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19.12.18

{Resenha} Vox


Autora: Christina Dalcher
Editora: Arqueiro
Sinopse: O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

Tentei fazer uma resenha com apenas 100 palavras e percebi que 100 palavras não são nada. É impossível, para mim, tentar passar uma mensagem com um número tão pequeno à minha disposição. Agora imaginem a angustia de ler um livro sobre uma realidade paralela em que mulheres são forçadas a usar apenas 100 palavras por dia. Prazer, bem-vindo a Vox.

Vou me poupar de fazer um breve resumo da obra (poupando palavras? sim! chegando a 100? nunca!). Eu sempre gosto de resumir à minha maneira e fazer alguns comentários mas... é para isso que existem as sinopses, haha. Seguindo a análise do livro: próximo parágrafo!

Vox é uma distopia nitidamente feminista, hiperbolizando uma situação que muitas mulheres vivem hoje em dia: calar para melhor passar. A ascensão da parcela conservadora cristã da sociedade acaba deixando de lado preceitos básicos de liberdade e levando as mulheres ao seu estado mais primitivo (biblicamente falando), mais submisso. Essa situação me lembra vagamente - talvez um pouco mais que isso... - aquilo que estamos vivendo no Brasil mas vou tentar deixar isso de lado, embora desvincular esse livro do seu teor político seja impossível. 

Entre revoltas recorrentes a cada página ao ver mulheres forçadas a abrir mão de suas liberdades -algumas até coniventes com isso -, outro ponto chamou minha atenção, mas não positivamente. O romance desenvolvido durante a trama, pra mim, foi um grande ponto negativo para este livro. Sou meio "das antigas" nesse aspecto, não posso ver alguém romantizar uma traição e achar isso bonito. Romantizado ou não, continuo achando algo asqueroso que influenciou na criação de uma relação não 100% empática com Jean. 

Os capítulos finais são emocionantes, mas o desfecho do livro deixa a desejar. Ela cria um ambiente surreal, cheio de detalhes e de história, durante todo o livro, mas no final parece que todo esse cuidado em construir o enredo se perde e ela entrega algo inacabado, defeituoso (por falta de palavra melhor). Pareceu até que a autora não sabia que rumo dar aos personagens e escreveu qualquer coisa para terminar o livro logo. É frustrante ler um livro tão bem desenhado durante 400 paginas e ver tudo ir por água abaixo nas duas últimas 30 folhas. 

Vox é um livro com um cenário surreal e pavoroso, construído com muito esmero e riqueza de detalhes. Infelizmente, poucas personagens são bem caracterizadas, talvez isso tenha a ver com a narração em primeira pessoa (embora eu já tenha lido livros na mesma situação em que os personagens eram BEM MAIS profundos), e isso me incomoda, dificulta a criação de uma conexão com eles. Há boatos de que este seja o n1 de uma série, então talvez eu deixe passar o final mal-acabado deste volume na esperança de uma surpresa positiva no próximo. Em suma, é um livro com uma temática maravilhosa, mas com pequenas falhas que o impedem de entrar no hall de favoritos deste ano (embora ele tivesse muito potencial!). Recomendo pelo tema e pelo cenário construído, mas com as ressalvas acima que tiram dele o título de excelência que eu esperava.

18.12.18

{Resenha} Céu Sem Estrelas



Autora: Iris Figueiredo
Editora: Seguinte
Sinopse: Cecília acabou de completar dezoito anos, mas sua vida está longe de entrar nos trilhos. Depois de perder seu primeiro emprego e de ter uma briga terrível com a mãe, a garota decide ir passar uns tempos na casa da melhor amiga, Iasmin. Lá, se aproxima de Bernardo, o irmão mais velho de Iasmin, e logo os dois começam um relacionamento.
Apesar de estar encantado por Cecília, Bernardo esconde seus próprios traumas e ressentimentos, e terá de descobrir se finalmente está pronto para se comprometer. Cecília, por sua vez, precisará lidar com uma série de inseguranças em relação ao corpo — e com a instabilidade de sua própria mente.

