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13.4.19

{Resenha} Tiger Lily




Autora: Jodi Lynn Anderson
Editora: Morro Branco
Sinopse: Antes do coração de Peter Pan pertencer à Wendy, ele pertenceu à menina com penas de corvo nos cabelos...
Tiger Lily não acreditava em histórias de amor ou finais felizes, até encontrar Peter na floresta proibida da Terra do Nunca. Diferente de todos que conhecia, ele era impulsivo, corajoso e fazia seu coração bater mais rápido. Mas como líder dos Garotos Perdidos, os mais temíveis habitantes da ilha, Peter era também uma escolha improvável para Tiger Lily. Ainda assim, ela logo se viu arriscando tudo - sua família e seu futuro - para estar com ele.
Com tantas diferenças ameaçando separá-los, o amor dos dois parece condenado. Mas é a chegada de Wendy Darling que leva a menina a descobrir que os inimigos mais perigosos podem viver dentro dos corações mais leais e amorosos.
Da autora best-seller do The New York Times, esse romance mágico e encantador entre uma heroína corajosa e o garoto que não queria crescer vai partir seu coração. 
“Você não saberia, ao vê-la, que ela viveu por tempo suficiente para procurar pelo que está do outro lado da água. Oitenta anos depois, ela ainda tem quinze anos.”
Gosto de contos de fadas desde criança. Cresci pedindo que meus pais os contassem de novo e de novo, muitas vezes. Quando aprendi a ler, procurei por mim mesma. Também assisti muito daqueles que foram contados pela Disney. 

Então é difícil encontrar uma criança que não os conheça e que não conheça Peter Pan. Todos sabem da história da Terra do Nunca, Sininho (hoje conhecida como Tinker Bell), Wendy e seus irmãos, os garotos perdidos. 

Crianças que não queriam crescer. 

Mas será que é isso mesmo?


Jodi Lynn Anderson nos apresenta a história por uma nova perspectiva, a de Tiger Lily – ou Tigtresinha, como ficou conhecia pela animação da Disney. Nela, vemos muito pouco dessa menina que às vezes acompanha os meninos perdidos e Peter Pan e sabemos que existe algo entre eles pelo modo com o qual Peter conversa com ela. 

Só que a autora nos trouxe uma nova reflexão a respeito dessa jovem. 

Aparentando ainda ter seus 15 anos, Tiger Lily é a pária da Comedores do Céu, a Ovelha Negra. Isolada e com poucos amigos que olham por ela, foi adotada pelo chefe da tribo, Tic Tac. Tão peculiar quanto ela, é o único que entende como a menina é e a deixa ser. 

Tic Tac leva esse nome por causa do curioso aparato que conta as horas que passam que ele possui. Dono de cabelos longos e bem cuidados, ele veste roupas como as femininas e tem orgulho de ser quem é, como sua filha adotiva. Todos o escutam e o respeitam, tanto como líder quanto curandeiro. Sábio, simplesmente. 

Tiger Lily possui amigos, provavelmente tão deslocados quanto ela. Seiva de Pinheiro também sofria preconceito por ser menor que os outros meninos e não podia ir caçar com eles por ser mais fraco. Tiger Lily também não podia, mas ninguém se atrevia a manda-la embora uma vez que estava lá. E ela era a melhor caçadora. 

Embora gostasse de sua tribo, sentia muitas vezes que não pertencia a ela. E a jovem era simplesmente diferente deles de um jeito que ninguém conseguia explicar. Ao invés de deixar um homem inglês cujo navio afundara e foi parar na praia, morrer, ela decide cuidar dele. Pois as pessoas da tribo acreditam que os estrangeiros podem passar para eles a doença do envelhecimento. Sim, as pessoas da ilha não envelhecem. Não se sabe porque ou como... Simplesmente chega uma época de suas vidas que seu crescimento para. Adolescente ou adulto, é diferente para cada um deles. 

Porém, os piratas pelo que eu entendi, envelhecem. Há uma pequena vila de piratas que caçam os Meninos Perdidos, mas não se metem com as tribos num acordo de paz: “Não mexa com os meus que não mexo com os seus”. Porém... 

Diferente dos contos infantis existentes, que mostram pouco da crueldade dos piratas, Jodi Lynn Andersen os levou ao limite entre normal e psicótico. Capitão Gancho é alguém aparentemente normal, com sonhos como toda pessoa. Confia em seus homens, sabe conversar e é um pouco filósofo. Reginald Smee, por sua vez... Sua face tranquila é apenas uma máscara que esconde a morte. E ele está encantado por nossa Tiger Lily. 

Tiger Lily e Peter Pan possuem um romance inocente, permeado por dúvidas e amor. E o sentimento que os liga é frágil e novo, pois nossa menina é um espírito livre... Assim como Peter. Um menino líder cheio de si e confiante, ele é o protetor. E não sabe como lidar com a jovem. 

