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5.4.19

{Resenha} O que o sol faz com as flores





Autora: Rupi Kaur
Editora: Planeta
Sinopse: Da mesma autora de outros jeitos de usar a boca, O que o sol faz com as flores e uma coletânea de poemas arrebatadores sobre crescimento e cura. Ancestralidade e honrar as raízes. Expatriação e o amadurecimento ate encontrar um lar dentro de você. Organizado em cinco capítulos e ilustrado por Rupi Kaur, o livro percorre uma extraordinária jornada dividida em murchar, cair, enraizar, crescer, florescer. Uma celebração do amor em todas as suas formas.

Já tinha lido O que o sol faz com as flores há um tempinho, mas essa edição da Planeta estava tão linda, era bilíngue... Não deu pra resistir, tive que agarrar e ler novamente!
É impressionante como o mesmo livro pode nos tocar em mais de uma maneira, dependendo do nosso estado de espírito no momento da leitura. Os sentimentos que O que o sol faz com as flores despertou em mim há 1 ano foram totalmente diferentes do que senti quando o li agora. Foi como ler um livro totalmente diferente. Aliás, em vários momentos, fiquei me questionando "eu já tinha lido esse poema? será que tinha mesmo esse poema na edição antiga?". 



É engraçado como a gente, inconscientemente, carrega apenas aquilo que nos toca naquele exato momento... E foi um grande passo no meu processo de auto-conhecimento perceber que temas que mexeram muito comigo um ano atrás por meio dos poemas de Rupi Kaur, desta vez, não me afetaram tanto. Desta vez, eu abri meus olhos para outros poemas e gostei do que vi.




E esta edição nova está LINDA por dentro e por fora, como um verdadeiro livro deve ser, haha. Tem uma capa dura, cores sóbrias, textos extra que não existiam na primeira edição - principalmente um texto falando sobre a trajetória de Rupi Kaur como autora e como pessoa - prenderam minha atenção (imagem acima <3). A seção bilíngue do livro fica lá no finalzinho e é bem reduzida - pensei que fosse um daqueles livros meio-a-meio mas fizeram apenas a tradução mesmo, bem prático. Além disso, temos novas ilustrações, novo esquema de cores nas páginas... Tá tudo lindo, tudo caprichado! Vale a pena conferir, tanto pelo conteúdo quanto pelo esmero que encontramos nesta obra.










3.4.19

{Resenha} Juntos Somos Eternos


Título Original: The Serpent King
Autor: Jeff Zentner
Editora: Seguinte
Sinopse: Dill não é um garoto popular na escola — e não é culpa dele. Depois de seu pai se envolver em um escândalo, o garoto se tornou alvo de piadas dos colegas e passou a ser evitado pela maioria das pessoas na cidadezinha onde mora. Felizmente, ele pode contar com seus melhores amigos, Travis e Lydia, que se sentem tão excluídos ali quanto ele. Assim que os três começam o último ano do ensino médio, mudar de vida parece um sonho cada vez mais distante para Dill. Enquanto Travis está feliz em continuar no interior e Lydia pretende fazer faculdade em uma cidade grande, Dill carrega o peso das dívidas que seu pai deixou para trás. Só que o futuro nem sempre segue nossos planos — e a vida de Dill, Travis e Lydia está prestes a mudar para sempre. 

Em Juntos Somos Eternos temos três melhores amigos: Dill, Lydia e Travis. Os três moram na pequena cidade de Forrestville, no interior do Tennessee e estão prestes a terminar o ensino médio. O que cada um deles fará depois disso?

Dill vem de uma família altamente conservadora e religiosa. Seu pai era o pastor de uma das igrejas da região, porém foi preso por conta de pornografia infantil. Por isso tem que carregar o peso do estigma de seu pai e não vê perspectiva de futuro. Travis tem uma boa mãe, mas seu pai é grosseiro e agressivo. Não compreende o amor que ele tem pelos livros de fantasia. Ele é sempre comparado ao irmão que morreu prematuramente. Ele só quer ficar quieto em seu canto e fazer as cosias que gosta. Já Lydia é a única tem uma família bem estruturada: pais amorosos e compreensivos. O único problema para ela é morar onde mora. Ela quer mais do que viver em uma cidade pequena e retrógrada, então decide criar um blog de moda e afins. Isso abre portas para ela e seu futuro. Por tantos desajustes eles se encaixam bem com suas diferenças.


A edição da Editora Seguinte está simples, porém muito bem trabalhada. Diagramação confortável e agradável. A narração está em primeira pessoa e fica com a visão dos três protagonistas.

Junto Somos Eternos é o tipo de livro que vai te trazer boas lições de vida. Os protagonistas dessa história são bem diferentes entre si. Cada um deles tem sonhos, anseios e vivências diferentes, porém com uma característica que os uni: são renegados socialmente na escola. Isso os aproxima e os uni como uma unidade só.

“Você não acha morar aqui não foi importante para transformar você em quem você é? Acha que sentiria o mesmo impulso de criar Dollywould se tivéssemos deixado o mundo a seus pés?”

Quando vi o livro nas redes sociais, fiquei mega empolgada, pois a sinopse me remeteu as mudanças que o fim do ensino médio nos traz e etc. O livro cumpre esses anseios de mudanças e desencontros que existem nessa fase, porém não me cativou tanto. Ao longo do livro vamos ter vários momentos que nos trazem boas lições, mas também momentos tediosos. Além das exigências que a protagonista Lydia coloca em cima de Dill, e esse por sua vez ficava com raiva por Lydia querer seguir em frente com seus planos. Até mesmo as partes de Travis, não eram tão interessantes.

