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2.1.20

{Resenha} A Rainha Aprisionada

Título Original: The Caged Queen
Trilogia:  Iskari Vol. 2
Autora: Kristen Ciccarelli
Editora: Seguinte
Sinopse: Às vezes a liberdade só é conquistada com um grande sacrifício.
Firgaard foi governada durante décadas por um rei tirano e manipulador, capaz de condenar povos inteiros apenas para aumentar seu poder. Depois de uma grande batalha, Asha, sua filha, conseguiu derrotá-lo. E assim, Dax, o primogênito, assumiu o poder ao lado de Roa, sua esposa.
Roa é uma forasteira vinda das savanas - um território sob o domínio de Firgaard, que há anos é oprimido e está prestes a entrar em colapso. O maior desejo da nova rainha, mesmo sabendo que não é bem vinda em seu novo lar, é mudar a vida de seu povo. O que ela não esperava era encontrar uma chance de alterar o curso do destino e trazer de volta à vida sua irmã gêmea, Essie, morta quando criança em um terrível acidente. O único obstáculo? O novo rei.
  A história do segundo livro segue pouco depois da queda do tirano, da revolta dos nativos para a libertação dos skrals e a tomada do trono. Com a Asha em fuga, em algum canto do deserto, longe do palácio ao lado de seu amado Torwin, acompanhando os pensamentos e decisões da rainha nativa, Roa, que decidiu se casar com Dax para poder mudar o destino de seu povo. Porém, quando ela vê que Dax não parece muito preocupado em cumprir com sua palavra ela passa a recorrer à outras alternativas e o desenrolar disso só se mostra mais frustrante e dramático do que nunca.
"Ninguém entendia a conexão de Roa e Essie. Antes do acidente, consideravam algo estranho - ou pior: algo temível. Mas para Roa simplesmente era daquele jeito. Ela não sabia como poderia ser diferente. [...] As duas eram uma só."
 A ligação de Roa com sua irmã é tão forte, que mesmo depois da morte de Essie, essa permaneceu no mundo dos vivos, na forma de um falcão do deserto, sempre acompanhando a garota, onde quer que fosse. Mas depois de oito anos, as duas sentem essa ligação se enfraquecendo e garota se vê na necessidade de libertá-la logo de sua forma, mas para isso ela terá que lutar contra seus próprios sentimentos contra o jovem rei. Afinal, ele é mesmo tudo que aparenta ser? Um rei frágil, que mal sabe segurar uma espada?
Conforme desentendimentos vão sendo esclarecidos, sentimentos desenterrados e dúvidas começam a nascer, a rainha deve tomar sua decisão: se quiser ter sua irmã de volta, não pode ter o rei ao seu lado.
"O povo do Antigo acreditava que eles pertenciam uns aos outros, e portanto cuidavam uns dos outros.
Mas, à medida que os anos passavam e a população crescia, desacordos geravam divisões. Eles esqueceram de se enxergar como iguais, independentemente de suas diferenças. Esqueceram de que aqueles que não possuíam nada eram tão importantes quanto aqueles que possuíam muito. Esqueceram de que a voz de todos importava.
Eles esqueceram de cuidar uns dos outros."
Os nativos, que moram nas savanas seguem os costumes antigos, como seus ancestrais, se respeitando e cuidando uns dos outros. Quando Firgaard assumiu o poder sobre as savanas, tendo como uma rainha uma nativa (a mãe de Asha e Dax), a pobreza só aumentou e a aparição de uma praga em suas plantações não ajudou. Eles precisavam fornecer parte de sua colheita à cidade, deixando seu povo com mais escassez a cada ano.
Por esse motivo, pensando neles, Roa decidiu se juntar ao filho do rei para derrubá-lo, em troca de um exército de nativos. Mas por ser uma nativa, muitos de Firgaard não tinham confiança na nova rainha, principalmente os nobres que tinham o poder do conselho e ela sabia. Assim como sabia que seu povo também não confiava no jovem rei, sendo filho de quem era.
O conflito dentro dela foi se alastrando sem poder discernir entre o que realmente queria, no que acreditava ou no que era certo.
 "Roa não se importava com dragões. Ela se importava com pessoas. Com seu povo. As sanções de Firgaard ainda o faziam passar fome. Também se importava que as condições dos skrals recém-libertos não estivessem melhorando. Ela queria que Dax cumprisse suas promessas."
"A raiva ardia dentro de Roa. Ela estava farta da impotência do seu povo. De mães abrindo mão dos filhos de que não podiam mais cuidar, e tendo que viver com vergonha daquilo. De pais se mudando para o outro lado do deserto ou do mar em busca de uma forma de alimentar sua família, incapazes de ver seus filhos crescerem. Da doença, fraqueza e falta de propósito decorrentes da má nutrição.
Roa não podia mais aguentar."
No final do primeiro livro sinto que acabei com uma impressão totalmente errada da rainha e nesse eu pude conhecer mais sobre ela, suas convicções, dilemas e tristeza. Acho que um modo de descrever esse livro seria: uma raiva que te entristece. Você sente como ela fica dividida em muitas das situações que é obrigada a se envolver, tudo porque ela quer ajudar o seu povo e ter sua irmã de volta. Senti muita de sua raiva durante a leitura, quando os nobres fazem chacota com sua cultura ou quando a conselheira do rei o faz seguir o que ela diz, fazendo pouco dos nativos de forma escancarada, mesmo ela sendo uma rainha.

Mas mais do que isso, também me surpreendi com o quão esperto, brilhante e cativante o Dax na verdade é, se fazendo de tolo, ou desajeitado, provando ser muito diferente da imagem que a gente tem dele no primeiro livro.

O romance dos dois tem muito vai e vem, muitas provocações e desentendimentos justamente por essa imagem errada que um parece ter do outro, o que pode ser muito frustrante, mas ao mesmo tempo, conforme você vai descobrindo as coisas junto com a protagonista, isso realmente não importa, porque você se envolve da mesma maneira.

Asha e Torwin também fazem aparições em alguns trechos, o que faz bater um pouco de saudade.

Apesar de todas as tribulações, gosto de como acaba essa história. Ao que me parece, todos os livros são histórias fechadas, apesar de terem ligação, acredito que pode-se lê-los separadamente, se assim preferir.