Sua vida já bastante conturbada, prometida a um homem bruto da tribo. Seu pai, após mudanças ocorridas, está cada dia mais perdido e definhando aos poucos e Tiger Lily não sabe o que fazer para ajudar... Ela sabe que Tic Tac contava com ela, mas ela percebe que está falhando. 

A antes diversidade da tribo agora já se torna um problema com as reflexões trazidas por um estranho... Mas nossa protagonista apenas se afunda mais e mais na floresta, junto daqueles que a deixam ser quem ela é, perfeita como é. 

Pelo menos até a chegada de Wendy. E isso muda tudo. 

É meio agoniante ver escolhas erradas sendo tomadas uma atrás da outra, matando aos poucos um coração que bate tão rápido quanto o de uma ave. 

A escrita da autora é tão doce e suave, suas descrições são boas e permite espaço para a imaginação. Eu sinceramente gostei de conhecer mais de Tiger Lily, mais sobre a vida de sua tribo, os nomes e seus jeitos. E, mesmo que você saiba que a desesperança irá tomar conta, ela ainda consegue te surpreender com um final delicado.


A história era tudo o que eu esperava e mais um pouco. A Ilha não é muito explorada, mas vemos o suficiente para tornar tudo mais especial. A força e a independência brotam da protagonista a todo momento, que ainda está crescendo e aprendendo com o mundo a sua volta, mesmo que limitado. 

Foi o primeiro livro publicado pela editora Morro Branco que li. A qualidade é impecável e a capa é linda. Boa fonte, páginas que não cansam os olhos... Sempre observo isso nos livros que leio, pois torna mais fácil ler por horas seguidas, que é o que você definitivamente irá fazer quando der início a essa bela história.

10.4.19

[Resenha] Para Todos os Garotos Que Já Amei


Título original: To all the boys I loved before
Autora: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Sinopse: Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou - cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos.
Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.


Lara Jean é uma garota que vivencia o amor nos romances que lê ou em sua imaginação, mas tem medo de dar o primeiro passo na vida real. Por isso, quando sente um amor muito grande ela decide acabar com esse sentimento escrevendo para o garoto. Lara Jean escreve com toda paixão e sentimento, e logo depois guarda a carta como se tivesse enterrando aquele amor.

Porém, as coisas mudam quando cinco cartas suas são enviadas para os cinco garotos por quem ela já foi apaixonada. Toda a sua vida pacata vira do avesso, pois um dos garotos por quem ela tinha um sentimento, é totalmente proibido para ela.

“Se o amor é uma possessão, talvez minhas cartas sejam meu exorcismo. As cartas me libertam. Ou pelo menos deveriam.”

Lara Jean é uma fofa, sua irmã Kitty é uma pestinha adorável e sua outra irmã Margot é a personificação da calma e organização em pessoa. Amei! Uma história de pura nostalgia que me transportou no tempo. Enquanto lia o livro, pude vivenciar novamente meus momentos de adolescente e me sentir feliz. Lara Jean não é perfeita, longe disso. A protagonista ainda está aprendendo que seu mundo não pode apenas se limitar à sua casa e que seus sentimentos não podem ficar apenas no papel. Aqui Lara vai aprender que as emoções são bem mais poderosas quando são vivenciadas.



Para Todos os Garotos Que Já Amei é super bem falado e eu entrei para as estatísticas de muito bom grado. Já lhe aviso, caro leitor, que esse livro é voltado para o público adolescente ou para você que quer recordar essa fase. Não leia o livro julgando as atitudes de uma garota de 15 anos. Julgando as atitudes de uma garota que ainda está na fase de descobertas.

 “O amor é assustador; ele se transforma; ele murcha. Faz parte do risco.”

Bom, agora eu estou bem ansiosa para dar continuidade à leitura de Jenny Han, pois o primeiro livro termina em uma parte boa demais! O segundo livro também já está em produção de filme para entrar no catálogo da Netflix. Uhuuu!

8.4.19

{Resenha} Tempo de Matar


Autor: John Grisham
Editora: Rocco
Ano: 1994
Sinopse: Dois homens brancos espancam e violentam impiedosamente uma menina negra de dez anos, numa pequena cidade ao sul dos Estados Unidos. A população da cidade – Clanton, no Mississipi -, apensar da significativa maioria branca, reage com choque e horror ao crime desumano. Mas o drama da menina Tonya e de sua família não para por aí. Ele ganha dimensão nacional a partir do momento em que o pai da menina consegue um fuzil emprestado, relembra seus tempos de Vietnã e mata os estupradores. A opinião pública se divide e o jovem advogado, Jack Brigance, que assume a defesa, terá que enfrentar toda sorte de perseguições, principalmente por parte da violenta Ku Klux Klan.

No comecinho do ano eu estava mexendo em uns documentos antigos do meu computador, olhando o que eu poderia apagar, essas limpezas pra começar o ano novo, sabem? Hahaha E aí encontrei uma lista que não sei de onde tirei, chamada Top 100 Killer Thrillers.

