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4.11.19

{Resenha} O Segredo de Frida Kahlo


Editora: Planeta Brasil
Sinopse: Com ingredientes que não podem faltar na cozinha de ninguém – paixão, romance, dor, traição, luxúria e drama –, esta mistura de realidade e ficção desvenda a fascinante vida de Frida Kahlo Mais do que a emocionante história de Frida Kahlo, esta envolvente narrativa de Francisco Haghenbeck revela um delicioso segredo da artista mexicana: seu livro de receitas, o “Livro da erva santa”. Era nele que Frida anotava seus mais saborosos pratos, que encantaram personalidades como Diego Rivera, Leon Trótski e tantos outros. Depois de sofrer um terrível acidente de bonde e morrer pela primeira vez, a ousada e intrigante artista Frida Kahlo encontra sua Madrinha, a Morte, com quem faz um acordo: para voltar a viver, a artista deverá preparar todos os anos uma oferenda para lembrar seu pacto. A partir de então, Frida passa a anotar cada banquete de Dia dos Mortos em um caderno de capa preta, guardado com todo zelo. Esse pequeno caderno ganha o nome de “Livro da erva santa”. Enquanto a promessa se cumpre, a existência de Frida se desenvolve de modo impetuoso, cheia de arrebatamento e dor. Ela conhece o homem com quem compartilhará a vida – Diego Rivera – e que marcará o começo de sua segunda morte. Juntos irão saborear a traição e também a paixão pela arte. Frida Kahlo amou e desejou com loucura, mas viveu dias emprestados; seu corpo dolorido e destroçado jamais lhe permitiu esquecer que sua Madrinha arrancava-lhe a alma pedaço por pedaço, e o encontro final entre elas estava sempre à espreita.


A figura enigmática de Frida sempre me despertou muita curiosidade. Suas obras - repletas de autorretratos, aliás - com cores vives e temáticas sempre ligadas à vida pessoal daquela que as idealizou são temas de discussão e admiração até hoje. Sua imagem é fortemente ligada ao movimento feminista e eu não fazia ideia do quanto eu não sabia sobre ela. Houve, aqui, uma aula de história acima de tudo.

Encarei este livro como uma mescla entre biografia não autorizada, fantasia e cultura mexicana. Contando sua história (ou sua sina, eu diria) desde o nascimento até seus momentos finais, Haghenbeck brinca com a figura da Morte que sempre rodeou Frida - a poliomielite adquirida na infância, os perigos da Revolução Mexicana, o acidente de bonde... Muitos foram os percalços que nossa protagonista enfrentou. Quando se viu presa a cama, entediada, afundando na depressão, foi que a pintura lhe ofereceu refúgio. Pintando sentimentos e momentos íntimos de sua vida, encontramos nas obras de Kahlo uma biografia por si só. 

"Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que melhor conheço."

A obra também me fez entender melhor a ligação de Frida com o feminismo. Frida nunca negou sua sexualidade; sempre teve vários amantes - homens e mulheres -, viveu um relacionamento abusivo com Diego Rivera mas nunca deixou de viver outros amores. Frida nunca negou a anatomia da mulher que era, mesmo que isso causasse enojamento: retratou-se, inclusive, em mais de uma obra, menstruando após seus abortos. Havia ainda o corpo fora do padrão que nunca foi maquiado em telas. Tudo nela emanava liberdade e emancipação.

"Diego, houve dois grandes acidentes na minha vida: o bonde e você."

 É uma história triste mas calorosa - difícil explicar. As receitas culinárias mexicanas que intercalam os capítulos do livro tentam dar ares de suavidade ao texto e um toque cultural "extra". Vale a pena a leitura seja pela biografia, pelo retrato do feminismo ou simplesmente pelo livro de receitas mexicanas; aproveitei as três vertentes do livro e o coloquei entre meus favoritos deste ano.




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