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13.3.19

{Resenha} Minha vida fora dos trilhos



Título Original: Moon over Manifest
Autora: Claire Vanderpool
Editora: Darkside
Sinopse: A protagonista de MINHA VIDA FORA DOS TRILHOS, Abilene Tucker, tem apenas 12 anos, mas é corajosa e impetuosa o suficiente para encontrar aventuras na pequena cidade de Manifest, Kansas, um fim de mundo para onde seu pai a enviou de trem a fim de passar o verão sob a tutela de um velho conhecido enquanto ele trabalha em uma ferrovia.
O que parecia ser o período mais solitário e entediante de sua vida ganha um novo e surpreendente rumo quando Abilene encontra uma velha caixa de charutos com cartas antigas e pequenas lembranças de outros tempos. Aos olhos curiosos da menina, a caixa se torna uma verdadeira arca do tesouro, onde segredos enterrados conectam dois momentos da cidade. A partir de então, o livro se divide em duas narrativas cronológicas: passado e presente se misturam, daquela maneira mágica que só um bom livro consegue contar.
Os acontecimentos vão da época da Primeira Guerra Mundial à Grande Depressão norte- americana dos anos 1930, com soberba fidelidade histórica que ajudam a construir esta narrativa de perda e redenção.


Meu primeiro contato com a escrita da Claire Vanderpool foi em Em algum lugar nas estrelas, também lançado pela Editora Darkside e foi o que me fez continuar buscando livros da autora, pois sua escrita simples e emocional me cativou.

Minha vida fora dos trilhos se passa na Grande Depressão, momento em que nos EUA a economia estava muito baixa, muita gente desempregada, baixa produção industrial e durou de 1929 a Segunda Guerra Mundial. Não era permitido nem mesmo a venda de bebidas alcoólicas, mas isso não impedia de que muita gente não tentasse fabricar sua própria bebida, né? Sabiam que muita gente morreu nessa época por intoxicação com essas bebidas feitas em fundos de quintal e em locais bem escondidos?

As cidades pequenas sofreram bastante também com a Grande Depressão e é numa dessas cidades que Abilene vai parar, após seu pai, Gideon, constatar que seu trabalho na construção dos trilhos de trens já não era um local muito bom para uma menina de 12 anos viver.

Manifest é praticamente uma cidadezinha no meio do nada, onde nossa protagonista não conhece ninguém que não esteja numa folha de jornal velho pertencente a uma gráfica daquela cidade. Sempre imaginou como seriam aquelas pessoas e, quando finalmente chega na estação – ou quase isso – ela descobre que na sua imaginação tudo parecia mais majestoso. Já imagina como serão as pessoas e como se comportarão, pois essa não é a primeira cidade que ela precisa ficar por um tempo. Presume como se comunicam, como fazem uso das palavras.


E sabe que precisa encontrar o pastor Howard, pois é ele quem irá lhe acolher. Mas sua ideia de pastor não poderia estar mais errada... Shady é o tipo de cara quietão que, apesar de ser pastor, também coordena o único bar da região... E não pode vender bebidas alcoólicas, então dá pra imaginar que os negócios não vão tão bem, não é?

Ela também conhece a jornalista-redatora do jornal que tanto alimentou suas noites e sua imaginação, Hattie Mae. Para sua surpresa, o jornal ainda existia. Abilene sente que estão guardando algum segredo dela, mas a criança não se preocupa... Ela irá embora no final das férias de verão, Gideon irá busca-la.

Mesmo sendo já o começo das férias, Abilene se vê obrigada a ir no último dia de aula. Segundo Shady, ela precisa conhecer algumas crianças. E há a freira Rotunda, a professora.

No quarto destinado a ela por seu novo protetor, ela encontra uma caixa há muito escondida com alguns tesouros dentro. Pequenas peças que significaram muito para alguém, junto de cartas de um antigo soldado que lutou na Primeira Guerra Mundial. Ela junta esses tesouros ao único tesouro que tem de seu pai: uma bússola já quebrada.

Enquanto ela tenta desvendar esses pequenos tesouros, ela acaba por fazer amizade com mais algumas garotas. Através de uma história contada, ela vai descobrindo pouco a pouco sobre aquelas pequenas peças que também se tornam seus tesouros. A história é tudo que a mantém esperançosa, enquanto espera que seu pai retorne. Ela não sabe se ele de fato irá voltar e sua fé nele fraqueja um pouco.

As duas histórias que na verdade são uma só, são tocantes e trazem emoções valorosas. Você acaba tentando descobrir um pouquinho sobre a vida de todos os personagens do livro, cada um com suas implicações e desejos diferentes. É bom ver como eram e como estão, tudo o que fazem um para o outro como comunidade aquece o coração do leitor.

Claire Vanderpool sabe contar histórias incríveis com temáticas simples e bonitas. A capa do livro é dura, há um postal bem legal dele. As páginas são grossinhas e ásperas, muito gostosas de ler e de segurar e a diagramação também está bonita. As notícias de jornal de fato são como notícias de jornal, até parecem carimbadas nas páginas do livro, huahuahu!

Em suas páginas, vamos descobrindo pouco a pouco sobre a história incrível de uma cidade pequena e cujos moradores possuem um potencial enorme para mudarem sua história.

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