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25.3.19

{Resenha} O Bom Partido



Título Original: Eligible
Autora: Curtis Sittenfeld
Editora: Planeta de Livros - Selo Essência
Sinopse: Uma versão moderna e emocionante do clássico Orgulho e preconceitoUma versão da família Bennet – e de Mr. Darcy – como você nunca viu antes.
Liz trabalha como escritora em uma revista e, assim como Jane, sua irmã mais velha instrutora de yoga, mora em Nova York. Preocupadas com os recentes problemas de saúde do pai, elas voltam à cidade onde nasceram para ajudar – e acabam descobrindo que tanto a bela casa em que cresceram quanto sua família estão desmoronando.
As irmãs mais novas Kitty e Lydia estão ocupadas demais com seus treinos de CrossFit e dietas para arranjar empregos.
Mary, a irmã do meio, está fazendo seu terceiro mestrado à distância e quase não sai do quarto, exceto para suas aventuras misteriosas nas noites de terça. E a Sra. Bennet só pensa em uma coisa: como casar suas filhas, especialmente com o aniversário de quarenta anos de Jane se aproximando.
Até que chega à cidade o cobiçado médico Chip Bingley, famoso por ter participado do reality show Bom Partido.
Em um churrasco de Quatro de Julho, Chip e Jane se interessam imediatamente um pelo outro, mas seu amigo neurocirurgião Fitzwilliam Darcy não tem a mesma sorte com Liz.
Primeiras impressões, porém, podem estar erradas.

Olha só. Não consegui esperar para dizer minhas impressões a respeito deste livro, que descobri ser o 4 de uma série lançada nos EUA, mas que não tem ligações entre si, de tão impressionada que eu fiquei. 

Jane Austen. Meu primeiro contato com ela, assumo, foi através de uma adaptação, a mais recente, para as telonas. Claro que me apaixonei, nem tinha como acontecer o contrário. Com uma trilha sonora apaixonante, atores incríveis interpretando personagens maravilhosos e intrincados, me vi desejando ler o livro e assim o fiz. Lido, cada vez mais consumi mais coisas sobre Jane Austen e seu modo de criticar a sociedade em que vivia. 

Curtis Sittenfeld nos apresenta uma versão “moderna” de Orgulho e Preconceito, onde a família Bennet reside nem tão tranquilamente na cidade de Cincinatti que fica em Ohio. Vivem em uma mansão em estilo Tudor que a autora não cansa de nos relembrar a todo momento que pode, mas não todas as irmãs: Jane e Liz moram em New York e, embora às vezes aceitem uma mesada dos pais, possuem seus próprios trabalhos: Jane, em seus quase 40 anos é uma saudável professora de yoga que meio já cansou de esperar pelo homem certo para ter com ele uma família e Liz é uma jornalista com importantes matérias em seu currículo, embora a revista onde trabalha seja basicamente voltada para a moda – mas também faz matérias para mulheres empoderadas e seguras de si e suas carreiras. 

São as duas únicas irmãs Bennet que trabalham; Mary optou pela carreira acadêmica, atualmente faz mestrado em Psicologia. Seu humor é ácido e ignorante, prefere não estar perto das irmãs e é constantemente hostilizada por elas. Kitty e Lydia são bem parecidas e bem próximas, fazem crossfit e coisas para a beleza e saúde o tempo todo e não trabalham. A Sra. Bennet faz parte do Country Club e é envolvida com bastante coisa de lá, embora se preocupe em casar as filhas como se sua vida dependesse disso (assim também o é no livro), mas pelas razões erradas. O Sr. Bennet não trabalha, apenas administra as contas da casa, herdada de seus antepassados.


O pai da família tem um mal súbito e vai para o hospital, o que obriga toda a família a permanecer junta pelas próximas semanas, uma vez que a mãe está ocupada com o almoço beneficente o qual ficou encarregada pela primeira vez e não terá como se encarregar dos cuidados necessários do marido adoecido. É então nesse período que Liz nota o quão deteriorada está a situação da mansão em estilo Tudor pertencente a sua família e também sua relação familiar com os entes. 

