Menu

25.2.19

{Resenha} Coração-Granada


Autor: João Doederlein (@akapoeta)
Editora: Paralela
Ano: 2018
Sinopse: O amor (correspondido ou não) mexe com a nossa alma e nosso corpo. A ansiedade, quando nos toma de assalto, também. Outro ponto em comum entre os dois é o fato de que levam artistas de todos os tipos a produzir obras capazes de gerar reflexão e dar sentido ao que, muitas vezes, parecia não ter.
É o caso de Akapoeta, pseudônimo de João Doederlein, neste seu segundo livro. Nele, o jovem escritor fala de paixões, de crises de ansiedade e da relação entre ambas, com a mesma delicadeza que transformou a sua obra de estreia, O livro dos ressignificados, em um best-seller. Agora, o autor combina novos verbetes com poemas breves e longos, voltando a encantar o leitor com sua escrita acessível e, ao mesmo tempo, impactante.

Resenha:

João Doederlein tem um daqueles perfis no instagram (@akapoeta) que sempre tem algo a dizer sobre o momento que estamos vivendo, impossível não se identificar com pelo menos um de seus posts, com frases e poemas curtos, mas com um significado imenso.

O autor nasceu em Brasília, e escreve desde os 11 anos. Seu segundo livro nada mais é do que um apanhado de poemas simples, autobiográficos, carregados de sentimentos variados e muito pessoais.

Alguns desses poemas seguem a linha de seu primeiro livro, O Livro dos Ressignificados, trazendo verbetes com algumas palavras e definições escritas por ele mesmo (de forma mais poética, obviamente).

“ acreditar (v.): é olhar para sua mão quando ela segura a minha e apostar todas as minhas fichas que encontrei a pessoa para quem vou dedicar as músicas da Anavitória. É palavra vizinha da fé. É dar chance para o acaso me decepcionar. É andar vendado no labirinto do amor só com a sua voz para me guiar. É te abraçar quando a ansiedade bate na porta da sua vida, sem te perguntar por onde e como ela entrou.
É deitar no seu colchão quando você me diz que metade dele é meu.”

O autor se mostra bastante vulnerável em alguns momentos, expondo as dificuldades que vive diariamente devido às angústias da ansiedade e depressão. Mas felizmente, ele consegue transformar seus medos, anseios, dores e sofrimentos em arte e poesia.

“Tomar decisões
É algo difícil quando se tem ansiedade.Na nossa mente estamos sempre escolhendo Entre a janela muito altaE a porta cheia de farpas.”

Ele também usa um de seus “ressignificados” para explicar o conceito, também criado por ele, que dá nome a esse livro. Conceito esse que talvez seja o mais autobiográfico de todos, que nos aproxima ainda mais da personalidade do autor.

“coração-granada (s.m.): é ser alguém que explode de amor, ao menor contato. É quem entende que a vida deixar marcas conforme vivemos. É uma nuvem de calor pós-paixão. É espalhar os ideais que moram dentro de você com a intensidade de um cometa. É alguém que faz barulho mesmo em silêncio. É a inquietude de querer viver. É um coração que não se deixa levar pela exaustão. É o brilho que ora ilumina, ora cega. É ter no peito uma romã, mais vermelha que o sangue, mais doce que o morango e, mesmo quebrada, ainda bonita.E quando o mundo estiver em festa, nós seremos os fogos de artifício.”

Ler Coração-Granada nos coloca em contato com João Doederlein de forma tão pessoal que nos sentimos amigos íntimos dele. Ele consegue descrever o que sente de uma forma linda, com uma sensibilidade extrema, sejam esses sentimentos bons ou ruins.

Todos nós vivemos amores correspondidos e não correspondidos, e em algum momento também nos deixamos levar pela ansiedade em seus mais diversos contextos. Dessa forma, é praticamente impossível não se identificar com a escrita do autor e com algum de seus textos, que muitas vezes parecem ter sido escritos para nós.

João Doederlein nasceu para ser poeta, e sabe usar tudo o que acontece em seu interior para expressar, de forma poética, o quanto é difícil “sentir”.


Seja o primeiro a comentar!

Postar um comentário

É um imenso prazer receber seu comentário. Seja sempre bem-vindo aqui.