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19.10.18

{Resenha} De amor tenho vivido (50 poemas)



Autora: Hilda Hilst
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Nos poema de Hilda Hilst, a expectativa do encontro e a convicção da despedida caminham juntas, assim como a paixão e o ódio são faces de uma mesma moeda. Se a aspiração pela eternidade é tema recorrente em seus versos, o transitório aparece como trágica certeza. A beleza, Hilda conclui, é passageira: "nas coisas efêmeras/ Nos detemos".Nesta antologia ilustrada, o leitor vai conhecer as muitas faces do mote que consagrou a poeta. Devoção, entrega absoluta, desejo ardente, solidão. Ao longo de uma intensa produção lírica - de Presságio, de 1950, a Cantares do sem nome e de partidas, de 1995 -, Hilda criou uma obra comovente e primorosa, que encontrou no amor sua principal fonte de inspiração.

Em De Amor Tenho Vivido, Hilda Hilst passeia por todas as formas de amor e nos dá 50 motivos para ser considerada uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. Com uma linguagem mais rebuscada que destoa do meu último livro de poesia lido (O Que O Sol Faz Com As Flores), Hilda versa sobre o amor de uma maneira que há muito não leio: sublime, porém firme. 



Visualmente, a obra beira a perfeição. As ilustrações de Ana Prata dão vida ao livro e aos poemas de Hilda e,certamente, tiveram grande papel no processo de tornar esta obra algo que fizesse jus ao talento da autoraDesde a capa, contra-capa, até as imagens que acompanham cada poema, fica visível o zelo que os organizadores tiveram ao fazer todos os elementos harmonizarem entre si. 




Não há muito mais o que falar sobre De Amor Tenho Vivido: é uma primorosa coletânea de 50 poemas de uma das maiores autoras deste país. Para quem já a conhece, é um prazer revê-la; para quem não a conhece, é um prazer maior ainda ser apresentado a ela. 


17.10.18

{Resenha} Os Números do Amor (The Kiss Quotient #1) – Helen Hoang


Oie amores. C-H-E-G-U-E-I!


Confere aí mais uma resenha de uma estória maravilhosa.



*livro cedido pela editora
Sinopse:

“Um romance que prova que o amor muitas vezes supera a lógica.
Já passou da hora de Stella se casar e constituir família — pelo menos é isso que sua mãe acha. Mas se relacionar com o sexo oposto não é nada fácil para ela: talentosa e bem-sucedida, a econometrista é portadora de Asperger, um transtorno do espectro autista caracterizado por dificuldades nas relações sociais. Se para ela a análise de dados é uma tarefa simples, lidar com os embaraços que uma interação cara a cara podem trazer parece uma missão impossível. Diante desse impasse, Stella bola um plano bem inusitado: contratar um acompanhante para ensiná-la a ser uma boa namorada.
Enfrentando uma pilha cada vez maior de contas, Michael Phan usa seu charme e sua aparência para conseguir um dinheiro extra. O acompanhante de luxo tem uma regra que segue à risca: nada de clientes reincidentes. Mas ele se rende à tentação de quebrá-la quando Stella entra em sua vida com uma proposta nada convencional.

Quanto mais tempo passam juntos, mais Michael se encanta com a mente brilhante de Stella. E ela, pela primeira vez, vai se sentir impelida a sair de sua zona de conforto para descobrir a equação do amor."


Resenha

As pessoas portadoras da Síndrome de Asperger tem a socialização comprometida.
E mesmo tentando mudar o “panorama”, o progresso é mínimo.
Stella Lane é brilhante na sua profissão (uma econometrista bem sucedida), desde que, não envolva gente pra conversar, conviver ou confabular. Até com os familiares é arrancado, pois para Stella o seu mundo ideal se constitui de maquinas e números, mas existe uma pessoa que não aceita, não permite que ela se feche e “exige” de sua filha um relacionamento, um amigo, e melhor ainda, um namorado. Sim, essa pessoa é sua mãe.
Stella até tentou, mas os poucos namorados que teve, só acrescentou outros traumas.

Mas querendo tranquilizar as cobranças da mãe, resolve contratar alguém para “adentrar” com ela no mundo esquisito da conversação, como seu namorado.
Seu escolhido é um garoto de programa, Michael Phan, onde Stella escolheu numa agencia, porque o perfil dele já a agradou só vendo as fotos.
Encontraram-se, jantaram, dançaram, alguns lances na cama, mas sem nenhum envolvimento de ambas as partes.
Stella chegou a desistir, por medo de se apegar ao toque, às conversas e à companhia.