Infelizmente, nenhum dos protagonistas me conquistou. Senti muita empatia pela situação de vida de Dill e Travis, mas só isso é muito pouco para dizer que eles foram carismáticos ou interessantes. O que salvou a história para mim foram as lições de vida. Já me disseram que o outro livro do autor Jeff Zentner, Dias de Despedida, é ótimo. Talvez eu dê uma chance. Quem sabe?



1.4.19

{Resenha} Longe de Casa



Título Original: Far from home
Autora: Malala Yousafzai
Editora: Seguinte
Sinopse: Neste livro, a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da paz conta sua história de migração e dá voz a garotas que estão entre os milhões de refugiados pelo mundo.
Ao longo de sua jornada, a paquistanesa Malala Yousafzai visitou uma série de campos de refugiados, o que a levou a pensar sobre sua própria condição de migrante — primeiro dentro de seu país, ainda quando criança, e depois como ativista internacional, livre para viajar para qualquer canto do mundo, exceto sua terra natal.
Em Longe de casa, que é ao mesmo tempo um livro de memórias e uma narrativa coletiva, Malala explora sua própria trajetória de vida e apresenta as histórias de nove garotas de várias partes do mundo, do Oriente Médio à América Latina, que tiveram que deixar para trás sua comunidade, seus parentes e o único lar que conheciam.
Numa época de crises migratórias, guerras e disputas por fronteiras, Malala nos lembra que os 68,5 milhões de deslocados no mundo são mais do que uma estatística — cada um deles é uma pessoa com suas próprias vivências, sonhos e esperanças. 

Li Eu sou Malala em 2014. Foi nesse livro que eu percebi o quanto eu era alienada de tudo o que acontecia fora do meu país. Embora soubesse às vezes dos conflitos que aconteciam em um ou outro canto do mundo, assisti as notícias da morte de Osama Bin Laden e outros líderes autoritaristas, como grande parte das pessoas... Mas nunca pensei de fato em quem vivia naqueles lugares, em quem conviveu com o terror e o medo. 

Malala abre o livro contando um pouco sobre sua história, embora ela não tenha sido uma refugiada. Mas como as meninas que contam suas histórias no livro, ela também desconhecia a paz. 

Eu chorei. Chorei mesmo e não falo isso com vergonha. Não foi por causa de um romance ou de um drama fictício, mas por essas meninas e tantas outras que, como elas, também não conhecem a paz. Meninas que perderam tudo o que amavam e conheciam, muitas vezes. E que são tão mal julgadas por pessoas preconceituosas e sem compaixão. 
“Nunca deixa de me chocar que as pessoas considerem a paz algo garantido. Sou grata por ela todos os dias. Nem todo mundo tem essa sorte. Milhões de homens, mulheres e crianças testemunham guerras diariamente. A realidade dessas pessoas envolve violência, lares destruídos, vidas inocentes perdidas. A única escolha que têm para se manter seguras é ir embora. Só que não é exatamente uma escolha.” 
Imagine você, residente de uma cidade qualquer do Brasil. Imagine que o Brasil se torne uma ditadura, um autoritarista tome o poder e considere que você e milhares de pessoas não tem direito de se vestir assim ou assado, não tem direito a ter a fé que tem ou direito de ir à escola. Imagine que pessoas começam a agredir você e sua família por serem como são. Imaginem ver um deles ser agredido até a morte simplesmente por considerarem que sua família não tem o direito de estar na casa que sempre foi dela. 

Imagine acordar com bombas explodindo a casa de seu vizinho e você ouvi-los agonizando. 

Esses são apenas alguns dos horrores que as mulheres e meninas que contam suas histórias nesse livro, viveram. Isso pode não estar muito longe de você, que acorda com tiroteios entre traficantes e policiais debaixo de sua janela, não é? Para você que a fome já pode ter sido uma realidade diária em algum momento, ou ainda é, não sei. 

E, por mais que a vida seja dura onde estão agora, depois de não ter outra escolha – mesmo não tendo outra alternativa – ainda é melhor do que o lugar que consideravam seus lares, onde estava tudo o que amavam. Viram, da noite para o dia, suas vilas serem destruídas. Perderam escolas e amigos e oportunidades de vida que nos são tão comuns. 

Apesar de serem histórias chocantes, também nos trazem a esperança. Esperança de que ainda haverá um amanhã, de que ainda há sonhos e lutas em busca deles. De que ainda existem pessoas boas no mundo para estender a mão a quem precisa. 

Que nos mostram que as dificuldades podem até existir. Que o medo pode irromper a qualquer momento. Mas há a resistência. 

Longe da casa reúne a história de 10 jovens refugiadas (exceto uma) que Malala conheceu em suas viagens a campos de refugiados ao redor do mundo, pois ela realiza trabalhos com instituições que cuidam das pessoas que deixaram sua cidade natal. Algumas delas trabalham hoje na ONU realizando seus próprios projetos, outras trabalham dentro dos próprios campos para melhorar a vida pelo menos um pouquinho de todos que ali moram. É incrível, forte e sensível. Toca lá no fundo da alma e não há escolha a não ser se entregar a emoção. 

E, é claro, também há a história da própria Malala. 

Leitura grandiosa, permeada de luta e esperança. Perceba o quão privilegiado somos e faça o que estiver ao seu alcance, mesmo que pouco, para tornar a vida do outro apenas um pouquinho mais suportável.