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8.4.19

{Resenha} Tempo de Matar


Autor: John Grisham
Editora: Rocco
Ano: 1994
Sinopse: Dois homens brancos espancam e violentam impiedosamente uma menina negra de dez anos, numa pequena cidade ao sul dos Estados Unidos. A população da cidade – Clanton, no Mississipi -, apensar da significativa maioria branca, reage com choque e horror ao crime desumano. Mas o drama da menina Tonya e de sua família não para por aí. Ele ganha dimensão nacional a partir do momento em que o pai da menina consegue um fuzil emprestado, relembra seus tempos de Vietnã e mata os estupradores. A opinião pública se divide e o jovem advogado, Jack Brigance, que assume a defesa, terá que enfrentar toda sorte de perseguições, principalmente por parte da violenta Ku Klux Klan.

No comecinho do ano eu estava mexendo em uns documentos antigos do meu computador, olhando o que eu poderia apagar, essas limpezas pra começar o ano novo, sabem? Hahaha E aí encontrei uma lista que não sei de onde tirei, chamada Top 100 Killer Thrillers.

Realmente não me lembro de onde surgiu, mas provavelmente copiei essa lista de algum site de leituras, ou sei lá, o fato é que fui dar uma olhada nos títulos (que estão em inglês), e conferir quais eram os títulos em português. Descobri que muitos eu já li, alguns eu já tenho, mas ainda não li, e por coincidência, encontrei o Tempo de Matar, na 16ª posição, que meu namorado tinha acabado de me passar o ebook.

A sinopse me interessou bastante, e descobri que também existe o filme desse livro, que na época fez bastante sucesso, mas eu nunca assisti. Até pensei em assistir antes de escrever a resenha, mas achei melhor focar só no livro mesmo e não misturar as coisas.

Tempo de Matar é o primeiro livro de John Grisham, um autor bastante famoso dos Estados Unidos, que costuma escrever sobre temas jurídicos por ser um advogado criminalista. Normalmente seus livros criticam o sistema judiciário americano e as grandes firmas de direito.

Na obra em questão, escrita em 1989, ele foca também no racismo presente no sul dos Estados Unidos, na violência pregada pelos membros da Ku Klux Klan, e nas diferenças em se julgar um réu branco ou um réu negro.

Carl Lee Hailey é um homem negro que planejou e executou o assassinato dos dois criminosos brancos que sequestraram, espancaram e estupraram sua filha Tonya, de apenas 10 anos de idade. Antes de cometer o crime, Carl Lee procura Jake Brigance, advogado branco que tem bastante experiência em defender negros no tribunal. Apesar de aconselhá-lo a não cometer o crime e deixar que a justiça se encarregue dos abusadores (obviamente), Jake tem a empatia e compreensão necessárias para aceitar defendê-lo, porém achou melhor informar o xerife Ozzie sobre suas desconfianças.

O pai de Tonya, almejando uma justiça em forma de vingança, conseguiu uma M-16, arma com a qual ele já tinha experiência da época do Vietnã, e assassinou os dois criminosos, no prédio do tribunal onde seriam julgados, acertando sem querer a perna de um policial que os acompanhava.

“Com disparos rápidos e curtos, de sete ou oito balas cada um, o som trovejante da M-16 ecoou pelo prédio durante uma eternidade. Entre os estampidos e o ruído das balas batendo nas paredes, ouvia-se perfeitamente o riso louco de Carl Lee. Quando acabou, atirou a espingarda para cima dos dois corpos e desatou a correr.”

Carl Lee foi preso, e como prometido, Jake aceitou defendê-lo. Porém, ele não tinha condições de pagar o que foi pedido, ficando combinado um valor de apenas 900 dólares. Jake, apesar disso, pensou na publicidade que o caso receberia, e em quanto poderia alavancar sua carreira se conseguisse uma vitória.

Durante todo o processo do julgamento, Jake sofreu ameaças, que depois se transformaram em tentativas de assassinato, por estar defendendo um assassino negro. Mandou sua esposa e filha para a casa dos pais dela, temendo por sua segurança, mas não desistiu de seu trabalho.

O promotor do caso, Rufus Buckley, era um cara extremamente confiante, que não gostava de Jake, porém tinha algo em comum com ele, o desejo pela publicidade e o interesse pelas câmeras.

“Dr. Buckley, o senhor tem alguma simpatia pelo Sr. Hailey? Buckley sorriu enigmaticamente, com ar de quem está pensando no assunto. – Sim, tenho. Tenho simpatia por qualquer pai ou mãe cuja filha tenha sido violentada, é claro que tenho. Mas o que não posso admitir e o que o nosso sistema não pode tolerar é que se faça justiça pelas próprias mãos.”

O livro se arrasta com a escolha do júri, as audiências, as testemunhas, até o desfecho. Em certas partes, chega a ficar um pouco cansativo, mas não consegui largar até terminar. É uma história excelente, com personagens cativantes, que nos fazem questionar até onde podemos chegar por amor. Ao mesmo tempo em que nos questionamos se o sistema de justiça é realmente justo, se a pena de morte é realmente uma boa alternativa, ou se apenas reforça a ideia de vingança ao invés de justiça.

Além disso, coloca em evidência a diferença no tratamento entre réus brancos e negros, seja por parte da justiça, dos jurados, da imprensa, ou da população em geral.

“- Bem, se um homem branco não seria condenado e o Sr. Hailey provavelmente será, explique-me como é que o sistema trata os dois com justiça. – Não trata. – Acho que não entendi. – O sistema reflete a sociedade. Nem sempre é justo, mas é tão justo como o sistema de Nova York, Massachusetts ou Califórnia. É tão justo quanto o faz a emotividade e o preconceito dos seres humanos.”

Gostei bastante do livro, e agora me sinto pronta para assistir ao filme, que também ouvi diversos elogios. Se você já leu ou assistiu essa história, comenta aí o que achou! ;)


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