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14.1.19

{Resenha} Espere Agora Pelo Ano Passado | Philip K. Dick


Título Original: Now wait for last year
Autor: Phillip K. Dick
Editora: Suma
Sinopse: O dr. Eric Sweetscent está em apuros. Seu planeta está enredado em uma guerra intergaláctica; sua esposa é letalmente viciada em uma poderosa droga com efeitos colaterais estranhos; e seu novo paciente não é apenas o homem mais importante da Terra, como talvez o mais doente.
Em meio a uma crise interplanetária, onde nada é exatamente o que parece, Eric se torna o médico pessoal do secretário-geral Gino Molinari, que transformou suas misteriosas doenças em um instrumento político — e Eric já não sabe se seu trabalho é curá-lo ou apenas mantê-lo vivo. Navegando entre o impossível e o inevitável, Philip K. Dick nos apresenta um futuro onde a realidade é uma superfície terrivelmente tênue, multifacetada — e faz com que o leitor repense tudo o que sabe sobre o tempo.



Estamos no ano de 2055 na Terra. Nosso mundo tem tecnologia muito avançada, porém estamos no meio de uma guerra intergaláctica entre dois povos: os Starmen, os ancestrais dos humanos, e os reegs, seres que tem a aparência de insetos. Os dois povos são inimigos declarados há séculos e a Terra acabou se envolvendo com os Starmen através do ditador Gino Molinari, o secretário-geral da ONU e comandante das tropas militares da Terra. Porém, ele não imaginava que ao assinar o Pacto de Paz com os Starmen isso traria muitas mortes à humanidade.

No entanto, nosso protagonista principal é Eric Sweetcent, que se vê sendo médico pessoal de Gino para fugir de sua esposa Kathy. Esse sofre de uma grave hipocondria, que parece querer mata-lo a cada dia com uma doença diferente. A partir daí, Eric se vê em um emaranhado de situações que podem alterar seu presente e também futuro. Sua percepção de mundo muda completamente ao virar médico de Gino e ao mesmo tempo descobrir uma poderosa droga que altera as percepções do tempo. Será que isso pode acabar colando fim a essa guerra tão sofrida? Ou pode piorar tudo?

A edição está maravilhosa e bem trabalhada. A capa tem cores vibrantes que dá aquele ar de viagem no tempo, como é a proposta do livro. A narração está em terceira pessoa, com foco maior em Eric Sweetscent.

 
Quando eu terminei o livro voltei as páginas esperando encontrar alguma pagina que eu deva ter pulado sem querer. Eu esperava as coisas fazerem mais sentindo. Philip K. Dick tem uma escrita viciante e muito, muito maluca. Às vezes é difícil acreditar que uma história assim foi mesmo criada e publicada. O cara parece um gênio maluco da ficção-científica.

Algo que pude notar no personagem Eric foi sua indecisão quanto a sua vida pessoal, mas muito bem resolvido no que queria fazer para efetuar uma mudança no mundo. Como uma pessoa pode ser tão controversa? Kathy foi uma personagem bastante irritante, mas o autor a criou assim de propósito e posso dizer que isso me incomodou um pouco. Já Gino, é um mistério para mim. Dick trata sua hipocondria de maneira clara, mas ao mesmo tempo muito misteriosa. Algo é destacado por Eric sobre isso, mas depois o assunto é deixado de lado. Isso me deixou imensamente curiosa para saber como aquilo era possível. Além da complexidade que o próprio Gino representa ao ser o capitão de um navio afundando.

“Abatido, com seu rosto exibindo agora linhas e rugas mais profundas do que antes, ele voltou a concentrar sua atenção na tela, na imagem saudável, vigorosa e totalmente sintética do que ele fora um dia.” Página 126

Meu primeiro contato com o autor foi com O Tempo Desconjuntado (tem resenha aqui no blog) e foi uma experiência bem diferente do eu estava acostumada com os livros sci-fi. Com Espere Agora Pelo Ano Passado aconteceu algo semelhante, mas diferente ao mesmo tempo. Philip K. Dick tem esse dom em transformar uma história maluca em algo a mais e deixar um final com e sem sentido ao mesmo tempo. Como? Não faço ideia, mas sei que acabei adorando essa fascinação que o autor tem em escrever livros de ficção-científica pensando em mundos diversos e complexos. Essa é a maior característica que o autor tem ao meu ver: ele escreve sobre algo que vai além dos limites inimagináveis de outros autores se sci-fi que já li. Dick gosta muito de brincar com o nosso imaginativo em suas histórias, o que faz suas narrativas serem interessantes e instigantes.
 

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