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14.8.19

{Resenha} Mythos

Título Original: Mythos
Autor: Stephen Fry
Editora: Planeta
Sinopse: Ninguém é capaz de amar e brigar, desejar e iludir com tanto brilho quanto os deuses e as deusas da mitologia grega. Rabiscando suas histórias maravilhosas pelos céus, eles no fundo são como nós... Só muito mais intensos e poderosos. Os deuses gregos representam o que há de bom e de mau em todos nos. Pelas mãos de Stephen Fry, neste livro inteligente, espirituoso e, acima de tudo, divertido, eles nos revelarão quem somos de verdade. 



Desde pequena sempre fui apaixonada por mitologia grega e nórdica, talvez por influência de minha mãe ou algo a mais. Lembro-me de ter feito alguns trabalhos na escola sobre o assunto e do quanto isso me animava, já que se tratava de algo que eu amava. Muitos desses envolveram livros com contos clássicos como Teseu e o Minotauro, Hércules, etc. Mas essas histórias, todos nós, provavelmente até os que não são tão chegados em mitologia, conhecem, mesmo que de nome.
Quando vi a capa de Mythos instantaneamente me apaixonei! Foi como se a minha "eu" de infância aflorasse do meu peito em alegria. Tudo nele nos dá esse ar "grego", a começar pelo fundo que imita o mármore, as lindas letras em dourado, refletindo a luz, com a imagem de Pandora abrindo seu jarro. Desenhos com traços que remetem ao passado, nos mostrando lindas estátuas! Uma maravilha só de olhar. Dá para ver o tanto que trabalharam para fazer algo correspondente com a história.

No começo, nos é mostrado um mapa do mundo grego onde os mitos tomam vida, além de claro, uma breve "árvore genealógica" nos mostrando de onde veio e como são divididos os titãs e deuses.
O livro Mythos, nada mais é, do que uma coletânea de histórias gregas, que vão desde o começo do universo, para a humanidade. Seria algo como uma "bíblia", da mitologia grega.

A história começa com o Caos. O estado de "espera", de "alongamento" como Fry diz, é o estado antes de Tudo. É um nada existente, quando nem o tempo existia, nem deuses. É o que seria o momento antes do grande Big Bang, se fossemos analisar pelos termos científicos. Inclusive, falando em termos científicos ou modernos, uma coisa que admiro muito nesse livro, é o fato de ter nos rodapés, explicações para a origem de certas palavras e termos que usamos até hoje, por conta desses mitos e divindades.
"Pense no Caos como, talvez, algum tipo de grande bocejo cósmico. Como um abismo ou um vácuo que boceja, no vazio da existência.
Se o Caos fez surgir vida e substância do nada, ou se o Caos bocejou vida, ou se a sonhou, ou a invocou de alguma outra maneira, eu não sei. [...] Seja lá qual for a verdade, a ciência hoje concorda que tudo está destinado a voltar ao Caos. [...]
A palavra grega para "tudo o que existe", o que poderíamos chamar de "o universo", é Cosmos. E neste momento, o Cosmos é Caos e apenas Caos, porque Caos é a única coisa que existe. Um alongamento antes dos exercícios, uma orquestra afinando os instrumentos..."
 De acordo com os gregos, os seres divinos são divididos em "ordens" e os Olímpicos. A primeira ordem, seriam os seres primordiais, os que foram criados a partir do próprio Caos. Sendo os primeiros deles a escuridão e a noite e a partir deles, vieram o dia e a luz. Mais tarde, (ou melhor, ao mesmo tempo, já que "Tempo" não havia sido criado ainda) vieram Gaia, a terra e Tártaro, as profundezas abaixo dela. Esses são os princípios elementares, estes não possuíam caráter ou interesses reais e foi a partir deles que veio os seres divinos. O mundo começou a tomar forma conforme esses seres iam se reproduzindo com eles mesmos ou sozinhos, criando o mar e o céu.

O céu, era chamado de Urano e a Segunda Ordem começou a partir dele e Gaia. Assim também começou o Tempo, junto com todos os atributos individuais, conscientes: personalidade, drama, caráter, sonhos, opiniões e paixões. O grande significado de tudo se estabeleceu aí.

Urano e Gaia se reproduziram satisfatoriamente, o que deu origem à muitas coisas. Mas também, a partir dessa relação nasceram criaturas horrendas, das quais Urano não suportava olhar. Por conta disso, ele os amaldiçoou a nunca mais verem a luz, e assim, os empurrou de volta ao útero de Gaia. A Mãe Terra, com essa agonia insuportável passou a odiar o marido com tamanha força, que planejou se vingar.

