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20.2.20

{Resenha} O Tatuador de Auschwitz - Heather Morris


Editora: Planeta 
Sinopse: A incrível história, baseada em fatos, de um amor que os cruéis muros de Auschwitz não foram capazes de impedir Nesse romance histórico, um testemunho da coragem daqueles que ousaram enfrentar o sistema da Alemanha nazista, o leitor será conduzido pelos horrores vividos dentro dos campos de concentração da Alemanha nazista e verá que o amor não pode ser limitado por muros e cercas. Lale Sokolov e Gita Fuhrmannova, dois judeus eslovacos, se conheceram em um dos mais terríveis lugares que a humanidade já viu: o campo de concentração e extermínio de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. No campo, Lale foi incumbido de tatuar os números de série dos prisioneiros que chegavam, trazidos pelos nazistas – literalmente marcando na pele das vítimas o que se tornaria um grande símbolo do Holocausto. Ainda que fosse acusado de compactuar com os carcereiros, Lale, no entanto, aproveitava sua posição privilegiada para ajudar outros prisioneiros, trocando joias e dinheiro por comida para mantê-los vivos e designando funções administrativas para poupar seus companheiros do trabalho braçal do campo. Nesse ambiente, feito para destruir tudo o que nele tocasse, Lale e Gita viveram um amor proibido, permitindo-se viver mesmo sabendo que a morte era iminente.

A Segunda Grande Guerra me fascina. Os livros baseados na Segunda Grande Guerra me fascinam. Os livros baseados em histórias de amor que sobreviveram à Segunda Grande Guerra, óh céus... Como não amá-los?

Vivo a me perguntar COMO o genocídio de milhões de pessoas ocorreu por tanto tempo e de maneira tão organizada. COMO as pessoas concordavam em matar outras baseadas apenas em sua religião ou sua etnia? COMO alguém consegue matar crianças em câmaras de gás, recolher seus corpos e dormir à noite como se fosse apenas mais um dia de trabalho?

A cada livro que leio, seja ele um romance ou documentário, algumas dúvidas são sanadas porém outras são criadas. Acho que nunca vou conseguir me libertar desse ciclo vicioso que me faz sempre retornar ao mesmo tema e reviver esse momento tão triste da história mundial. Mas, histórias como a de Lale e Gita acalenta meu coração: alguém sobreviveu. Alguém sofreu, mas encontrou felicidade depois daquilo. Há esperança...

Lale foi um dos vários judeus levados à força para um campo de concentração. Trabalho forçado, fome, miséria. Nada de novo sob o sol para qualquer um que teve aulas de histórias sobre isso. Acho que esse foi o motivo que fez O Tatuador de Auschwitz passar um tempo a mais na estante sem ser finalizado: eu já conhecia o começo da história. Milhões viveram aquela história. Não há nada de especial, apenas muito sofrimento e tristeza, infelizmente. Mas depois de algum tempo, decidi que precisava lê-lo. Tinha de haver algo de diferente! Mesmo que metade do livro já tivesse me mostrado o contrário, eu precisava ler para crer - questão de honra.

E o inesperado aconteceu. Uma troca de olhares entre Lale e Gita, uma jovem que também sofria os males do confinamento e do trabalho forçado, foi o suficiente para despertar uma paixão entre os prisioneiros. Usando de sua posição "privilegiada" como tatuador, Lale consegue manter contato com Gita - pequenos bilhetes e porções extras de comida são alguns dos regalos que Lale conseguia clandestinamente para alimentar o amor de sua pretendente. 

Mas nem tudo são flores. Para conseguir concretizar esse amor e, ainda assim, mantê-lo em segredo (já que relacionamentos eram proibidos nos campos de concentração), o casal passou por maus bocados que vale a pena ler para conferir e ficar incrédula como eu fiquei. 

Terminei a leitura em êxtase pelo final tão lindo -apesar das tragédias que foram necessárias para que ele acontecesse. Há, nas páginas finais, um relato da autora sobre como foi entrevistar Lale e reviver esses momentos com ele. Definitivamente, são páginas de ouro, do começo ao fim.