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29.10.19

{Resenha} Caixinha de Gwendy


Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Há três caminhos para subir até Castle View a partir da cidade de Castle Rock: pela rodovia 117, pela Estrada Pleasant e pela Escada Suicida. Em todos os dias do verão de 1974, Gwendy Peterson, de doze anos, vai pela escada, que fica presa por parafusos de ferro fortes (ainda que enferrujados pelo tempo) e sobe em ziguezague pela encosta do penhasco.
Certo dia, um estranho a chama do alto: “Ei, garota. Vem aqui um pouco. A gente precisa conversar, você e eu”. Em um banco na sombra, perto do caminho de cascalho que leva da escada até o Parque Recreativo de Castle View, há um homem de calça jeans preta, casaco preto e uma camisa branca desabotoada no alto. Na cabeça tem um chapeuzinho preto arrumado.
Vai chegar um dia em que Gwendy terá pesadelos com isso.

Faz uns bons meses que terminei esta leitura e fiquei desanimada o suficiente para não ter coragem de falar sobre isso. Mas aqui estou eu para dar minha opinião mesmo quando não há muita coisa boa a ser dita.

É um livro pequeno (160 páginas), com letras grandes, espaçamento duplo e muitas figuras. Isso já deveria ter me alertado sobre uma narrativa mais infantil do que a qual eu estava acostumada... mas me deixei levar pelos nomes na capa. Salvo engano, li A Pequena Caixa de Gwendy em apenas uma tarde. Mas não pela intrigante estória que me deixou faminta por mais páginas, e sim pela busca incessante por um clímax (ou pelo menos por alguma parte mais interessante) que nunca chegou.

Na famosa Castle Rock, palco de grandes tramas de Stephen King, acompanhamos Gwendy, uma garotinha acima do peso que está correndo - literalmente - atrás do seu objetivo atual: perder peso e ser vista de modo diferente pelos colegas da escola. Num de seus exercícios subindo a escada do penhasco, Gwendy tem sua atenção atraída por um homem esquisito... Com sua face parcialmente oculta pelo chapéu e sua aparência meio assustadora devido as vestes escuras, o estranho - logo nominado Sr Farris - simplesmente lhe oferece um presente: uma pequena caixa intrigante com alavancas e botões.

Como qualquer criança de 12 anos faria, Gwendy aceitou a caixinha e seus benefícios, sem pensar mais de uma vez nas possíveis consequências.
As alavancas forneciam chocolates que saciavam a fome (ajudando a jovem no seu emagrecimento) e pequenas moedas de ouro; tudo ótimo até aí, não é mesmo? Mas os botões, coloridos e associados aos 5 continentes, tinham funções ocultas que Gwendy estava ansiosa, mas também temerosa, em conhecer.

Mas a caixinha não se resumia a isso. Logo após sua chegada, nossa protagonista notou mudanças em sua vida  - algumas sutis, outras exuberantes. Seus pais, alcoólatras, deixaram de beber subitamente e melhoraram o convívio no lar. As outras crianças já não viam Gwendy da mesma maneira: ela estava cada vez mais alta e bonita, e parecia ter sucesso em tudo que decidisse fazer - provas? esportes? Nada era um desafio real. Com tantas vantagens, Gwendy vê que a caixa é preciosa demais para ficar dando bobeira no seu armário. É preciso protegê-la, escondê-la! E então, a paranoia começa. Junto com ela, pequenas "adversidades" que já vão nos preparando para o maior desafio da protagonista ao final do livro - ou seja, até isso foi meio previsível.

A trama é tranquila, mostra poucos eventos associados ao uso da caixa misteriosa e ao crescimento da personagem. Apenas no fim do livro é que o objeto mágico (ou amaldiçoado?) tem um papel mais importante e, mesmo assim, parece algo incompleto. O livro inteiro dá essa sensação: falta algo. Falta profundidade nos personagens, faltam respostas sobre o funcionamento da caixa e sua origem, falta adrenalina.

Posso estar sendo injusta e até mesmo dramática, mas o livro, de maneira geral, não me encantou. O texto poderia muito bem estar incluso em um livro de contos do autor - eu, aliás, gostaria muito mais dele se o tivesse lido assim pois teria diminuído minhas expectativas.
Em resumo, é uma crônica de 160 páginas que não é eletrizante nem aterrorizante, apenas levemente intrigante. Mas de que adianta ser intrigante se as dúvidas do início do livro permanecem após a ultima pagina? Faltou algo, afinal...

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