Realmente não me lembro de onde surgiu, mas provavelmente copiei essa lista de algum site de leituras, ou sei lá, o fato é que fui dar uma olhada nos títulos (que estão em inglês), e conferir quais eram os títulos em português. Descobri que muitos eu já li, alguns eu já tenho, mas ainda não li, e por coincidência, encontrei o Tempo de Matar, na 16ª posição, que meu namorado tinha acabado de me passar o ebook.

A sinopse me interessou bastante, e descobri que também existe o filme desse livro, que na época fez bastante sucesso, mas eu nunca assisti. Até pensei em assistir antes de escrever a resenha, mas achei melhor focar só no livro mesmo e não misturar as coisas.

Tempo de Matar é o primeiro livro de John Grisham, um autor bastante famoso dos Estados Unidos, que costuma escrever sobre temas jurídicos por ser um advogado criminalista. Normalmente seus livros criticam o sistema judiciário americano e as grandes firmas de direito.

Na obra em questão, escrita em 1989, ele foca também no racismo presente no sul dos Estados Unidos, na violência pregada pelos membros da Ku Klux Klan, e nas diferenças em se julgar um réu branco ou um réu negro.

Carl Lee Hailey é um homem negro que planejou e executou o assassinato dos dois criminosos brancos que sequestraram, espancaram e estupraram sua filha Tonya, de apenas 10 anos de idade. Antes de cometer o crime, Carl Lee procura Jake Brigance, advogado branco que tem bastante experiência em defender negros no tribunal. Apesar de aconselhá-lo a não cometer o crime e deixar que a justiça se encarregue dos abusadores (obviamente), Jake tem a empatia e compreensão necessárias para aceitar defendê-lo, porém achou melhor informar o xerife Ozzie sobre suas desconfianças.

O pai de Tonya, almejando uma justiça em forma de vingança, conseguiu uma M-16, arma com a qual ele já tinha experiência da época do Vietnã, e assassinou os dois criminosos, no prédio do tribunal onde seriam julgados, acertando sem querer a perna de um policial que os acompanhava.

“Com disparos rápidos e curtos, de sete ou oito balas cada um, o som trovejante da M-16 ecoou pelo prédio durante uma eternidade. Entre os estampidos e o ruído das balas batendo nas paredes, ouvia-se perfeitamente o riso louco de Carl Lee. Quando acabou, atirou a espingarda para cima dos dois corpos e desatou a correr.”

Carl Lee foi preso, e como prometido, Jake aceitou defendê-lo. Porém, ele não tinha condições de pagar o que foi pedido, ficando combinado um valor de apenas 900 dólares. Jake, apesar disso, pensou na publicidade que o caso receberia, e em quanto poderia alavancar sua carreira se conseguisse uma vitória.

Durante todo o processo do julgamento, Jake sofreu ameaças, que depois se transformaram em tentativas de assassinato, por estar defendendo um assassino negro. Mandou sua esposa e filha para a casa dos pais dela, temendo por sua segurança, mas não desistiu de seu trabalho.

O promotor do caso, Rufus Buckley, era um cara extremamente confiante, que não gostava de Jake, porém tinha algo em comum com ele, o desejo pela publicidade e o interesse pelas câmeras.

“Dr. Buckley, o senhor tem alguma simpatia pelo Sr. Hailey? Buckley sorriu enigmaticamente, com ar de quem está pensando no assunto. – Sim, tenho. Tenho simpatia por qualquer pai ou mãe cuja filha tenha sido violentada, é claro que tenho. Mas o que não posso admitir e o que o nosso sistema não pode tolerar é que se faça justiça pelas próprias mãos.”

O livro se arrasta com a escolha do júri, as audiências, as testemunhas, até o desfecho. Em certas partes, chega a ficar um pouco cansativo, mas não consegui largar até terminar. É uma história excelente, com personagens cativantes, que nos fazem questionar até onde podemos chegar por amor. Ao mesmo tempo em que nos questionamos se o sistema de justiça é realmente justo, se a pena de morte é realmente uma boa alternativa, ou se apenas reforça a ideia de vingança ao invés de justiça.

Além disso, coloca em evidência a diferença no tratamento entre réus brancos e negros, seja por parte da justiça, dos jurados, da imprensa, ou da população em geral.

“- Bem, se um homem branco não seria condenado e o Sr. Hailey provavelmente será, explique-me como é que o sistema trata os dois com justiça. – Não trata. – Acho que não entendi. – O sistema reflete a sociedade. Nem sempre é justo, mas é tão justo como o sistema de Nova York, Massachusetts ou Califórnia. É tão justo quanto o faz a emotividade e o preconceito dos seres humanos.”

Gostei bastante do livro, e agora me sinto pronta para assistir ao filme, que também ouvi diversos elogios. Se você já leu ou assistiu essa história, comenta aí o que achou! ;)