Para isso ela precisava da ajuda de algum de seus filhos, e o único disposto a tal plano, foi Cronos, que passava a maior parte de seu tempo em Tártaro. Ele, que sempre odiou o pai por inveja e ressentimento, era também o mais forte de seus irmãos. Então, junto de sua mãe, que dera a ele uma Foice enorme, tirou seu pai do poder, além de livrar Gaia de sua agonia, libertando seus irmãos. Cronos então, se tornou o novo governador daquele mundo. Derrotado, Urano amaldiçoou seu filho, dizendo que seria destronado pelos próprios filhos, como este o destronou, maldição essa que Cronos enfrentou com escárnio, enquanto levou seu pai para o Tártaro, mais fundo e mais longe do seu domínio natural quanto conseguiu.
"Remoendo, fervendo e furioso, bem fundo embaixo da terra que uma vez o amou, Urano comprimiu toda a sua fúria e a energia divinas na própria rocha, esperando que, um dia, alguma criatura, ao escavar em algum lugar, a mineraria e tentaria dominar o poder imortal que radiava dali de dentro. Isso, é claro, jamais iria acontecer. [...] Certamente, ainda está por nascer a raça que seja tola a ponto de tentar libertar o poder do urânio."
Cronos governou como um tirano, tirando seu pai e seus irmãos do poder sobre o céu, a terra e o mar. Sem confiar em ninguém, reinando sozinho. Porém, apesar do desdém que Cronos demonstrou às palavras amargas de seu pai, com o tempo, ele passou a ficar apreensivo com a maldição. De tal modo que, quando Reia, sua irmã e esposa, foi dar à luz à sua primeira criança, ele a devorou sem demora. E o mesmo se repetiu por cinco vezes. Na sexta vez, Reia fez questão de se vingar. Teria a criança em segredo, e enganaria seu marido titã, enquanto criava a criança para destroná-lo. Essa criança se chamaria Zeus. E com ele nasceria a Ordem dos Olímpicos.

Zeus libertou os cinco irmãos que haviam sido devorados por Cronos e a grande batalha entre titãs e olímpicos começou. Ao que é dito, essa batalha, também chamada de Titanomaquia, duraram anos e não se sabe ao certo tudo o que aconteceu nela, mas durante a guerra muitas outras formas de vida nasceram e claro, os deuses saíram vitoriosos. Para garantir que os Titãs derrotados não ameaçassem sua ordem, Zeus puniu todos devidamente.
Seu maior oponente durante a guerra, Atlas, foi condenado a segurar o céu por toda a eternidade. Grande parte das energias de Urano e Cronos foram desperdiçadas no esforço de separar o céu da terra, dessa forma, o novo Rei se livrou desse fardo. Com o tempo, ele se solidificou como os montes Atlas, que se encontram no Noroeste da África até hoje.
"Quanto a Cronos [...]sua punição foi viajar incessantemente pelo mundo, medindo a eternidade num exílio inexorável, perpétuo e solitário. Ele devia marcar cada hora e minuto, pois Zeus o condenou a contar a própria eternidade. Podemos vê-lo em toda parte, hoje, uma figura esquelética com sua foice. Carregando agora o apelido barato e humilhante de "Velho Pai Tempo", suas feições pálidas, retorcidas nos remetem ao tique-taque inevitável e impiedoso do relógio do cosmos, levando todos aos seus dias finais."
 Porém nem todos os titãs foram expulsos ou castigados. Prometeu, por exemplo, irmão de Atlas, lutou contra a própria espécie em favor dos deuses, sendo agraciado com a amizade de Zeus, algo que teriam grandes consequências no futuro, quando a humanidade fosse criada.

Mythos, como foi dito antes, é uma coletânea longa desde a criação até contos de heróis da humanidade à frente. Então, não tenho como resumir absolutamente tudo, mas achei que fosse importante saber a origem disso tudo. É realmente impressionante ver como os gregos tinham uma forma tão interessante, inteligente e aberta de ver o mundo e a história humana. Também gostaria de pontuar quão incrível é a escrita de Stephen Fry, que une as origens com os mitos, nos mostrando de onde vêm certos contos, certos termos e expressões do mundo atual, colocando todos os acontecimentos de forma coerente e numa linha de tempo compreensível.

Para muitos, esse livro de 300 e tantas páginas pode ser maçante de se ler, mas sem dúvida é capaz de fornecer uma boa leitura, mesmo que demorada, ainda mais para quem é amante da mitologia e sedento por um pouquinho mais de conhecimento.

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