Michael sentiu que Stella era alguém bem diferente das outras acompanhantes, que lhe pagavam, e foi em frente. No tempo de “namoro”, tanto Stella como Michael, trocaram aprendizados, venceram barreiras, tanto sociais, como pessoais.
Michael mostrou pra Stella, que os sentimentos podem fazer parte da equação, contornando e convivendo com qualquer síndrome.


É um livro que valeu a pena a espera. Maravilhoso, abordando um tema muito especial, atual, o autismo.
Mostra também o lado humano, quando se envolve e transforma, o lado desumano, quando abandona, ignora, esconde.
Adorei a escrita e a autora foge dos padrões: o mocinho é pobre, endividado por causa da mãe, mas com um potencial e sua profissão é alfaiate. A décadas eu não ouvia essa palavra.

Adorei a família vietnamita, a autora soube como explorar o seu lado cultural, sem entrar em choque. Os diálogos são bastante criativos.
Simplesmente uma leitura fascinante.


Por hoje é só meus amores.
Até a próxima.
Tchau!


Título: Os Números do Amor
Autor (a): Helen Hoang
Editora: Paralela
Número de Páginas: 280

16.10.18

{Resenha} 50 Poemas de Revolta



Editora: Companhia das Letras
Autores: Vários
Sinopse: Nesta breve antologia, o leitor vai encontrar muitos motivos para se indignar. Desigualdade social, racismo, machismo, incontáveis modalidades de opressão e intolerância: esses são os temas tratados por 34 poetas brasileiros. Os poemas que compõem esta seleta por vezes revelam uma ponta de esperança; outras vezes, mergulhados em desgosto, levam o desânimo e a apatia às últimas consequências. Canônicos e novíssimos, os poetas abordam questões assombrosamente atuais e contundentes, mesmo quando parecem tratar de um passado distante. Escreve Hilda Hilst: “Repensemos a tarefa de pensar o mundo”.

Nossa, é até difícil lembrar o quanto eu esperei por esse lançamento sem nem saber! haha. 

50 Poemas de Revolta traz o que eu mais amo no mundo da poesia: a atemporalidade. Nessa época de eleições, onde todos se dizem novos mas não passam de mais do mesmo, inúmeros poemas - muitos escritos antes de eu nascer - caíram como uma luva. Mas 50 Poemas de Revolta não se detém apenas no tema político; aborda questões como o racismo, o machismo, a xenofobia, e vários outros temas que até podemos tentar ignorar no nosso dia-a-dia para evitar o sentimento de impotência, mas que estão sempre ali à nossa espreita.



E é esse meu tipo de poesia preferido: a poesia da revolta, da indignação, da realidade nua, crua e dolorosa. A poesia que não esqueceu os navios negreiros, que não vai esquecer os mortos da Síria, é a poesia que me representa e me faz ter fé na literatura brasileira. Porque arte é isso: é entreter, mas nunca deixar de lado seu compromisso de tocar o público (nem sempre de uma maneira agradável).
Subversiva - Ferreira Gullar

A poesiaquando chega
não respeita nada

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
de qualquer de seus abismos

desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
relincha

como puta
nova
em frente ao Palácio da Alvorada


E só depois
reconsidera: beija
os que têm sede de felicidade
e de justiça

E promete incendiar o país
Fiquei MUITO/EXTREMAMENTE/SUPER feliz em ter esse livro na minha estante e poder, um dia, lê-lo novamente com meus filhos e passar essa coletânea de geração em geração. Apesar de tratar-se de uma edição quase de bolso que não se adequa muito bem à estante, a grandiosidade desse livro não pode ser medida em centímetros.  