Algo importante sobre esse livro e que não contém na descrição do mesmo: esse livro tem um gatilho para quem tem crises de ansiedade e contém cenas de automutilação.

Cecília poderia estar em uma boa fase da vida: tem um emprego que gosta e está cursando uma universidade pública renomada. Porém, as coisas não estão indo bem. Ela acaba perdendo o emprego e esconde esse fato da mãe, pois sabe que isso irá causar uma briga. No entanto, a mãe acaba descobrindo e as duas discutem. Cecília é mandada passar uns dias na casa da avó, porém ela acaba indo para a casa de sua melhor amiga Iasmin, a quem sempre está aberta a recebê-la nesse tipo de conflito com a mãe.

A estadia de Cecília poderia ser algo fácil se ela não estivesse apaixonada pelo irmão de Iasmin, Bernardo, desde criança. Os dois acabam se conhecendo melhor e um romance surge, mas será que esse é o momento certo para ficarem juntos?


A edição está simples, mas com uma capa linda que representa bem a história do livro. As folhas são amarelas e de boa qualidade, as letras confortáveis a visão. A narração está em primeira pessoa e fica por conta de Cecília e Bernardo.

“E acima de tudo, como eu permitia aquilo e ainda levava a sério cada uma daquelas acusações, cada uma daquelas pessoas que tratavam meu peso como minha principal característica? O que chegava antes de mim, o ponto de referência.” Página 49

Céu Sem Estrelas é um livro bastante sensível. Nos trás temas fortes, mas que são tratados com leveza pela escrita da autora Iris Figueiredo. Sua protagonista Cecília é uma garota fora do padrão de beleza e por esse motivo tem vários problemas de autoestima, além dos problemas que tem com a mãe. O livro é um prato cheio que daria tudo para ser do jeito que eu gosto. No entanto, eu achei que faltou mais profundidade na história. Senti que todo o sofrimento de Cecília poderia ter sido melhor trabalhado, pois a personagem tinha todos os motivos para estar na situação onde se encontrava, porém a autora deu um foco especial ao romance, que ao meu ver, não ficou bacana. Eu gostaria de ter acompanhado mais de perto toda a evolução de Cecília com tantos conflitos internos. 

“Não existe um céu sem estrelas, Cecília. Mesmo quando estão cobertas pelas nuvens, ainda estão lá. A gente só não consegue enxergar.” Página 347


Mas algo que gostei muito foi o final, pois me passou veracidade. Para quem passa pelo que Cecília passou e sentiu naqueles momentos conflituosos, não deve ser fácil retomar a vida normal depois. Ah! Não posso esquecer de comentar que esse livro aborda um outro tema difícil também, mas que a autora não o conclui. Fiquei na dúvida se haveria um segundo livro. Alguém sabe me dizer?

17.12.18

{Resenha} Henry, o Corgi da Rainha



Título Original: Henry, The Queen’s Corgi
Autor: George Crawley
Editora: Gutenberg
Sinopse: Neste Natal, tudo pode acontecer…
Quando seu corgi de estimação desaparece em um passeio a Londres, a família Walker o procura em todos os lugares, menos onde nunca poderiam imaginar.
O pequeno cão foi confundido com um corgi real pela Guarda da Rainha e está vivendo no Palácio de Buckingham, recebendo tratamento especial, dormindo em uma cesta aconchegante e tem até um chefe de cozinha preparando suas deliciosas refeições. E se esta é a vida de um cão da realeza, ele não se importa nem um pouco, apenas aproveita todas as regalias de uma vida tão diferente da sua.
Mas quando o espírito natalino toma conta do Palácio, Henry percebe que, de alguma forma, precisa voltar para os Walker. Afinal, estar com seus amados donos seria seu melhor presente de Natal!

“Sério! Onde os humanos estariam sem nós, os cães, para resolver suas vidas de tempos em tempos?”

Dezembro chegou e com ele o clima de Natal e fim de ano, para combinar com esse mês festivo, nada melhor que um livro com tema de Natal como aqueles filminhos de cachorros reconfortantes que assistíamos na sessão da tarde.

