ler os outros livros que virão da série, mas deixo aqui a minha indicação para quem gosta de livros young adults. Se não funcionou para mim, pode muito bem funcionar para você.




1.10.18

{Resenha} A Heroína da Alvorada


Título original: Hero at the fall
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Sinopse: No último volume da trilogia A Rebelde do Deserto, Amani vai se deparar com a escolha mais difícil que já teve que fazer: entre si mesma e seu país.
Quando a atiradora Amani Al-Hiza escapou da cidadezinha em que morava, jamais imaginava se envolver numa rebelião, muito menos ter de comandá-la. Depois que o cruel sultão de Miraji capturou as principais lideranças da revolta, a garota se vê obrigada a tomar as rédeas da situação e seguir até Eremot, uma cidade que não existe em nenhum mapa, apenas nas lendas — e onde seus amigos estariam aprisionados.
Armada com sua pistola, sua inteligência e seus poderes, ela vai atravessar as areias impiedosas para concluir essa missão de resgate, acompanhada do que restou da rebelião. Enquanto assiste àqueles que ama perderem a vida para soldados inimigos e criaturas do deserto, Amani se pergunta se pode ser a líder de que precisam ou se está conduzindo todos para a morte certa. 

Sabe aquele livro que quando você pega, não consegue parar de ler? 

Chegamos ao final da trilogia (e um livro de contos que é gratuito na Amazon em e-book e já adquiri o meu, então lerei hohoho!) A Rebelde do Deserto com um coração apertado e já sentindo saudades. Todos os personagens deixaram sua marca nessa estória épica de magia e areia. 

Aqui você pode ler as resenhas dois dois livros anteriores: 


Mas siga com cuidado... terá spoiler dos livros anteriores, provavelmente!


Amani segui evoluindo em cada volume de maneira incrível e não só ela, como todos os outros personagens. Jin não mudou muito, mas acredito que aprendeu melhor a conviver com outros e aceitar, simplesmente. O relacionamento dos dois amadureceu tremendamente de maneira positiva no fechamento (ai, dói dizer isso haha) da trilogia. 

O que já é costumeiro da autora é ir escrevendo as histórias de areia conforme elas acontecem. Como as pessoas se tornam mitos. Acredito que esse é o mais incrível e importante a respeito dessa trilogia, observar como as lendas se tornam lendas, sabe? Tudo bem que são humanos excepcionais... Mas até sua existência no deserto é surreal. 

Em A Heroína da Alvorada, Amani precisa assumir uma liderança que nunca desejou. Tomar decisões que podem salvar seu deserto ou destruí-lo com todos os seus amigos juntos. Se você já acompanha a trilogia, sabe como a demji tem a tendência de ser impulsiva e não muito comunicativa... E essas são características nada desejáveis em um líder, não é verdade? Fora a baixa autoconfiança e a mania suicida, mas tuuudo bem. 

Conhecemos novos locais do deserto com o pequeno grupo Rebelde, que busca uma maneira de salvar seus companheiros. Alguns locais até conhecidos, mas que agora carregam uma nova história. Finalmente conhecemos alguns dos locais que os personagens só citaram, enquanto buscam apoio para conseguirem tomar para si o que já é seu por direito. E também resgatar os que foram presos em mais um mito que percorre as areias do deserto. 

E uma nova lenda surge. 

Perdemos alguns personagens que eu gostava muito. Prepare seu coração, sinceramente... Porque esse livro é uma avalanche de emoções o tempo todo, você nunca sabe o que poderá acontecer na próxima página. 

O final... É tudo o que se espera de uma trilogia assim, tão boa. Mas acho que uma coisa que aconteceu poderia não ter terminado como terminou. Deveria ter sido definitivo. Acho que seria o fechamento perfeito para os contos do deserto, como todos os outros que vieram antes de Amani e todos os outros rebeldes. 

Se tem algo que a Bandida de Olhos Azuis nos ensina é que tudo o que você faz fica marcado em alguém... Ou na história. Não resistimos ao poder e também não sabemos como lidar com ele e muitas vezes ele pode nos engolir. Mas, se você tem pelo que (ou quem) lutar, não estará sozinha para lidar com isso tudo. 

Acredito que foi um bom final para a trilogia A Rebelde do Deserto. Alwyn Hamilton nos trouxe o que há de melhor dos mitos criados nas areias do deserto. Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Amani, então... Vemos a pureza de suas intenções. 

Uma das melhores séries de fantasia que já li, sinceramente.