15.10.18

{Resenha} Mil palavras


Título Original: Thousand Words
Autora: Jennifer Brown
Editora: Gutemberg
Sinopse: O namorado de Ashleigh, Kaleb, está prestes a partir para a faculdade e a jovem está preocupada que ele se esqueça dela. Então, em uma famosa festa de final do verão, as amigas de Ashleigh sugerem que ela mande uma foto nua para ele. Antes que possa mudar de ideia, Ashleigh vai para o banheiro, tira uma foto de corpo inteiro em frente ao espelho, e aperta a tecla “enviar”.
Mas o término do relacionamento do casal é ruim e, para se vingar, Kaleb encaminha a foto para sua equipe de beisebol. Em pouco tempo, a foto viraliza, atraindo a atenção do conselho da escola, da polícia e da mídia local. A pena ordenada a Ashleigh pelo tribunal é prestar serviço comunitário, e é onde ela conhece Mack, um jovem que oferece uma nova chance de amizade, e é o único que recebeu a foto e não olhou.
A aclamada autora Jennifer Brown traz aos leitores um romance emocionante sobre honestidade, traição e redenção, amizade e atração, e integridade, mostrando que uma imagem pode valer mil palavras… mas nem sempre conta a história inteira.

Acho que um livro nunca sofreu tanto na minha mão! Ele se molhou suas vezes (sem  danos, ufa!) acidentalmente enquanto eu lia. Com sorte, está intacto, hehe! Primeira vez que isso me acontece, gente! <o> Não sou desleixada com meus livros, nunca!

Anyway, dramas pessoais do processo de leitura à parte, lhes digo que este é o primeiro livro da autora que li, embora sempre tenha sido curiosa a respeito deles. Aqui você tem resenha de outro livro da autora realizado pela Crislane, ok?

Jennifer Brown é conhecida por fazer seus livros de temas cotidianos e o tema escolhido por ela em Mil Palavras é: nudes. Sim, nudes. E as consequências que o vazamento de fotos íntimas pode ter nesse cenário.

Ashleigh – Ash – ama seu namorado Kaleb, a ponto de não conseguir e imaginar sem ele. No entanto, ele está indo para a faculdade e ela ainda precisa terminar o ensino médio. Acreditou que teriam as férias de verão juntos, mas ele está mais ocupado em passar um tempo com os amigos do que com ela. Analisando sua preocupação (e ciúmes regado a álcool) suas amigas lhe recomendam que tire um nude seu e encaminhe para ele, para mostrar o que ele tem esperando e não se interesse por outras quando for pra faculdade.

Segura de si, ela aceita a sugestão. Afinal, é uma adolescente com um corpo bem trabalhado. O que poderia dar errado? Nem todos sabem que não se deve tomar decisões com o álcool dominando sua consciência né? Mas parece o certo, então por que não faria?

Porém, sua insegurança ainda lhe domina e os dois acabam rompendo o relacionamento. Após uma brincadeira de mal gosto, seu nude vaza na internet e ela se vê bombardeada de mensagens negativas. Como se não bastasse, seu pai pode acabar perdendo o trabalho dele por causa da repercussão do caso.

Ela acaba tendo que prestar serviço comunitário e lá conhece realidades diferentes da sua, vidas muito diferentes da que ela tem.

O livro é muito interessante, a questão nos faz refletir sobre “um peso, duas medidas”. Afinal, a moça teve que pagar serviço comunitário porque seu nude vazou? Punir a vítima! O bom é que as pessoas reconhecem que o caso dela é inusitado.

Gostei de conhecer como funciona o serviço comunitário para adolescentes, pelo menos o que me foi apresentado no livro. Esse é meu trabalho atual, acompanhar adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, me deu algumas ideias boas. No livro, os adolescentes fazem aqueles folhetos informativos para adolescentes, geralmente refletindo o motivo o qual os levaram até ali.
“Uma imagem vale mil palavras... Mas não conta sua história.”
Hoje em dia é muito comum vermos a situação que aconteceu com a Ash dominarem a vida de pessoas todos os dias. É marcante e pode levar uma pessoa à um sofrimento emocional e psicológico muito grande e também é crime. Se você receber fotos íntimas de alguém, delete. Não repasse.

Os personagens são bem atrativos e nos fazem pensar em tudo o que está acontecendo. Ash é uma adolescente comum da classe média, com amigas mais ricas ou nem tanto. Vonnie é o exemplo de como tudo é temporário e pode passar se nós deixarmos. Mack é um mistério que vive sua vida um dia após o outro...

A escrita da autora me agradou bastante, faz com que você sinta vontade de continuar lendo. Ser sobre algo atual e reflexivo também ajuda bastante.

A mensagem que o livro deixa também é muito bonita. Você não pode deixar os outros definirem quem você é. Eles podem acreditar o que quiserem sobre você, porque a opinião que realmente importa é a sua e como você trata os outros. Posicione-se, sempre. Não deixe que os outros estraguem sua felicidade, okay?