“Henry, o Corgi da Rainha” nos trás duas visões em primeira pessoa, a de Amy Walker e de Henry.
Primeiramente conhecemos Henry e como ele enxerga a família que acaba de ser dividida, Jim, o pai da família Walker acaba de deixa-los para trás para viver a vida com sua secretária Bonnie, poucos dias antes do Natal. O pequeno corgi se vê encarregado de cuidar, proteger e levantar os ânimos do restante dos Walker com tudo que pode, já que a gatinha Sookie só pensa em dormir o tempo todo ao lado do aquecedor.

Com seu jeitinho canino, Henry obriga Amy a correr atrás dele todos os dias escapando pelo bairro, dorme com a filha mais nova, Claire e escuta as reclamações do filho mais velho, Jack, além de subir na mesa de jantar para comer as sobras.

Pela visão de Amy, vemos o quão irritante o pobre Henry está sendo, mais atrapalhando e incomodando do que ajudando. A mãe da família precisa lidar com o ex-marido que cancelou o passeio de Natal com os filhos para ir esquiar com a nova mulher, o alto índice de clientes na clínica que ela trabalha, o mau humor das crianças e ainda o mau comportamento de Henry (que piorara desde a saída de Jim).

Na tentativa de melhorar as coisas com as crianças, Amy decide leva-los a uma excursão em Londres para que pudessem ver a Rainha e seus corgis sair de viagem do Palácio de Buckingham. Na confusão do passeio e a animação, a matriarca esquece de prender a guia na coleira de Henry após um passeio no parque.

Para sair atrás de uma pomba gorducha, o cãozinho se afasta de seus donos, invadindo sem querer os jardins Palácio. Encontrado por um dos muitos criados, Henry é levado para dentro, onde passa a viver por engano no lugar de Monty, o novo corgi que a Rainha acolhera, o que os criados não sabiam era que o verdadeiro cachorro novo tinha ido em viagem com Ela.

A partir daí o livro se divide em Amy que continua dando seu melhor para lidar com todos os problemas agora acrescido do desaparecimento do amado cão da família e a falta que ele faz, seu ex marido e seus filhos ainda mais desanimados.

Enquanto isso, Henry conhece os Dorgis da Rainha, os criados, em especial Sarah e Oliver, seus únicos amigos humanos que consegue fazer por lá, as tigelas maravilhosas de ouro e os vários cômodos do Palácio, sem nunca esquecer, é claro, de pensar em meios de voltar para a casa.
O que me pegou no livro foram os problemas familiares dos Walkers, esse fim de ano foi “um saco” por aqui por conta de problemas familiares que eu mesma passei, mas para tudo se tem um jeito, no final.

Como mencionei, é um livro maravilhoso para essa época natalina, daqueles que aquecem o coração a cada capítulo, além de nos levar ao grandioso Palácio de Buckingham, mostrar sua rotina, os maravilhosos cães, os dorgis, que são mistura de dachshund com corgi (nunca tinha ouvido falar, que misturinha mais maravilhosa!), além das visões dos cachorros que, por serem cães reais, imagino que realmente pensem como descrito no livro haha, só aceitam carinhos da Rainha, não deixam que simples criados lhes ponham a mãe e são fiéis a Ela somente.

Deixo uma mensagem do livro, que apesar de estar falando sobre o Reino Unido, refletiu os acontecimentos de nosso dia-a-dia nesse 2018.

“Família nem sempre são pessoas que nascem em um mesmo núcleo. Nossas comunidades, nossas escolas, nossas igrejas, nossos negócios, todo o país: todos são uma espécie de família. Cada um nós pertence a mais famílias do que podemos contar, comunidades nas quais podemos confiar para nos apoiar e que devemos oferecer apoio em troca. Este ano tem sido desafiador para o país em muitos aspectos. Mas tenho sido encorajada a enxergar, mesmo nos tempos mais sombrios, uma grande esperança. Esperança pelo futuro e por nosso país, nas ações de indivíduos e comunidades. Nas ações de muitas famílias diferentes que compõem esta terra. Bondade e compaixão nos uniram quando tentaram nos separar.”