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10.6.19

{Resenha} A Casa dos Pesadelos


Autor: Marcos DeBrito
Editora: Faro Editorial
Ano: 2018
Sinopse: Dez anos depois de estar cara a cara com aquela assombração, Tiago finalmente concorda em voltar à mesma casa para visitar sua avó.
Agora adolescente, ele pretende provar para si mesmo, que a terrível imagem que o aterrorizara nas madrugadas por tanto tempo, não passava de uma criação tenebrosa da infância.Mas, ao chegar no casarão, o jovem se depara com o misterioso quarto de seu falecido avô, agora mantido fechado, e tratado como espaço proibido. As restrições com relação ao aposento, as sensações e barulhos no meio da noite logo alimentam nele a suspeita de que algo terrível habita o local.Tomado por uma estranha coragem e desejo de ver-se finalmente livre do medo, tudo que o rapaz deseja é descobrir o que há por trás daquela porta.
Então, o pesadelo toma novo impulso quando a figura sombria da infância mostra-se real novamente... mas, desta vez, ela quer atacar o seu irmão mais novo.Determinado a impedir que o caçula passe por terror semelhante, Tiago, mesmo apavorado, decide enfrentar a criatura. E o que descobre expõe terríveis segredos do passado que ninguém poderia imaginar.

Resenha:

Marcos DeBrito esteve aqui na minha cidade durante o Festival Literário de 2018. Eu ainda não conhecia o autor/cineasta, mas adorei a discussão entre ele e o Victor Bonini sobre literatura de terror e suspense, além da exibição de seu curta mais famoso. Na ocasião, comprei dois livros de cada um deles, mas só agora tive a oportunidade de começar a ler. 


Marcos foi extremamente simpático com todos, autografou nossos livros, e tirou fotos com todos que o abordaram.

A Casa dos Pesadelos é um livro sobre traumas de infância. Daqueles que você não consegue superar nem depois que cresce. A escrita do autor é deliciosa, e vai fluindo de uma forma tão natural, que você lê o livro inteiro sem sair do sofá.

Tiago passou por um grande trauma na casa de sua avó, onde jurava que existia um monstro escondido em um quarto fechado, mas que saía durante a noite para assustá-lo. Dez anos depois ele é obrigado a retornar, com sua mãe e irmão, e precisa confrontar seus medos para convencer-se de que era apenas fruto de sua imaginação.

“O jovem nem sempre foi de poucas palavras. No entanto, desde a última vez que percorreram aquela mesma estrada, quase uma década atrás, seu comportamento arredio soterrara qualquer resquício de talento social. Gostaria de afastar as divagações sobre um passado confuso cuja lembrança o torturava, mas via-se indo em direção ao epicentro da tormenta.”

Tiago era o típico adolescente rebelde, sempre com fones de ouvido, que fumava escondido de sua mãe, escondia suas emoções e não permitia que ninguém se aproximasse demais ou tentasse compreendê-lo. Porém, se preocupava com o irmão Bruno, de seis anos, mesmo que não demonstrasse. Bruno sofria de asma, e também começou a ouvir barulhos estranhos na casa da avó, após ficar sabendo da história do monstro.

Laura, a mãe dos meninos, havia contado, na mesa do jantar, o motivo por ter ficado tanto tempo sem visitar a mãe. Certa de que era apenas um medo bobo do filho, não dava muita importância, porém acabou assustando o mais novo também.

“O que o seu irmão acha que viu aqui de noite, Bruno, era tão assustador, tão monstruoso que, mesmo sem eu acreditar no que ele descreveu, fiquei apavorada só de imaginar a criatura. Ela tinha cabelos crespos esvoaçantes e uma das pernas parecia feita de madeira. Os olhos fundos, que o encaravam como se velassem seu sono, ficavam cavados num rosto completamente enrugado. No lugar dos dedos da mão, o que havia eram dentes amarelados que queriam mordê-lo. E a boca, toda desdentada, se escancarava, querendo devorá-lo enquanto ele dormia!”

Em suas escapadas para fumar na porta da casa da avó, Tiago acabou conhecendo Camila, uma vizinha de sua idade que sofria com a violência do pai contra ela e sua mãe. Com poucas palavras, os dois se entendiam e criaram uma certa amizade, do jeito deles.

“As conversas com Camila serviam para afastá-lo do seu medo particular, fazendo-o experimentar uma gota de como seria sua vida livre do trauma que o lançara à cova da introversão. Caso revelasse o real motivo de nunca ter retornado, correria o risco de ser visto por ela com os mesmos olhos de tantos outros que o enxergavam como um desequilibrado, pelo fato de sua história parecer fantasiosa demais para ser verídica.”

Mesmo com o receio, foi com Camila que Tiago tomou coragem para entrar no quarto proibido, quando estava sozinho na casa. Sua avó dizia que era o quarto de seu falecido avô e que ele nunca deveria entrar lá, porém ele acreditava ser a morada do monstro que tanto lhe assustava desde a infância.

“Certo de, na hora morta, a casa ser assombrada por algo inominável perambulando nas trevas, concluiu que o quarto era como um pórtico do inferno.”

O que Tiago encontrou no antigo quarto do avô trouxe revelações impactantes para toda a família, porém as respostas só vieram um pouco depois.

A edição é maravilhosa, super bem feita, com páginas coloridas para indicar capítulos sobre as lembranças do passado. Um livro perturbador, cheio de reviravoltas e um final surpreendente! Um prato cheio para psicólogos, como eu.


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