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8.3.20

{Resenha} A Metade Sombria - Stephen King


Editora: Suma

Sinopse:

Quando terminei de ler O Cemitério, prometi a mim mesma que passaria um bom tempo sem ler nada do Stephen King. Foi uma leitura triste demais; antes disso, já tinha me traumatizado com o terror alucinante de O Iluminado... Tentei dar, então, "férias" literárias ao King. Mas foi uma tentativa em vão;e foi assim, desobedecendo à mim mesma, que me vi apaixonada pela capa de Metade Sombria, livro que passou anos esgotado no Brasil e que tem a trama baseada em uma experiência pessoal do autor... Não resisti. Eis o resultado!

Em A Metade Sombria, Thad Beaumont, um escritor cuja fama só veio após a revelação de que era dele a mente maligna por trás dos livros aterrorizantes e sádicos assinados por George Stark, seu pseudônimo. Thad vive tranquilamente com sua mulher e filhos na pacata cidade de Castle Rock - nada incomum até aí. Mas, logo após Thad determinar a morte de George Stark ao assumir sua verdadeira identidade em uma entrevista, então, uma série de assassinatos começa.

Juntamente com o início dos crimes, Thad começa a ter sonhos (ou visões?), lapsos de memória e uma sequência de coincidências que vão estreitando sua relação com as mortes - mesmo que elas aconteçam em outro país! Como suas digitais podem estar na cena do crime? Como ele poderia saber a frase que o assassino escreveu com o sangue da vítima, antes mesmo da polícia lhe contar?! Suspeito de estar beirando a loucura, Thad encontra indícios suficientes para pensar que quem orquestra todos os assassinatos é George Stark,  a metade Sombria de nosso escritor. Engraçado, temos aqui dois protagonistas em um só.

Boa parte da estória se resume a descrever Thad tentando não enlouquecer. É angustiante porém enfadonho. Temos cenas de assassinatos a sangue frio, tortura, etc. algo esperado pra quem conhece King há alguns livros. Nem de longe tão aterrorizador quanto O Iluminado, mas ainda assim rendeu algumas acelerações cardíacas enquanto eu lia, haha.

Como sempre há uma pegada "psicológica" (ou não há e eu simplesmente a invento na minha cabeça?), em A Metade Sombria descobrimos do que nosso lado mais selvagem é capaz se não o contermos. A ganância, a fúria, a inveja. Sentimentos que nos destroem por dentro e acabam refletindo em tudo que há ao nosso redor. Me peguei pensando nisso durante a leitura e foi um sentimento que ficou: a necessidade de colocar as rédeas na metade sombria que há dentro de todos nós.

Em resumo, é um ótimo livro. A edição é linda, com uma capa dura emborrachada e conteúdo extra de King contando sua experiência antes da fama com o próprio pseudônimo. O conteúdo, já descrito, me fez prometer nunca mais dar férias ao autor! Haha. Não me aterrorizou como O Iluminado e não me entristeceu como O Cemitério Dos Bichos. King é versátil, afinal, foi bom aprender isso. King merece todo o sucesso que vem acumulando ao longo dos anos. As gerações mudam, mas o bom gosto literário, pelo visto, é o mesmo.

{Resenha} Ascensão - Stephen King



Scott Carey  é um homem comum ou era isso que ele achava até começar a sofrer uma perda de peso muito estranha. Não importava o quanto comia ou o que estava vestindo, seu peso não aumentava. Scott procura seu amigo doutor Bob Ellis para desabafar sobre a questão. Nada parece que pode ser feito para ajudá-lo, porém Scott não quer consultar nenhum outro médico ou fazer exames. Apesar de sua massa não se alterar, ele fica cada vez mais leve e a cada dia que passa seu peso se aproxima de zero, mas Scott não se preocupava com isso, pois há questões mais importantes para ele no momento.

Scott vive uma vida tranquila em Castle Rock. Uma típica cidade interiorana que quando algo acontece toda a comunidade fica sabendo em questões de minutos, além do fator de que muitos têm a mente fechada para aquilo que eles consideram fora do padrão. Ele é vizinho de Deirdre McComb e Melissa Donaldson, que são fora do padrão. As duas chegaram na cidade há pouco tempo e são casadas. Elas têm um restaurante na cidade, porém as coisas não andam bem financeiramente e já imaginam o motivo disso. Scott, que até então nunca tinha notado (ou fingia não notar) o preconceito da cidade contra as moças, agora quer ajudá-las a se integrarem na cidade mesmo enfrentando frio tratamento pela qual é tratado por Deirdre e até mesmo pelos moradores locais.

“Ela é lésbica. Não haveria problema nenhum se ficasse na dela, ninguém se importa com o que acontece atrás de portas fechadas, mas ela tem que apresentar a mulher que cozinha no Frijole como esposa. Muita gente daqui vê isso como um grande ‘vai todo mundo se ferrar’.”

Ascensão tem uma história bem diferente! Eu sinceramente não esperava que o enredo fosse se tornar o que se tornou. O problema que Scott enfrenta é como se fosse um personagem. Um personagem importante que o faz enxergar melhor as coisas ao seu redor. Porém o foco da história não é o problema em si, mas sim a relação dos personagens que se criou a partir dele. O livro trabalha tantos temas em tão poucas páginas! Fala sobre a homofobia, o perdão, sobre amizade, em como devemos viver ao máximo a vida que nos é dada e em como o amor está nos pequenos detalhes. Já os personagens dessa história são cativantes por si só. Cada um tem sua maneira de pensar e viver, mas uma amizade surge e a união desses é muito impactante para o leitor.


Ascensão realmente tem uma história muito bonita! O nome do livro não foi algo aleatório, pois seu significado é presente em toda a narrativa. O título se refere ao pensamento em elevação aquilo que não faz bem, deixar os preconceitos de lado, de viver e se deixar sentir, de ir além dos padrões. É uma forma de crescimento pessoal que os personagens passam no decorrer da trama, uma desconstrução do ser.

“– Como é a sensação, Scott? Como você se sente?
– Ascendendo. – disse ele por fim.”

Há um toque de sobrenatural na trama, pois livros do Stephen King sempre o têm, mas é esse detalhe que faz a trama funcionar e não há o que temer. Espero ter a oportunidade de ler mais do King com esse tipo de enredo: mais tocante e mais emocionante.

Curiosidade: Esse livro se passa na mesma cidade e ambientação do livro A Pequena Caixa de Gwendy que foi escrita por Stephen King e Richard Chizmar, porém não há uma ligação direta entre as histórias.