Todos os personagens da obra original de Austen estão presentes com novas características “atuais”. O primo da família é um empresário da internet, Charlotte é a amiga gorda e inteligente... Caroline está tão chata como sempre foi, Bingley está em sua total sensibilidade... Darcy está... Well... mais estranho. 

Mas vamos lá ao que me fez pensar muito sobre esse livro. Para mim é até difícil achar palavras para descrevê-lo por completo sem parecer um pouco rude. Racista, preconceituoso, homofóbico... Nada moderno. 

A autora pegou todas as críticas sociais de Austen e manteve tudo o que ela criticava e conseguiu ainda tornar pior. Acredito que foi chamado de moderno apenas pelos termos, o uso da internet e algumas coisas atuais como a yoga, o crossfit e coisas assim. 

A Sra. Bennet tem exatamente esses traços que eu citei acima como se fosse apenas uma mera característica de sua personalidade regional e é de certo modo acolhida e aceita pela família. Embora Liz tente questioná-la, ainda há a naturalização de todos esses preconceitos. Utilizou-se de um personagem transsexual apenas para colocar essa relação de preconceito da mãe e o horror dos pais em relação a isso. Marvetta, a babá/doméstica família, foi mandada embora porque foi vista assistindo tv com uma das filhas, as duas sentadas na cama. Cita a cor da pele de uma personagem aleatória sendo que nem precisava citar nada! E Liz sabe que sua mãe vai implicar com seu amigo da escola pela mesma razão e não faz nada para impedir o racismo dela. 

A gordofobia também é bastante presente, porque aparentemente a mulher precisa ser magra para conseguir um marido. Como se ter um marido fosse um troféu e tudo o que uma mulher pudesse desejar e ter uma carreira fosse desnecessário se você for bonita. 

Se você ler esse livro acreditando que é uma versão moderna, irá se encontrar nos anos atuais com comportamento de séculos atrás. Não sei se é, como uma amiga disse, sinais já do retrocesso social que estamos enfrentando ou se apenas é o reflexo de personalidades ruins mesmo ou sei lá o que pode ser... Acredito que se você quer fazer algo moderno, você pode se livrar de todos os preconceitos existentes na época do livro o qual ele foi inspirado. Havia tantas formas de fazer a história de Orgulho e Preconceito funcionar nos dias de hoje a autora foi realmente infeliz no que ela escolheu. Nada novo, extremamente de mau gosto e me fez querer dizer: “Miga, melhore.” Já nos primeiros capítulos. 

Ao mesmo tempo que ele quer ser empoderador mostrando algumas mulheres em papel de liderança ele, o livro, se contradiz com personagens de comportamento homofóbico, transfóbrico, machista, racista... Que destrói toda a imagem que tenta montar. Especialmente com Mary que poderia ter sido muito melhor criada e aproveitada, é ironizada, motivo de deboche constante das irmãs. 

A capa do livro é bonita, brochura. Seu interior é de páginas amareladas, fonte pequena e achei o texto meio juntinho demais, mas é tranquilo de ler. O livro é dividido em três partes iniciais, mas depois o tempo vai se acelerando. 

Se você ler esse livro, espero que sua experiência não seja diferente da minha. Se suas opiniões foram diferentes da minha, vamos conversar! Deixe aí nos comentários o que você achou! 

Bem... É isso. 

Ah! A série de livros se chama The Austen Project, que totalizam 6 releituras contemporâneas e os livros anteriores são: 

Sense and Sensibility, por Joana Trollope (Razão e Sensibilidade) 

Northanger Abbey, por Val McDermid 

Emma, por Alexander McCall Smith. 

Eligible, por Curtis Sittenfeld (Orgulho e Preconceito) 

Persuasão e Mansfield Park também fazem parte da lista!

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